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Capital

Sobrecarga na saúde piora à noite em postos e Capital vai decretar emergência

Ontem foi criado "comitê da crise", mas previsão é de que situação só piore com surto de vírus

Por Viviane Oliveira, Izabela Cavalcanti e Caroline Maldonado | 30/04/2024 10:24
Movimentação de pacientes ontem à noite na UPA Universitário (Foto: Juliano Almeida) 
Movimentação de pacientes ontem à noite na UPA Universitário (Foto: Juliano Almeida)

Em meio a surtos de gripe e virose intestinal, à noite os postos de saúde de Campo Grande estão ainda mais lotados. Ontem, a reportagem percorreu várias unidades de saúde e ouviu relatos de pacientes que penam nas filas à espera por atendimento, realidade conhecida, mas que pode piorar, segundo a Secretaria de Saúde do Município.

Por isso, a Prefeitura de Campo Grande deve decretar Situação de Emergência na saúde devido ao aumento de casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) nas unidades de saúde de Campo Grande.

A declaração foi feita pela secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, durante reunião com o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Carlos Augusto Borges, o "Carlão" (PSB), na manhã desta terça-feira (30).

"Estamos na iminência de um Decreto do Executivo Municipal declarando Situação de Emergência para mitigarmos e prevenirmos uma situação ainda mais grave. Esse aumento expressivo das síndromes gripais respiratórias, a superlotação dos hospitais, UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e CRSs (Centros Regionais de Saúde)”, disse Rosana.

Ontem, a prefeitura criou gabinete da crise para tentar reverter a situação. Rosana Leite de Melo reconhece a superlotação das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e CRSs (Centros Regionais de Saúde) e lembrou que o plano emergencial é melhor o aproveitamento de pessoal, além de solicitar abertura de leitos nos hospitais credenciados para atender a rede pública.

Durante evento "Meu Bairro Limpo", nesta terça, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, definiu o momento como crítico. “É um momento crítico. Ontem tivemos uma reunião com o Comitê de Emergência que está sendo formado, tudo isso para tentar combater essas doenças. Estamos vivendo um período atípico, quando nós temos muitas doenças respiratórias”, destacou.

Segundo ela, uma equipe volante vai percorrer unidades 24 horas, melhorando o atendimento e o fluxo.

Enquanto as medidas não surtem efeito, são dezenas de relatos diários sobre o problema causado pelo surto de virose.

Aguardando atendimento para o filho com pouco mais de 1 ano, a dona de casa Vânia Souza Ferraz, 38 anos, gravou vídeo para mostrar a superlotação na UPA Universitário. “Estou aqui desde as 14h. Meu filho só foi atendido por volta das 18h porque a febre começou a subir muito. Infelizmente, durante o dia só tem pediatra na UPA Universitário. Eles deveriam aumentar a quantidade de médicos. Vêm muitas pessoas de fora, situação que está sobrecarregando a unidade de saúde."

Mas a Sesau garante que não é bem assim. Mesmo antes das medidas emergenciais, disse que além da UPA Universitário, há pediatras durante o dia na UPA Coronel Antonino também. "À noite tem pediatras em praticamente todas as unidades. São 50 clínicos gerais e 30 pediatras nas dez unidades de urgência e emergência", informou a secretaria por meio da assessoria de imprensa. .

Dos 987 casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) na Capital, segundo o painel de monitoramento da Sesau divulgado ontem, mais de 300 registros são em crianças menores de 1 ano. Em uma semana, foi registrado o aumento de 50% dos casos de viroses em adultos e 30% a mais em crianças.

Por volta das 19h, no CRS (Centro Regional de Saúde) no Bairro Tiradentes, a situação era a mesma do Universitário, saguão lotado. Havia grande número de pacientes aguardando consultas. A maioria se queixava de virose. Lá, quatro médicos faziam o atendimento.

Nesta segunda-feira, reportagem do Campo Grande News mostrou uma senhora deitada no chão da UPA Leblon por conta da dor. A cena foi registrada no início da tarde. Pelas imagens dava para ver que havia vários idosos, adultos e mães com crianças aguardando para serem atendidos no saguão da unidade de saúde. Com o grande número de pessoas no local, todas as cadeiras ficaram lotadas.

Paciente aguardando atendimento no CRS Tiradentes (Foto: Juliano Almeida)
Paciente aguardando atendimento no CRS Tiradentes (Foto: Juliano Almeida)

A titular da Sesau orienta as pessoas com sintomas respiratórios a usarem máscaras principalmente em locais fechados e mal ventilados com aglomeração, além das próprias unidades de saúde onde forem buscar atendimento.

O boletim InfoGripe da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), divulgado na semana passada, destacou que o VSR (vírus sincicial respiratório), principal causa da bronquiolite, já era responsável por mais mortes entre bebês este ano que a covid-19.

Hoje, a secretária de Saúde esteve na Câmara Municipal e recebeu apoio do Legislativo Municipal. "A Câmara Municipal fará todo esforço necessário no enfrentamento deste momento de crise na saúde da Capital, especialmente conclamando a população que adote medidas de prevenção aos vírus gripais, com o uso de máscaras e lavar as mãos, evitar aglomerações e o cuidado especial com as crianças e idosos que costumam ser os mais afetados. Também vamos acompanhar de perto as medidas do Executivo no COE e no caso de um decreto de crise", afirmou o presidente da Casa, Carlos Augusto Borges, o "Carlão".

Situação na UPA Moreninhas (Foto: Juliano Almeida)
Situação na UPA Moreninhas (Foto: Juliano Almeida)

Também estiveram na reunião o secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha; e o coordenador-adjunto da Defesa Civil Municipal, Adolfo Scipião.

Pacientes aguardando na UPA Univerisitário (Foto: Juliano Almeida)
Pacientes aguardando na UPA Univerisitário (Foto: Juliano Almeida)

Casos – Segundo o painel de monitoramento da Sesau, dos 987 casos de SRAG em Campo Grande, mais de 300 são em crianças menores de 1 ano. São exatamente esses casos que lotam as UPAs Leblon, Coronel Antonino e Universitário.

Em uma semana, foi registrado o aumento de 50% dos casos de viroses em adultos e 30% a mais de casos em crianças.

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