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Cidades

Fazendeiros podem “burlar” decisão judicial e doar animais para a venda

Por Lidiane Kober | 06/12/2013 14:13
Chico Maia ressalta que mais importante do que o leilão é o ato políticos dos produtores (Foto: Arquivo)
Chico Maia ressalta que mais importante do que o leilão é o ato políticos dos produtores (Foto: Arquivo)

Decididos a arrecadar dinheiro para financiar a luta pelo direito à propriedade, fazendeiros estudam “burlar” decisão judicial, que cancelou o Leilão da Resistência, com a doação dos mais de mil animais arrecadados para o evento à Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul). A medida não confrontaria a determinação e garantiria recursos para sustentar ações no combate a invasões de terras.

“Ninguém pode nos proibir de doar algo a quem quer que seja”, comentou um produtor, que pediu para não ser identificado. “Doamos os bois à associação e a entidade os vende”, completou. Presidente da Acrissul, Chico Maia confirmou a possibilidade. “Tudo pode acontecer e isso realmente foi cogitado e está sendo estudado pelos nossos advogados”, admitiu.

Na estratégia, o que mais agrada a classe é a chance de não confrontar a decisão judicial. “Não trilhamos o caminho da ilegalidade”, frisou Chico Maia. Ele ainda fez questão de ressaltar que o “leilão é apenas uma parte do evento”. “Mais do que o leilão, isso é um ato político para chamar a atenção da sociedade sobre a importância de o governo agir para resolver o conflito por terras”, comentou.

Sob pena de multa de R$ 200 mil, a juíza da 2ª Vara Federal, Janete Lima Miguel, concedeu, na quarta-feira (4), liminar e determinou a suspensão do leilão. Até terça (3), a Acrissul já tinha arrecadado mais de mil animais, de galinhas a bovinos, para vender amanhã (7). A expectativa era arrecadar R$ 1 milhão.

Para o presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), Roberto Botarelli Cesar, a decisão barra a contratação de milícias armadas nas fazendas. “A liminar restabelece a ordem, a paz e a segurança no campo”, frisou o sindicalista.

Chico Maia nega que o leilão tenha o objetivo de contratar milícias. Ele disse que a meta é arrecadar fundos para defender os produtores rurais. Além de seguranças, eles pretendiam reforçar as campanhas e realizar a defesa dos produtores rurais em ações na Justiça.

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