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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

27/01/2016 15:43

Comitê de combate à dengue descarta uso imediato do “Aedes do bem”

Flávia Lima
Técnicos ouviram explicações sobre o mosquito transgênico na semana passada. (Foto:Arquivo/Fernando Antunes)Técnicos ouviram explicações sobre o mosquito transgênico na semana passada. (Foto:Arquivo/Fernando Antunes)

Já utilizado em forma de testes em cidades brasileiras para controlar a proliferação do Aedes aegypti selvagem, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, a forma transgênica do mosquito, conhecida como "Aedes do Bem", deve ser descartada, ao menos de imediato, em Mato Grosso do Sul.

De acordo com Mauro Lucio Rosa, coordenador do Controle de Vetores da SES (Secretaria de Estado de Saúde), os técnicos que atuam na Sala de Situação, montada para monitorar o avanço da epidemia de dengue no Estado, consideraram o método um importante aliado no combate a epidemia, porém, como os resultados surtiriam efeito a médio e longo prazos, os técnicos acreditam que não seria prioridade adotar o método neste momento.

O secretário de Saúde do Estado, Nelson Tavares, ressalta que ainda não discutiu o assunto a fundo com a equipe, mas acompanha o pensamento dos profissionais. "Precisamos de medidas urgentes, mas não descarto a utilização do mosquito transgênico no futuro", diz.

Da mesma opinião compartilha Mauro Lucio, que considera fundamental continuar investindo no trabalho dos agentes que, segundo ele, são os responsáveis pela eliminação de mais de 90% dos focos encontrados nas residências.

"O mosquito transgênico seria um processo para ser adotado a longo prazo. Nós precisamos de métodos que ajudem a conter o avanço da epidemia de forma mais rápida", ressalta Mauro.

O "Aedes do Bem" é uma prática que iria surtir efeito apenas a partir do segundo semestre, como o próprio representante da empresa que produz os mosquitos geneticamente modificados afirmou, semana passada, quando esteve em Campo Grande para apresentar o projeto desenvolvido pela empresa Oxitec. 

Na ocasião, os técnicos do comitê ouviram as explicações do biólogo Claudio Fernandes, que também é um dos gerentes da empresa paulista, que vem produzindo o mosquito transgênico no interior de São Paulo e oferecido a técnica, em forma de teste, à cidades do país. Uma das que adotou o método foi Piracicaba.

A técnica envolve o uso de mosquitos machos que tem a genética alterada em laboratório. A partir do momento em que cruzam com a fêmea selvagem, eles geram filhotes que morrem ainda no estágio de larva, ou seja, não chegam a fase adulta, freando a transmissão da dengue, zika e chikungunyua.

Mesmo após as explanações do gerente, os técnicos do governo pediram mais detalhes sobre a utilização dos mosquitos e chegaram, até, a cogitar uma visita à empresa.

No entanto, o gerente ressaltou que a implantação do projeto exige, ao menos, cinco meses, já que é preciso fazer um trabalho de esclarecimento da população do bairro que irá receber os mosquitos. Só depois são decididos os detalhes técnicos quanto ao transporte dos mosquitos, o que deveria incluir a escolha de um local para armazenar as pupas (último estágio do mosquito antes de se transformar em adulto).

Com isso, os efeitos do "Aedes do Bem" seriam sentidos apenas no próximo verão. "Frente a isso consideramos mais importante manter a eliminação dos focos através dos agentes, trabalho que continua intensificado e que não seria suspenso caso adotássemos o mosquito transgênico agora", explica Mauro Lucio.

Ele diz que a forma mais eficiente de combate será sempre a eliminação de criadouros por parte da população e dos agentes de endemias, por isso o governo continuará investindo no projeto-piloto de combate ao mosquito que tem a proposta de enviar, através de tablets, informações em tempo real sobre as residências visitadas.  

Uma outra ferramenta que poderia auxiliar no combate ao mosquito também foi apresentada aos técnicos da Sala de Situação, no início desta semana e consistira na utilização de drones que borrifariam o inseticida nos focos de difícil acesso.

Segundo Mauro Lucio, a empresa que fez a oferta de fornecimento do equipamento é do Estado, mas precisaria fazer alterações nos drones para que eles fossem utilizados com essa finalidade. "Existem alguns parâmetros técnicos que precisamos verificar, mas tudo isso ainda depende de análise", destaca.



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