"Vi ele de costas atirando", diz amiga que testemunhou execução na BR-262
Testemunha relatou batidas, queda da moto e tiro após perseguição na rodovia

"Eu só consegui ver ele de costas. Ele foi rápido, fez o disparo."
RESUMO
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Beatriz Souza de Paula, única sobrevivente da execução de Janaína Sabino de Almeida na BR-262, em Campo Grande, relatou em audiência que viu o atirador apenas de costas. O principal acusado, Guilherme Barrios Pereira Eleutério, deixou o plenário durante o depoimento. O crime teria sido motivado por uma briga em tabacaria. A próxima audiência, com novas testemunhas, está marcada para 11 de maio.
O relato da sobrevivente Beatriz Souza de Paula marcou a primeira audiência de instrução do caso da execução de Janaína Sabino de Almeida, morta na BR-262, em Campo Grande. A testemunha chorou ao relembrar o crime, enquanto o principal acusado, Guilherme Barrios Pereira Eleutério, deixou o plenário durante o depoimento.
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Beatriz estava na garupa da motocicleta e foi a única a presenciar a sequência que terminou na morte da amiga.
"Começou com as batidas. Das batidas, a gente acabou batendo numa placa, a gente caiu. Ela ficou desacordada, eu não. Eu consegui ver muito, mas não muito, vi tudo borrado", disse.
Mesmo ferida, ela contou que ainda percebeu o momento do disparo.

"Nessa que ele fez o disparo, eu ainda estava com a cabeça... ela caiu aqui nas minhas costas. Eu estava olhando para lá. Nessa que eu olhei para ver, ele já estava de costas indo para o carro", relatou.
Apesar da proximidade, Beatriz afirmou que não conseguiu identificar o autor.
"Não vi ninguém porque eu só vi ele de costas", disse.
O crime aconteceu, segundo estimativa dela, entre 20h e 21h.
Guilherme acompanhava a audiência, mas se retirou durante o depoimento da testemunha. Ele é apontado como autor do disparo. A outra ré no processo, Brunielly Acunha Chimenes, responde em liberdade.
Briga antes do crime - Durante o depoimento, Beatriz também detalhou a confusão que antecedeu o assassinato e que é apontada pela investigação como motivação.
Segundo ela, o desentendimento começou em uma tabacaria, após um pedido de licença entre grupos.
"Era uma mesa redonda. Tava o Guilherme, acho que a mulher dele e outra mulher. Elas pediram licença por educação e acho que não gostaram", contou.
A situação evoluiu para provocações.
"O Guilherme começou a provocar, falando que não sabia jogar. A Janaína tomou as dores das amigas e começou a discutir", disse.
Mais tarde, já na rua, houve nova confusão. Alguém teria arremessado uma garrafa contra o carro do acusado.
"Ele desceu já falando que queria matar ela. Nessa, ela apareceu com uma faca e deu as facadas nele", afirmou.
A vítima teria atingido o acusado três vezes antes de deixar o local. Beatriz, porém, disse não saber afirmar se o homem da briga era o mesmo que perseguiu a motocicleta depois.
Próximos passos - A audiência marcou o início da fase de instrução, quando testemunhas são ouvidas antes da decisão sobre levar o caso ao Tribunal do Júri.
Também foi ouvido o policial militar Edson Luiz Félix.
O advogado que acompanhou o réu na audiência, Roberto Medeiros Ferraz, explicou que o processo ainda terá novas etapas.
"Hoje foram ouvidas duas testemunhas de acusação. Na próxima audiência serão ouvidas outra testemunha de acusação e as testemunhas da defesa", disse.
A nova audiência foi marcada para o dia 11 de maio.
"Pode ser que, após essas oitivas, o juiz já possa proferir decisão, mas ainda não sabemos", afirmou.
Segundo ele, o advogado responsável pelo caso é outro profissional que deve assumir a condução nas próximas fases.
A defesa de Brunielly foi procurada, mas não quis comentar.
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