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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

20/08/2013 09:08

Crianças se preparam "como gente grande" por vaga no Colégio Militar

Elverson Cardozo
Na sala de aula, disciplina, foco e dedicação são essenciais. (Foto: Cleber Gellio)Na sala de aula, disciplina, foco e dedicação são essenciais. (Foto: Cleber Gellio)

Estão abertas as inscrições para o concurso de admissão ao 6º ano do ensino fundamental do CMCG (Colégio Militar de Campo Grande). A escola, que teve uma das melhores notas no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), oferece apenas 15 vagas para a nova turma.

A disputa é acirrada, mas o processo seletivo não é nada fácil, que o diga os estudantes, aqueles que estão se preparando há meses.

De tão procurado, na Capital há escolas que se especializaram em oferecer um cursinho preparatório específico para as provas de admissão do Colégio Militar.

A General Osório, na Vila Rosa, é uma delas. O custo, para 8 meses de aulas, pode chegar a quase R$ 2 mil por aluno. Mas quem pensa que, por estar pagando, terá vantagem, está completamente enganado. A rotina é puxada e exige dedicação.

Embora o concurso do CMCG seja destinado a alunos do 6º ano, o conteúdo cobrado, na prova, é o mesmo aplicado as sétimas, oitavas e nonas séries. “É uma concorrência grande. O numero de candidatos também é grande e a maioria está bem preparada.

Para passar, é preciso ser um aluno de bom a ótimo, para conseguir, pelo menos, 7,5, apesar da média ser 5”, explicou a coordenadora da escola, Leda Ribeiro Capibaribe, 69 anos.

No curso preparatório, os alunos, na faixa dos 9, 10 anos, estudam, no contraturno da escola, português e matemática. À princípio, são cinco tempos de aulas, três vezes por semana. Próximo da prova, a rotina dobra e eles enfrentam, todos os dias, um intensivão.

O conteúdo, para cada uma das matérias, é divido em duas frentes. Em Português uma professora ministra aulas sobre interpretações de textos e gramática, enquanto a outra fica responsável pela redação. Em matemática, eles aprendem aritmética com um profissional e geometria com o outro.

Não há tempo para brincadeiras, mas é preciso, claro, bons professores. Se a cobrança é grande, o corpo docente precisa ser estruturado, bem preparado, à altura para atender a demanda e preparar uma turma inteira para enfrentar o “dragão”.

Rotina é puxada. Alunos se preparam no contraturno escolar. (Foto: Cleber Gellio)Rotina é puxada. Alunos se preparam no contraturno escolar. (Foto: Cleber Gellio)

Professora de português e redação, Angelina Lopes, 30 anos, sabe da responsabilidade que tem e diz que o principal desafio para ela, no ensino da disciplina, é amadurecer o aluno. “Eles estão imaturos, com histórias bobinhas, de final feliz. Eu tenho que educá-los para encarar um concurso”, disse. Eles não podem, acrescentou, agir como menininhos e menininhas de 5ª série, apesar de estarem nesse período, porque o foco é outro.

Responsável pelas aulas de matemática, Marli Fátima Oliveira Lima Costa, 52 anos, também “pesa a mão”, mas afirma que a cobrança é necessária porque o Colégio Militar, no concurso, não cobra, como disse a coordenadora, conteúdo de 6ª série, mas de 7º, 8º ano.

O processo é tão rígido que, mesmo no curso preparatório, o aluno só vai para o concurso do Colégio Militar se passar em duas avaliações feitas pela escola. Se reprovar em uma, já está desclassificado. “Hoje você dá A e cobra –A. Aqui nós damos A e cobramos A ao quadrado”, exemplificou a coordenadora.

Giovana e José Gabriel querem ingressar nas Forças Armadas e, por isso, pelo menos agora, preferem trocar as brincadeiras pelos estudos. (Foto: Cleber Gellio)Giovana e José Gabriel querem ingressar nas Forças Armadas e, por isso, pelo menos agora, preferem trocar as brincadeiras pelos estudos. (Foto: Cleber Gellio)

Quem almeja uma vaga sabe que não é fácil. Giovana Rohwedder Thaler, 10 anos, está no cursinho há 1 ano. A menina, que sonha em ser policial militar, diz que é difícil, que os professores são exigentes e que a rotina, de fato, é corrida, mas não abre mão dos estudos.

