Senador relembra Refis lotado e diz que ousadia ajuda a fechar as contas
Discurso mistura memória da gestão na Capital e análise do cenário econômico atual em Mato Grosso do Sul

Entre números apertados e decisões impopulares, o equilíbrio das contas públicas voltou ao centro do debate político em Mato Grosso do Sul. Em agenda na Governadoria, nesta segunda-feira (30), o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) fez um mergulho na própria trajetória para falar de gestão, incentivos fiscais e os desafios de fechar as contas sem pesar no bolso do contribuinte.
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Ao comentar o cenário econômico, o parlamentar tratou a administração pública como um exercício diário de ajuste fino. Segundo ele, manter receitas e despesas em sintonia exige decisões técnicas constantes — e qualquer alteração, mesmo pequena, pode provocar efeito em cadeia no orçamento. “É um trabalho diário, que exige muito da equipe”, resumiu.
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No mesmo tom, Nelsinho saiu em defesa da política de incentivos fiscais mantida pelo governo de Eduardo Riedel (PSDB). Para ele, a prorrogação dos benefícios a setores produtivos é parte de uma equação delicada: garantir crescimento econômico, sustentar reajustes salariais e ainda manter investimentos públicos em andamento.
Mas foi ao revisitar o período em que comandou a Prefeitura de Campo Grande que o discurso ganhou contornos mais concretos. Nelsinho relembrou medidas adotadas para ampliar a arrecadação sem aumentar impostos — estratégia que, segundo ele, passa por estimular a regularização fiscal e melhorar o relacionamento com o contribuinte.
Entre os exemplos, citou a criação de um programa de refinanciamento de dívidas (Refis), que teria mobilizado a população e reforçado o caixa municipal. “A fila dava volta no estádio”, recordou, ao defender que decisões consideradas arriscadas podem gerar resultados expressivos no médio prazo.
Outro ponto destacado foi a implantação da Central de Atendimento ao Cidadão, pensada para reduzir a burocracia e melhorar o atendimento ao público. Na avaliação do senador, a forma como o contribuinte é recebido também impacta diretamente na disposição de quitar débitos. “Quem vai levar seu dinheiro suado precisa ser bem atendido”, afirmou.
Ao final, o parlamentar deixou um recado que vai além das planilhas. Para ele, gerir não é apenas executar obras ou equilibrar números, mas também manter alinhados os interesses que orbitam o poder público. “A maior dificuldade é garantir harmonia. É isso que permite avançar e entregar resultados”, concluiu.

