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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

16/03/2009 16:03

Família não se conforma com morte por infecção no HU

Redação

Arlam Ortega, de 43 anos, entrou no dia 17 de fevereiro no HU (Hospital Universitário) para fazer uma cirurgia de úlcera, mas nos 24 dias em que ficou internado também teve de lutar contra uma bactéria, que já fez pelo menos 6 vítimas no hospital. Ele morreu ontem no CTI (Centro de Terapia Intensiva), o segundo óbito em uma semana, depois que a infecção foi constatada.

Um senhor de 76 anos foi o primeiro a morrer, no dia 9, mas a direção do hospital afirma que ele foi vítima de complicações de insuficiência renal e não por conta da bactéria acinetobacter.

Sobre Arlan, a irmã conta que "ele entrou lá andando, confiante de que depois da cirurgia tudo ficaria bem, mas não foi assim, ele saiu em um caixão", comenta Lucina Ortega da Silva.

Segundo ela, o irmão recebeu no dia 17 de fevereiro, uma terça-feira, a notícia de que precisaria fazer uma cirurgia de emergência para retirada de uma úlcera no estômago. "Ele veio aqui e brincou com o meu marido dizendo que iria jogar bola com os médicos", relembra.

Na quinta-feira (19/02) a cirurgia foi realizada pelo cirurgião Jaime Oshiro. "Na sexta-feira (20/02) nossa irmã, Maria, foi lá visitou ele, conversou e parecia estar tudo bem", conta. Mas na mesma noite Arlam teve de ser submetido à outra cirurgia. Um dos pontos internos havia se rompido, o que provocou uma forte hemorragia.

Da sala de recuperação Arlam foi transferido para o CTI, local onde, na última quarta-feira a direção admitiu que há uma infecção. De acordo com os médicos, a bactéria acinetobacter não é perigosa, mas pode se tornar quando associada à um quadro clínico de um paciente já debilitado, com é o caso de todos os que estão no CTI do hospital.

A decisão de isolar o Centro foi tomada no último dia 6, mas para Arlam já era tarde de mais, ele já estava no CTI e passaria por mais três intervenções cirúrgicas para tentar conter a hemorragia.

"Na última cirurgia o médico decidiu não fechar a barriga dele", relata Lucila, lembrando que a extensão do corte era de cerca de um palmo. "Seria para facilitar caso fosse necessária outra intervenção, foi o que disse o médico. Desde o dia 20 de fevereiro decidiram mantê-lo em coma".

De acordo com Lucila, os médicos plantonistas do CTI diziam que ele estava com uma infecção e que o estado de Arlam exigia cuidados. "No último sábado fui até o hospital para vê-lo. Quando cheguei lá ele estava fora do coma, mas tive de esperar porque as enfermeiras estavam fazendo uma sucção. Percebi que ele conversava com elas. Depois disso, disseram-me que eu podia entrar, mas que ele já havia voltado ao coma. Daí eu disse que eu não entraria, pois o que era importante para mim era falar com meu irmão", relata Lucila já aos prantos.

Conforme a irmã, durante o tempo em que Arlam ficou no CTI ele teve pneumonia e foi infectado pela acinetobacter.

Reunião - A direção do Hospital Universitário se reúne amanhã para avaliar a situação no CTI e definir se o local continuará isolado.

Em nota enviada à imprensa, o diretor Gualberto Lelis garante que a infecção está controlada e inalterada, sem detalhar o que significa essa condição.

O HU anuncia que novas medidas podem ser adotadas, após avaliação mais detalhada do quadro, junto á Comissão de Controle de Infecção. "Somente a somatória de todas as variáveis é que poderão nos conceder uma decisão final sobre o assunto. Antes disso nenhuma decisão pode ser antecipada", informo Lelis, via assessoria.

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