“Acho que, se entrar, vou ter mais oportunidades de trabalho e crescimento”, disse ela, com discurso de gente grande.

Mesma postura tem o amigo, José Gabriel, 10 anos, que também está se preparando. Para o estudante, o cursinho “ajuda muito na escola”. Focado, ele diz que, agora, prefere estudar, enquanto os amigos, da mesma idade, só pensam em brincar. Além do concurso, há outro motivo: “Quero ir para a Marinha e dizem que é difícil para entrar”.

Os professores confirmam que a maioria, embora sejam pequenos, pensam assim. São disciplinados, gostam de estudar e tem facilidade de aprender. Há uma justificativa, a mais plausível, eles arriscam: grande parte tem uma família que, desde o início, valorizou e soube priorizar a educação dos filhos.

Desde que haja vagas, o Colégio não seleciona quais estudantes podem ter acesso ao cursinho, mas, geralmente, a classe é formada por alunos que vieram de escolas particulares. As matrículas de alunos que vieram de escolas públicas representam apenas 10% do cadastro de inscritos.

No cursinho para o Colégio Militar, até a postura é cobrada. (Foto: Cleber Gellio) No cursinho para o Colégio Militar, até a postura é cobrada. (Foto: Cleber Gellio)

Processo Seletivo – As inscrições para o concurso de admissão ao 6º ano do ensino fundamental do CMCG (Colégio Militar de Campo Grande) começaram no dia 12 de agosto e terminam no dia 12 se setembro. A taxa é de R$ 80,00.

Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3368-4870 ou pelo site do CMCG, onde está disponível, inclusive, o edital completo.

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sinto falta da época em que fiz o curso, foi um tempo em que eu tinha que estar preparado, foi rígido, sofrido, mas valeu muito à pena. Passei no concurso com excelência, hoje estudo no CMCG, como aluno patenteado. E ao comentário da Adriana Gomes, creio ser um engano, pois no CPREP, eu tinha muitos amigos de escolas publicas e alguns tiveram a honra de entrar no colégio.
 
natanael araujo em 23/08/2013 15:44:04
Muito estranho o comentário sobre alunos de escola publica, meu filho sempre estudou em escola do município e foi muito bem recebido no General Osório, faz cursinho desde o inicio do ano e acompanha os demais alunos de igual.
 
Carla Cardoso em 21/08/2013 17:31:43
Não é verdade que o cursinho é aberto para todos no colégio General Osório, liguei no final de fevereiro/2013 para meu filho fazer o cursinho lá, mas a coordenadora do curso me disse que ele não podia por ser de escola pública, fiquei arrasada e insisti e então me falou que o ensino das escolas públicas era fraco e que assim ficaria muito difícil ele acompanhar.
 
Adriana Gomes em 20/08/2013 14:58:22
Estou orgulhosa de meus filhos passarem no concurso do COLÉGIO MILITAR. Valeu os esforços que juntos passamos. Um abraço a todos os Pais que incentivam seus filhos a estudarem.
 
silvana alves da silva em 20/08/2013 12:34:45
Luciene...é melhor ficar calada, para não falar besteira.
 
Alicio Mendes em 20/08/2013 12:01:26
Luciene Fontes, o filho de militar tem garantia de vaga se o militar estiver na cidade a menos de 2 anos, mas isso não significa que o aluno ficará no colégio se não estiver preparado. A cobrança no desempenho é feita para todos. Muitos filhos de militar são "jubilados". Meu filho foi preparado durante um ano, pelo curso Magister de Brasília, para acompanhar o ensino do Colégio Militar do Rio de Janeiro sem enfrentar problemas. Ao nos mudarmos para o Rio, a vaga estava garantida, mas não a permanência. Meu marido é militar. Hoje, meu filho é médico.
 
nilza caruso em 20/08/2013 11:08:01
Enquanto isso... tem muito filho de militar que não ta nem aí pros estudos, pois tem vaga garantida.
 
Luciene Fontes em 20/08/2013 09:31:51
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