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Capital

"Só confessei porque fui torturado", diz réu por matar homem para quitar dívida

Dois envolvidos em homicídio são julgados hoje em Campo Grande

Por Dayene Paz e Bruna Marques | 19/05/2022 10:29
Igor durante júri na manhã desta quinta-feira (19), em Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)
Igor durante júri na manhã desta quinta-feira (19), em Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)

Igor Ferdinando de Almeida, réu pelo homicídio do carioca Márcio Rogério dos Santos, de 43 anos, após emboscada no Portal Caiobá, em Campo Grande, para quitar uma dívida de drogas de R$ 537, negou o crime diante do juiz na manhã desta quinta-feira (19), afirmando que confessou sob tortura. O outro réu julgado hoje, Rafael dos Santos Inzaubralde, também negou envolvimento.

Mesmo tendo confessado quando preso pela polícia à época dos fatos, 17 de junho de 2020, agora Igor Ferdinando alegou que foi torturado pelos policiais. "Só confessei porque fui torturado. Disseram que iam me estuprar com cabo de vassoura", afirmou. Em seu depoimento, afirma que estava em casa na noite que ocorreu o crime e saiu por poucos minutos para comprar refrigerante, acompanhado da enteada. Ele negou conhecer os outros envolvidos no assassinato.

Rafael dos Santos também contesta qualquer acusação. Afirmou que na data dos fatos, estava em uma festa e emprestou o veículo Chevrolet Monza a um conhecido vulgo "Disciplina", para que ele fosse comprar drogas. O veículo é o que aparece nas imagens que flagraram o homicídio de Márcio. "Depois de três horas, ele apareceu com o carro. Só fiquei sabendo no outro dia que me falaram que tava no jornal meu carro", alegou.

Rafael dos Santos durante julgamento nesta quinta-feira (19). (Foto: Henrique Kawaminami)
Rafael dos Santos durante julgamento nesta quinta-feira (19). (Foto: Henrique Kawaminami)

Entenda - Igor Ferdinando, Rafael dos Santos e Gabriel Matheus Pires Domingues foram denunciados por homicídio qualificado. Hoje, apenas os dois primeiros são julgados pela Justiça. Um menor de idade também participou do crime, por isso, os denunciados também respondem por corrupção de menor. Outro envolvido no assassinato não foi identificado até hoje.

Dinâmica do crime - O crime ocorreu na noite de 17 de junho de 2020, no Portal Caiobá, e foi filmado por câmeras de segurança. A vítima, natural do Rio de Janeiro, morava na região há apenas uma semana e voltava para casa quando foi abordado pelos autores do crime. Eram cinco suspeitos. Um deles esperava dentro de um Chevrolet Monza e os outros quadro aguardavam Márcio.

Nas imagens, é possível ver os suspeitos esperando pela vítima. Dois deles ficaram em meio ao matagal às margens da via, e os outros dois encostados no carro. Assim que Márcio vira a esquina, é abordado. Ele é cercado pelos quadro rapazes e levado até o Monza. Em um primeiro momento, tenta fugir, mas é ameaçado com um facão por um dos envolvidos.

A “confusão” continua e os suspeitos insistem para Márcio entrar no veículo, mas ele consegue empurrar um dos homens e corre. Márcio é perseguido por dois dos autores, um deles o mesmo que estava com o facão. O outro saca uma arma e dispara várias vezes. Márcio foi atingido por seis tiros de 9 milímetros.

Prisão e motivação - Com as imagens em mãos, equipes do GOI (Grupo de Operações e Investigações) assumiram a investigação e, pouco tempo depois, encontraram dois dos envolvidos no crime – um adolescente de 17 anos e Igor Ferdinando. Os dois já estavam em casa, ambas no Portal Caiobá, quando foram abordados pelos policiais.

O adolescente contou que foi contratado para avisar os comparsas quando Márcio aparecesse na rua. Para isso, receberia R$ 500. Igor afirmou que foi chamado para o mesmo serviço, em troca teria uma dívida de R$ 537 quitada. As apurações apontaram que a ordem para matar Márcio partiu de um presidiário de Campo Grande.

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