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Capital

Sumido desde fuga escandalosa, Palermo ganha mais um processo por lavagem

Há 30 anos, Palermo também era foragido e estampava 50 mil cartazes de “procura-se”

Por Aline dos Santos | 04/08/2021 11:26
Trinta anos atrás, PF também estava à procura de Gerson Palermo, como mostra cartaz da época. (Foto: Reprodução)
Trinta anos atrás, PF também estava à procura de Gerson Palermo, como mostra cartaz da época. (Foto: Reprodução)

Condenado a 100 anos de prisão e protagonista de fuga escandalosa, Gerson Palermo, 64 anos, segue réu em mais uma ação na Justiça Federal. Desta vez, por lavagem de dinheiro.

A ordem para prosseguir com a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) é do juiz da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Bruno Cezar da Cunha Teixeira.

Datada de segunda-feira (dia 2), a decisão detalha que Palermo - que também leva os apelidos de “Pigmeu”, “Italiano” e “Charles” –, e a esposa Silvana Melo Sanches ocultaram propriedade de veículo Toyota Corolla e usaram conta bancária de terceiros para dissimular a origem ilícita do dinheiro.

Primeiro, a denúncia foi recebida em abril deste ano, mas a defesa recorreu. A alegação foi de que se tratava de “bis in idem”, repetição de caso já abarcado na ação penal da operação All In, realizada em 2017 pela PF (Polícia Federal). Porém, o juiz aponta que a outra denúncia não trouxe os casos em investigação neste novo processo.

De acordo com o documento, as movimentações bancárias em nome de laranja foram nos valores de R$ 20 mil e R$ 1.500. O repasse foi feito pela pessoa já identificada como responsável de ocultar movimentação financeira e propriedade de dinheiro oriundo do tráfico de drogas para Gerson Palermo.

“No caso, a denúncia preenche os requisitos legais, com a qualificação dos acusados, demonstração da materialidade do delito, narra os fatos de maneira satisfatória, sintetizando a imputação atribuída aos agentes”, afirma o magistrado. A primeira audiência foi marcada para 9 de novembro.

Gerson Palermo durante prisão em 2017, durante a operação All In. (Foto: André Bittar/Arquivo)
Gerson Palermo durante prisão em 2017, durante a operação All In. (Foto: André Bittar/Arquivo)

A fuga – Em 21 de abril de 2020, ainda no início da pandemia do coronavírus, Gerson Palermo foi enquadrado no grupo de risco para a covid e obteve prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico. A decisão aconteceu durante o plantão do desembargador Divoncir Schreiner Maran.

No dia seguinte, 22 de abril, o desembargador Jonas Hass Silva Júnior, relator do processo, revogou a liminar e restabeleceu a prisão. Oito horas após o benefício do regime domiciliar, o chefão do tráfico rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu.

Após reportagem do Campo Grande News, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) passou a acompanhar o caso e abriu procedimento de reclamação disciplinar contra Divoncir Schreiner Maran.

O desembargador informou ao Conselho Nacional de Justiça que a decisão sobre Palermo foi como outras milhares.

Gerson Palermo é piloto, acumula passagens pela polícia desde 1991 e chefe do tráfico de cocaína. O crime mais ousado foi no ano 2000, quando sequestrou um Boeing da Vasp.

Até o ano passado, ele estava preso por condenação na operação All In. De acordo com a sentença da Justiça Federal, Palermo tem histórico de “façanhas criminais” e cogitou até uma “fuga de cinema” para o genro preso.

 A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos denunciados por lavagem de dinheiro. Há 30 anos, Gerson Palermo estava em 50 mil cartazes de “procura-se” espalhados pela PF por todo o Brasil.

Reportagem do jornal Correio do Estado sobre procura por presos de alta periculosidade. (Foto: Reprodução)
Reportagem do jornal Correio do Estado sobre procura por presos de alta periculosidade. (Foto: Reprodução)


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