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Campo Grande, Sábado, 19 de Janeiro de 2019

06/11/2018 19:30

Estudante de MS ganha vaga para apresentar projeto em feira internacional

João Víctor agora tenta conseguir as passagens para viajar aos Emirados Árabes Unidos defender o trabalho iniciado em uma escola estadual

Geisy Garnes
Projeto ficou em primeiro lugar na Mostratec 2018 (Foto: Arquivo Pessoal)Projeto ficou em primeiro lugar na Mostratec 2018 (Foto: Arquivo Pessoal)

A ideia surgiu para um projeto científico em uma escola estadual de Mato Grosso do Sul, mas aos poucos foi ganhando espaço, viajando pelas cidades do Brasil. Da profissão do pai, João Víctor de Andrade dos Santos tirou a inspiração, e agora, além de acumular prêmios por conseguir criar um processo de conservação para o caldo de cana, tem a oportunidade de viajar de avião pela primeira vez, rumo aos Emirados Árabes Unidos, para defender o projeto.

A história de João com a ciência começa em 2016. Ele havia acabado de se mudar para Coxim - cidade a 260 quilômetros de Campo Grande - quando recebeu a missão de criar um projeto científico para a Escola Estadual Viriato Bandeira.

Como inspiração usou a profissão do pai, um vendedor de caldo de cana em Nova Alvorada do Sul. “ Ele trabalha com isso a mais ou menos oito anos e a dificuldade dele era conservar o caldo de cana, que por causa da grande quantidade de açúcar e do PH favorável para o crescimento microbiano, fermenta muito rápido”.

A ideia era aplicar o mesmo processo usado com a pasteurização do leite. Foram várias tentativas até que João, com ajuda de uma colega de classe e a supervisão de um dos professores, conseguissem chegar a temperatura perfeita. A descoberta não só prolongou a “vida útil” do caldo de cana, como também eliminou o parasita trypanosoma cruzi, responsável pela doença de Chagas.

Foi aí que o projeto ultrapassou os muros da escola. A necessidade de estudar cada vez mais, levou estudantes e professor a procurarem apoio e no IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul) de Coxim. Na sede do instituto, eles fizeram todas as análises químicas e biológicas do caldo de cana, mas ainda faltava a segunda parte do projeto, o estudo do parasita.

A busca por novos parceiros levou João a Belo Horizonte, lá o projeto foi apresentado a pesquisadores da FIOCRUZ e ganhou a oportunidade de ser desenvolvido nos laboratórios da instituição no Rio de Janeiro. “Eu acompanhei de perto as análise, não tive contato com o parasita, mas acompanhei todas as análises”, contou.

João Víctor com o certificado da feiras em mãos (Foto: Arquivo Pessoal)João Víctor com o certificado da feiras em mãos (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois disso, o projeto viajou por feiras de ciência pelo Brasil, passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e por último, na cidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, onde garantiu o primeiro lugar em biologia celular, molecular e microbiologia da Mostratec 2018 e a vaga para a MILSET Expo-Sciences International 2019.

O evento acontece em setembro do próximo ano em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes. Agora a luta de João é conseguir fazer a viagem para representar não só o Brasil, mas também Mato Grosso do Sul. “Nas feiras que fui consegui apoio de comerciantes aqui de Coxim, mas essa viagem é muito cara”, conta.

Para quem nunca viajou de avião, a oportunidade de apresentar um projeto feito com tanto carinho só torna a experiência ainda mais importante. Por isso, João procura ajuda para conseguir, pelo menos, comprar as passagens. “Pelo que a gente viu fica R$ 18 mil as passagens para mim e pro meu orientador, fora hospedagem e alimentação. Se eu conseguisse a passagem já ia ajudar muito”.

Vendo o projeto chegar tão longe, lembra que jamais imaginou a proporção que um projeto na escola poderia alcançar. “Era algo simples, só para ajudar o pequeno produtor de cana, o comerciante, como meu pai, mas aí foi crescendo, foi ganhando prêmios, toda feira que a gente apresentava ganhava o primeiro lugar e tomou uma proporção que eu não imaginava, era um projeto que eu não sabia que poderia alcançar tantas pessoas”, conta João.

Hoje João estuda tecnologia de alimentos e sonha em continuar desenvolvendo o projeto, torná-lo acessível a todos os pequenos produtores de cana e estudar para um dia ajudar alunos como ele a chegarem em lugares jamais imaginados.

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