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Capital

Trio veio tentar sorte e deu azar ao furtar Reinaldo

Bandidos agem com máxima discrição, o que não foi possível por se tratar do apartamento de um ex-governador

Por Anahi Zurutuza | 12/06/2024 21:21
Delegado-adjunto do Garras, Pedro Henrique Pillar Cunha (Foto: Paulo Francis)
Delegado-adjunto do Garras, Pedro Henrique Pillar Cunha (Foto: Paulo Francis)

Trio de São Paulo que veio a Mato Grosso do Sul para furtar apartamentos de luxo “deu azar” de invadir o imóvel onde o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) mora com a família em Campo Grande. O arrombamento até foi “bem sucedido”, uma vez que ninguém no edifício localizado no Jardim dos Estados percebeu, mas o que os ladrões não contavam era com a repercussão do caso, que tomou proporção pelo fato da vítima ser figura pública, e ação rápida da Polícia Civil, que conseguiu identificar, localizar e prender os três homens em menos de 48 horas após o crime.

De acordo com o delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, da Garras (Delegacia de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), um dos responsável pelas investigações, os criminosos não vieram à Capital com objetivo de invadir aquele apartamento. Até sondaram outro condomínio, antes de entrar no prédio onde o ex-governador mora.

A quadrilha também age sempre da mesma maneira, “por tentativa e erro”. “São bandidos de outros estados que vêm tentar a sorte aqui”, explicou.

Mas, após a ação na Capital, o jogo virou. Uma das características destes criminosos com experiência em promover invasões em prédios de alto padrão é passar despercebido. Preferem, portanto, vítimas anônimas.

Por aqui, não foi possível. A publicidade que o caso ganhou, não foi nada interessante para o trio. "Até porque isso expõe eles", comentou Cunha.

Fotografia de Pedro Dom após prisão (Foto: Divulgação)
Fotografia de Pedro Dom após prisão (Foto: Divulgação)

Forma de agir – A busca do bando pelos edifícios alvo começa pela internet, segundo o delegado Roberto Guimarães, que também participou das investigações. Eles procuram em anúncios por apartamentos valiosos. Depois, se aproveitam de alguma falha na segurança para entrar nos condomínios.

“Há uma expertise no intuito de tentar ludibriar, disfarçar, agir sem o menor alarde. Usam roupas de grife, têm boa aparência. É uma quadrilha especializada”, explica Pedro Cunha.

O delegado afirma ainda que os bandidos vão até o último andar do prédio e tentam descobrir qual unidade é habitada, mas está vazia. Uma das maneiras, conforme apurado pela reportagem, é tocar a campainha e disfarçar que errou o andar ou apartamento caso a porta seja atendida.

Depois de escolhido o alvo, o arrombamento é feito com uma chave de fenda, sem barulho. Os bandidos furtam joias, relógios e outros objetos de valor. Tudo é levado numa bolsa pequena, que encontram na residência mesmo para não levantar suspeitas.

“Não foi uma ação direcionada àquele apartamento. Agem assim em qualquer lugar que seja”, também afirmou Cunha durante coletiva de imprensa.

O modus operandi faz lembrar a maneira como atuava Pedro Machado Lomba Neto, o Pedro Dom, que ficou conhecido como "Bandido Gato", justamente por entrar e sair sem levantar suspeita.

Dom, que foi criado com a família de classe média em Copacabana, o bairro das novelas, passou a assaltar apartamentos na Ilha do Governador, Barra da Tijuca, Recreio e Zona Sul do Rio, no início dos anos 2000. Foi morto em 2005, ao trocar tiros com policiais num prédio da Lagoa, Zona Sul do Rio. Ele virou em 2021 protagonista de série da Prime Video.

Por aqui - No caso específico do residencial onde mora Azambuja, a entrada se deu pela portaria e a escadaria para fuga em caso de incêndio foi usada para chegar aos andares mais altos. O prédio tem 20 unidades, uma por andar, e o apartamento do presidente estadual do PSDB fica no 18º. A invasão foi por uma porta de serviço, que precisou ser arrombada à força. Mesmo assim, o estrondo não chamou a atenção.

O furto foi descoberto na tarde de domingo (9). Reinaldo Azambuja passou o fim de semana em Maracaju, participando das comemorações dos 100 anos da cidade localizada a 160 quilômetros de Campo Grande.

O trio se deu por satisfeito com o que encontrou no imóvel. Tanto que foi embora da Capital no mesmo dia e foi preso horas depois, em São Paulo (SP).

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