Aos 65, engenheiro aceita até estágio para voltar ao mercado de trabalho
Edgar aceita até estágio e foi ao feirão para pessoas com deficiência em busca de uma oportunidade
Aos 65 anos, com formação em engenharia civil e experiência em diferentes áreas, Edgar da Costa Nunes voltou a procurar emprego. Nesta segunda-feira (21), ele foi ao Feirão da Empregabilidade – Dia D, na Praça Ary Coelho, no Centro de Campo Grande, disposto a conseguir uma vaga na profissão ou até mesmo em outra atividade.
“Na minha idade, o que eu quero atualmente não é mais um sonho. É arranjar emprego para poder ajudar, porque o que eu ganho é muito pouco. A situação financeira ficou muito difícil”, conta.
Engenheiro civil, Edgar já trabalhou em diferentes empresas, inclusive no Rio de Janeiro, e afirma que aceitaria até mesmo um estágio. Ele também está se formando em Letras para atuar como professor, e diz que ensinar é uma das atividades de que mais gosta. “Eu gosto de construir e gosto de ensinar. Acho que gosto ainda mais de ensinar, porque quando estou construindo, também estou ensinando. A pessoa pode me perguntar mil vezes que eu vou responder mil vezes”, disse.
Edgar é PCD (pessoa com deficiência) após sofrer um acidente que rompeu o plexo braquial, conjunto de nervos responsável pelos movimentos e pela sensibilidade do braço. Com a lesão, ele perdeu os movimentos do braço direito e, como era destro, precisou aprender a escrever e realizar outras atividades com a mão esquerda. “Hoje eu escrevo bem. Fui fuzileiro naval e, no meio militar, a gente aprende a usar as duas mãos para conseguir se virar em uma situação adversa. Não perdi essa essência".
Ele também tem CNH categoria D e experiência como motorista e caminhoneiro, mas explica que atualmente só pode conduzir veículos automáticos. “Tenho bastante conhecimento, mas a idade pesa muito. Não é mais uma questão de sonho. Acho que é uma necessidade.”
Edgar não estava sozinho na busca por uma vaga. Pessoas de diferentes idades e trajetórias passaram pelo feirão nesta manhã. Entre elas estava Jovani Barbosa Corrêa, de 42 anos, que chegou de São Paulo há menos de uma semana para recomeçar a vida em Campo Grande e ficar perto das filhas, de 10 e 15 anos.

Eletricista formado pelo Senai em 2011, Jovani está desempregado há cerca de três meses e procura trabalho na área. Ele tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) e aponta o preconceito como uma das dificuldades para conseguir uma oportunidade. “Meu maior sonho é ficar perto delas. Fiquei dois anos sem ver minhas filhas. Agora retornei para morar aqui de vez e poder acompanhar o crescimento delas”, afirma.
O adolescente Antônio de Andrade, de 14 anos, também tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) e busca a primeira oportunidade formal de trabalho. Ele foi ao feirão em busca de uma vaga de jovem aprendiz, enquanto alimenta o sonho de seguir carreira na música. “Meu sonho é conseguir um emprego bom na área que eu gosto, que é música. Gosto de tocar piano e teclado. Mas agora estou tentando uma vaga de jovem aprendiz que abriu aqui na Funsat”, contou
Antônio já trabalhou informalmente em uma feira, na produção e venda de sucos e no atendimento aos clientes. Agora, vê no programa de aprendizagem uma forma de ganhar experiência. “Hoje as empresas exigem muita experiência. Vou poder ganhar meu dinheiro e adquirir experiência, que é muito importante para entrar no mercado de trabalho.”

Também em busca de uma vaga estava Wiclean do Santos Araújo, de 58 anos. Ex-motorista de ônibus, ela está há dois anos sem trabalhar e agora procura uma oportunidade na área administrativa. Wiclean conta que já conseguiu encaminhamentos da Funtrab e da Funsat, mas reclama da falta de resposta após enviar currículos. “Eles falam que vão analisar e dar um retorno, mas não respondem. Esse é o maior problema”, reclamou.
Com artrite, artrose e problemas na coluna, ela desistiu de procurar vagas como motorista e, ao renovar a CNH, mudou da categoria D para B. Wiclean também busca a aposentadoria na Justiça, mas diz que precisa trabalhar enquanto espera uma definição. “Enquanto eu não recebo a aposentadoria, tenho que trabalhar, tenho que comer, tenho que me sustentar.”
O Feirão da Empregabilidade segue até as 16h desta segunda-feira. A ação reúne vagas voltadas a pessoas com deficiência e recrutadores de empresas para seleção de candidatos no próprio local. Pela manhã, o movimento era tranquilo, com atendimento distribuído em tendas protegidas do sol e música no espaço.
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