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Capital

“Só sobrou eu agora”, diz filha grávida de homem morto por PM

Por Ana Paula Carvalho e Viviane Oliveira | 01/01/2012 13:47

No nono mês de gestação, Vanessa enfrenta o drama de velar o pai e cuidar da mãe e dos irmãos internados na Santa Casa

Vanessa estava dormindo quando pai foi morto. (Fotos: Simão Nogueira)
Vanessa estava dormindo quando pai foi morto. (Fotos: Simão Nogueira)

Chorando muito ao telefone, Vanessa Pereira Meaurio, de 23 anos, grávida de nove meses, filha de Wilson Meaurio, 41 anos, morto após uma confusão envolvendo dois policiais militares e uma policial civil, relatou ao Campo Grande News “a cena dramática” que presenciou na madrugada.

“Eu estava dormindo quando ouvi os gritos. Ele atirou nos meus irmãos na minha frente”, relata.

De acordo com Vanessa os dois irmãos, Maikson Pereira Meaurio, de 15 anos, e Maysson Pereira Meaurio, 10 anos, e o primo Mateus Quirino Pereira, de 16 anos, estavam no quarto se preparando para dormir “quando o policial deu um chute na porta e atirou contra eles”.

“Meu irmãozinho gritava muito, desesperado. Falei com ele por telefone agora a pouco e ele continuava chorando, perguntando por que tinham atirado nele e onde meu pai está”, relata.

O menino, segundo a irmã, era muito apegado ao pai e ainda não sabe que ele morreu. A criança vai passar por cirurgia. “Estou indo para lá, porque ele vai ser operado e precisa de um maior de idade”, diz.

Para a jovem, nada justifica a ação do policial de ter entrado na casa e ter atirado em todo mundo. “Foi meu primo quem brigou com o policial porque ele quase os atropelou. Meu pai não tinha nada com a história. Ele estava no corredor quando foi baleado”, afirma.

“Eu nem vi meu pai, nem sabia que ele tinha sido baleado. Depois que o vi caído e agora vou ter que enterrá-lo”, diz chorando.

Vanessa conta que a mãe, Ionar Marília Monteiro Pereira, 37 anos, foi baleada enquanto trancava o portão porque a festa já havia acabado. “Ela nem sabia da briga. Estava trancando o portão quando o policial atirou nela e entrou”, conta.

A jovem, ainda não sabe onde e nem o horário do velório do pai. “Nem sei onde meu pai está. Só sobrou eu agora para resolver o velório dele e cuidar da minha família que está internada”, lamenta.

Casa teve que ser lavada para retirar manchas de sangue.
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Sandália que um das vítimas calçava ficou sujo de sangue
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