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Empregos

Aos 65, engenheiro aceita até estágio para voltar ao mercado de trabalho

Edgar aceita até estágio e foi ao feirão para pessoas com deficiência em busca de uma oportunidade

Por Viviane Oliveira e Victória Costacurta | 21/09/2026 10:16


Aos 65 anos, com formação em engenharia civil e experiência em diferentes áreas, Edgar da Costa Nunes voltou a procurar emprego. Nesta segunda-feira (21), ele foi ao Feirão da Empregabilidade – Dia D, na Praça Ary Coelho, no Centro de Campo Grande, disposto a conseguir uma vaga na profissão ou até mesmo em outra atividade.

“Na minha idade, o que eu quero atualmente não é mais um sonho. É arranjar emprego para poder ajudar, porque o que eu ganho é muito pouco. A situação financeira ficou muito difícil”, conta.

Engenheiro civil, Edgar já trabalhou em diferentes empresas, inclusive no Rio de Janeiro, e afirma que aceitaria até mesmo um estágio. Ele também está se formando em Letras para atuar como professor, e diz que ensinar é uma das atividades de que mais gosta. “Eu gosto de construir e gosto de ensinar. Acho que gosto ainda mais de ensinar, porque quando estou construindo, também estou ensinando. A pessoa pode me perguntar mil vezes que eu vou responder mil vezes”, disse.

Edgar é PCD (pessoa com deficiência) após sofrer um acidente que rompeu o plexo braquial, conjunto de nervos responsável pelos movimentos e pela sensibilidade do braço. Com a lesão, ele perdeu os movimentos do braço direito e, como era destro, precisou aprender a escrever e realizar outras atividades com a mão esquerda. “Hoje eu escrevo bem. Fui fuzileiro naval e, no meio militar, a gente aprende a usar as duas mãos para conseguir se virar em uma situação adversa. Não perdi essa essência".

Ele também tem CNH categoria D e experiência como motorista e caminhoneiro, mas explica que atualmente só pode conduzir veículos automáticos. “Tenho bastante conhecimento, mas a idade pesa muito. Não é mais uma questão de sonho. Acho que é uma necessidade.”

Edgar não estava sozinho na busca por uma vaga. Pessoas de diferentes idades e trajetórias passaram pelo feirão nesta manhã. Entre elas estava Jovani Barbosa Corrêa, de 42 anos, que chegou de São Paulo há menos de uma semana para recomeçar a vida em Campo Grande e ficar perto das filhas, de 10 e 15 anos.

Aos 65, engenheiro aceita até estágio para voltar ao mercado de trabalho
Jovani, eletricista de formação, busca uma oportunidade de trabalho no feirão (Foto: Victória Costacurta)

Eletricista formado pelo Senai em 2011, Jovani está desempregado há cerca de três meses e procura trabalho na área. Ele tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) e aponta o preconceito como uma das dificuldades para conseguir uma oportunidade. “Meu maior sonho é ficar perto delas. Fiquei dois anos sem ver minhas filhas. Agora retornei para morar aqui de vez e poder acompanhar o crescimento delas”, afirma.

O adolescente Antônio de Andrade, de 14 anos, também tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) e busca a primeira oportunidade formal de trabalho. Ele foi ao feirão em busca de uma vaga de jovem aprendiz, enquanto alimenta o sonho de seguir carreira na música. “Meu sonho é conseguir um emprego bom na área que eu gosto, que é música. Gosto de tocar piano e teclado. Mas agora estou tentando uma vaga de jovem aprendiz que abriu aqui na Funsat”, contou

Antônio já trabalhou informalmente em uma feira, na produção e venda de sucos e no atendimento aos clientes. Agora, vê no programa de aprendizagem uma forma de ganhar experiência. “Hoje as empresas exigem muita experiência. Vou poder ganhar meu dinheiro e adquirir experiência, que é muito importante para entrar no mercado de trabalho.”

Aos 65, engenheiro aceita até estágio para voltar ao mercado de trabalho
Wiclean do Santos Araújo, de 58 anos, trabalhou como motorista de ônibus e agora busca vaga na área administrativa (Foto: Victória Costacurta)

Também em busca de uma vaga estava Wiclean do Santos Araújo, de 58 anos. Ex-motorista de ônibus, ela está há dois anos sem trabalhar e agora procura uma oportunidade na área administrativa. Wiclean conta que já conseguiu encaminhamentos da Funtrab e da Funsat, mas reclama da falta de resposta após enviar currículos. “Eles falam que vão analisar e dar um retorno, mas não respondem. Esse é o maior problema”, reclamou.

Com artrite, artrose e problemas na coluna, ela desistiu de procurar vagas como motorista e, ao renovar a CNH, mudou da categoria D para B. Wiclean também busca a aposentadoria na Justiça, mas diz que precisa trabalhar enquanto espera uma definição. “Enquanto eu não recebo a aposentadoria, tenho que trabalhar, tenho que comer, tenho que me sustentar.”

O Feirão da Empregabilidade segue até as 16h desta segunda-feira. A ação reúne vagas voltadas a pessoas com deficiência e recrutadores de empresas para seleção de candidatos no próprio local. Pela manhã, o movimento era tranquilo, com atendimento distribuído em tendas protegidas do sol e música no espaço.

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Movimento era tranquilo durante o feirão na manhã desta segunda-feira (Foto: Victória Costacurta)


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