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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

24/07/2013 16:45

Gesseiro vai pedir imagens de câmera para "leitura labial" provar sua versão

Elverson Cardozo

O gesseiro negro Daniel dos Santos Araújo, de 45 anos, que alega ter sido discriminado por um garçom, neste final de semana, em um restaurante de Campo Grande, vai processar o dono do estabelecimento e pretende conseguir, se existir, as imagens do circuito interno de segurança do local para acabar, de uma vez por todas, com as diferentes versões apresentadas até agora. Ele fala, inclusive, em leitura labial, caso a câmera não tenha captado o áudio.

O trabalhador relata que, no sábado (20), foi ao local para tentar comprar água, mas um funcionário, depois de dizer o preço – sem ao menos ser questionado – disse que, no local, não era comercializado esse tipo de produto, e o “orientou” a procurar um posto de combustíveis próximo, onde a mercadoria era “baratinha”.

Ao contrário dele, o dono do Indez, Renato Marcondes, garante que o funcionário dele só tentou ajudar o cliente. Segundo versão apresentada ao Campo Grande News, o gesseiro teria pedido 1,5 litros de água e um refrigerante de 600 ml, produtos que o restaurante não dispunha naquele dia.

“Não confere. Quando eu cheguei ao restaurante tinha duas pessoas sentadas do lado de fora. Eu perguntei a um senhor e uma senhora se ali tinha Coca de 600 ml. O homem respondeu: ‘olha, eu não sei, mas entra lá e pergunta’. Eu entrei. Tinha duas pessoas. O garçom estava conversando com um senhor de cabelos grisalhos, de bigode, que eu imagino ser o dono. O garçom veio até mim e eu perguntei: ‘Você tem água?’. Ele disse: ‘tenho e é R$ 3,50’. Eu Falei: “Então me dá”. Aí ele falou: ‘Mas aqui não vendemos água. O senhor vai aqui pertinho que lá tem é baratinho’”, relembrou, acrescentando que no dia, dentro estabelecimento reparou que, na geladeira, havia várias garrafas do produto.

Ao Campo Grande News, em entrevista concedida via e-mail, Renato Marcondes menciona uma suposta conversa do gesseiro com o garçom: “[Ele] afirmou que estaria trabalhando e que dividiria o conteúdo com alguns colegas. O garçom que realizou o atendimento informou ao Sr. Daniel que estes produtos não eram vendidos no restaurante. Nos disse ainda, que indicou a loja de conveniências de um posto próximo como um local onde ele poderia achar os itens que buscava”.

Para o gesseiro, que também foi ouvido pela reportagem, a informação não procede. “Eu estava sozinho na obra. A única coisa que falei com ele foi que estava trabalhando pertinho e fui lá comprar água”, disse.

Diante da divergência de informações, Daniel disse que pretende conseguir imagens do circuito interno de segurança para tentar, se possível, anexar o diálogo gravado ao processo e, com isso, provar que a conversa foi bem diferente. “Todo lugar tem esse tipo de filmagem. Se não tiver voz, que possa ter uma pessoa que entenda linguagem de face”, comentou, se referindo à leitura labial.

Revolta – Para o gesseiro, ficou clara a discriminação. Ele afirma que pode até ter sofrido preconceito outras vezes, mas nada foi tão explícito como esse caso. “Fiquei indignado pela forma como fui tratado”, comentou. Na cabeça dele, ainda faltam respostas para os questionamentos que fez desde o início da semana:

“Será que ele pensou que eu não tinha dinheiro para pagar? Eu não perguntei o preço. Será que pensou que eu iria assaltar? Não estava nem com a roupa suja, mas, e se estivesse sujo de gesso e fosse lá? Ele me atenderia? Se eu chegasse com uma BMW, baixasse o vidro, desse uma businadinha e pedisse água, será que não iriam me trazer por causa do carrão? Iriam dar água e me devolver o troco dentro do carro”.

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Nunca mais entro nesse lugar.
 
Rodrigo Souza em 24/07/2013 21:30:55
Sr José Batista, gostaria de saber se o senhor frequentou ou frequenta o lugar? É pela forma que fala que as pessoas que são oprimidas por ser de baixa renda(pobre), que ganham o seu salario minimo e vão até uma loja de "etiqueta" no centro comprar uma roupa, é humilhada por dar o ensejo que não tem dinheiro para pagar, sai cabes baixa como se nada tivesse ocorrido, não tendo assim, a coragem de denunciar como eu tive. Notei em vários trechos, o seu descaso por tal situação, portanto, queria saber como reagiria se fosse contigo? Como se sentiria? Estaria pensando, ainda, da forma como citou acima? Pelo o que percebi é mais um dos que pensam que existe somente o direito para o bem comum, e não para o bem individual, assegurado também em nossa Constituição.
 
Daniel dos Santos Araújo em 24/07/2013 19:55:08
Quanto à questão de falar o preço em resposta à busca do produto, qualquer estudante de Letras saberá que, numa análise conversacional, tendo em vista o objetivo pragmático de uma mensagem, responder o preço do produto é afirmar "Sim, temos o produto, e o preço, caso lhe interesse comprar é este" - da mesma forma que se alguém pergunta "Vocês tem água?" num estabelecimento, subentende-se a mensagem "Gostaria de comprar água, caso vocês tenham."
Acho o cúmulo considerar a fala do preço uma ofensa. Se foi dito de maneira hostil é outra história, mas a menção em si é perfeitamente entendível para quem não quer só buscar baderna em oposição aos vários comentários nos outros artigos relativos ao ocorrido, por quem prega (aparentemente com orgulho) o desrespeito à guisa de defender o respeito.
 
Juliano Mendonça em 24/07/2013 18:13:00
Isso já está virando novela mexicana. Ora, se o gesseiro já se manifestou dizendo que não pretende processar o dono do restaurante, então porque esse interesse em pedir imagens de câmera? Até porque, pelo que eu saiba, tal pedido somente com autorização judicial. E leitura labial? Somente com perito nessa área. Assim, a fim de evitar querelas, ambas as partes deveriam prosseguir com suas vidas, rotinas e atividades.
 
João Vitor dos Santos em 24/07/2013 17:39:35
Esta historinha ja esta muito comprida. Não entendo qual o interesse das partes nisto. Não estou defendendo ninguem alias nem conheço nenhum dos envolvidos mas o Brasil vive uma epoca de exageros onde qualquer coisa é motivo pra um processo.
O problema é que os criminosos de verdades estão ai a solta aterrorizando a população. Será que o judiciario ja não tem muito trabalho ? Sou contra qualquer tipo de discriminação mas pra tudo tem limite né ?
 
Jose Batista em 24/07/2013 16:53:44
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