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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

03/02/2018 08:47

Evasão ronda e desafia universidades públicas a fidelizar estudantes

Maior oferta de vagas, mobilidade, percalços financeiros e até mesmo saudade da família contribuem para aumentar problema

Aline dos Santos
UFMS voltou ao vestibular tradicional e terá primeira avaliação seriada. (Foto: Marcos Ermínio)UFMS voltou ao vestibular tradicional e terá primeira avaliação seriada. (Foto: Marcos Ermínio)

Vencidas as etapas de prova e seleção para acesso ao ensino superior gratuito, começa um novo desafio: fidelizar o aluno na instituição para que conclua o curso. A maior oferta de vagas, mobilidade entre universidades, percalços financeiros pessoais e até mesmo saudade da família contribuem para aumentar os números da evasão.

Para atrair alunos que queiram ficar, a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) diversificou as modalidades de acesso ao curso superior, adotando, além do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), o vestibular tradicional e um programa de avaliação seriada, com provas ao longo de três anos.

“A gente observou que teve aumento da evasão e uma das causas poderia ser a forma de ingresso. Percebíamos que vários alunos que estavam evadindo eram alunos que não se adaptavam à cidade, não tinham condições de se manter porque estavam longe da família ou não tinham esse apoio familiar para realmente conseguir conduzir bem os seus estudos. E resolvemos diversificar os processos seletivos”, afirma o pró-reitor de graduação da UFMS, Ruy Côrrea Filho.

Ele avalia que o Sisu, que abre as portas da instituição para todos os estudantes do País, é uma politica acertada. Mas nem sempre vem o aluno mais disposto a ficar.

“Trouxe diversidade para a instituição. Alunos de várias partes do País, novos sotaques, novas formas de vestir. Isso foi muito bom. Mas o Sisu, pela sua concepção, permite que muitas vezes venha um aluno que não vem para o curso dos sonhos dele, para a instituição que quer estudar, mas foi naquela que conseguiu passar”, avalia o pró-reitor.

Na UFMS, a taxa de evasão é próxima de 25% do total de vagas ofertadas. “Isso significa que se tenho 5 mil ingressos aproximadamente e vou perdendo 25%, após quatro anos, praticamente, eu perdi um ingresso”, diz Ruy.

Na taxa de evasão, também entra alunos que mudaram de curso, sem deixar de estudar na universidade. O Sisu é um dos motivos para explicar a evasão, mas o pró-reitor lembra que houve uma considerável mudança de cenário no ensino superior.

“A universidade era menor e agora estou ofertando mais vagas. Sair daqui e ir para outra instituição também é mais fácil. E isso ocorreu em todas as instituições do Brasil, não só com a UFMS”, afirma.

No ano passado, a UFMS ofertou 5.265 vagas, sendo 3.674 para o Sisu e 1.591 para o vestibular tradicional, que foi retomado. Em 2020, o cálculo deve ser 50% das vagas para o Sisu, 30% para o vestibular e 20% para o Passe (Programa de Avaliação Seriada). Nesta modalidade, o candidato faz três provas enquanto cursa o ensino médio.

“A ideia é atrair o aluno que queira fazer um curso nosso, que queira estudar na nossa instituição. O aluno que diga: eu quero a UFMS. A probabilidade de evasão desse aluno reduz”, diz o pró-reitor.  universidade tem 113 cursos de graduação presenciais.

O Sisu, pela sua concepção, permite que muitas vezes venha um aluno que não vem para o curso dos sonho, diz Ruy. (Foto: Marcos Ermínio)"O Sisu, pela sua concepção, permite que muitas vezes venha um aluno que não vem para o curso dos sonho", diz Ruy. (Foto: Marcos Ermínio)

Milhões em bolsas - Na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), 80% dos acadêmicos são do próprio Estado e 100% das vagas são ofertadas pelo Sisu.

Em caso de sobra, é aberto um processo de seleção em que os candidatos podem utilizar a nota do Enem do período entre 2011 e 2017. Sem divulgar a taxa, a universidade aponta que a evasão é um tema que preocupa.

“São índices variáveis, dependendo do curso. É algo que nos preocupa, como preocupa as demais. E há estratégias para enfrentar o problema. Estamos com uma agenda de reestruturar as graduações, projetos pedagógicos com propostas mais inovadoras, que possam fazer frente ao problema colocado”, afirma o pró-reitor de ensino da UEMS, João Mianutti.

A universidade tem 2.338 vagas em 57 cursos. Uma das políticas que contribuem para a permanência dos alunos é a oferta de bolsas. “Em 2017, só da fonte 100, recursos próprios, foram investidos R$ 4,5 milhões em bolsas”, diz. As bolsas são de assistência, iniciação científica, iniciação à docência e monitoria.

No ano passado, o investimento total em bolsas foi de R$ 10 milhões, incluindo convênios e parcerias.

Sisu e vestibular - Com sete mil acadêmicos, a UFGD destina metade das vagas para o Sisu e os outros 50% para o vestibular. Conforme a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação, o crescimento da UFGD atraiu candidatos de todas as regiões do Brasil, especialmente nos cursos de maior concorrência como Medicina, Direito e Engenharia Civil.

A universidade informa que não há um sistema que permita compilação de dados para um diagnóstico seguro, que possibilite afirmar se há relação entre a evasão e o sistema de entrada.

“Não é possível apontar se os estudantes que inscreveram no Sisu fazem mais pedidos de trancamento de matrícula do que estudantes que ingressaram por meio do vestibular”.

A instituição aponta que tem projetos para aprimorar seu sistema acadêmico, que proporcione cruzamento de dados. “A UFGD trabalha para minimizar os problemas que possam prejudicar seus alunos e criamos diferentes programas para auxiliar todos os que realmente desejam concluir o Ensino Superior”, diz a pró-reitora de Graduação, Paula Pinheiro Padovese Peixoto, por meio da assessoria de imprensa.

O dado mais recente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) é de 2016 e aponta que Mato Grosso do Sul tem 119.877 alunos matriculados em cursos de graduação à distância e presencial, incluindo instituições públicas e particulares.

Na UEMS, 80% dos acadêmicos são de Mato Grosso do Sul.(Foto: Paulo Francis)Na UEMS, 80% dos acadêmicos são de Mato Grosso do Sul.(Foto: Paulo Francis)


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