Acumulando denúncias de agressão, servidor aparece em campanha do Dia da Mulher
Ex-companheira relata ameaças, agressões e diz que homem matou animais de estimação
O servidor público municipal Marcelo do Nascimento, que atua na Secretaria de Assistência Social de Nova Alvorada do Sul na área de segurança alimentar, voltou a aparecer em ações institucionais ligadas ao Dia Internacional da Mulher. A presença dele nas campanhas, porém, tem causado revolta em mulheres que afirmam ter sido vítimas de violência durante relacionamentos com o servidor.
RESUMO
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Servidor público de Nova Alvorada do Sul, Marcelo do Nascimento, que participa de campanhas do Dia Internacional da Mulher, acumula denúncias de violência doméstica desde 2008. As acusações incluem agressões físicas, ameaças de morte e violência psicológica contra ex-companheiras. Entre os relatos, duas mulheres afirmam que tiveram seus animais de estimação mortos por ele. Documentos apontam registros policiais, medidas protetivas e investigações envolvendo outras vítimas. A filha do servidor, hoje com 20 anos, relata que precisou mudar de estado com a mãe após ameaças.
Entre os relatos estão agressões físicas, ameaças de morte, violência psicológica e até a morte de animais de estimação. A primeira denúncia aconteceu em 2008. Desde então, as denúncias se acumularam. Uma das denunciantes procurou a polícia em dezembro de 2024 e registrou boletim de ocorrência após uma discussão dentro da casa onde morava com Marcelo, em Nova Alvorada do Sul.
De acordo com o registro policial, durante a briga o homem teria pegado uma faca e avançado contra ela. A mulher conseguiu correr mas, após o episódio, solicitou medidas protetivas de urgência.
Em conversa com a reportagem, a mulher afirmou que o comportamento do companheiro mudou poucos meses depois de começarem a morar juntos. “Eu não queria aceitar que aquele cara gentil, que falava baixo e parecia atencioso, de repente tinha mudado”, relatou.
Segundo ela, as agressões eram acompanhadas de humilhações e ameaças constantes. Entre as mensagens enviadas à reportagem, a vítima relata frases que afirma ter ouvido durante o relacionamento. “A casa é minha. Para você não morar de graça, você é a empregada”, teria dito Marcelo em uma das discussões.
Em outro momento, segundo o relato, ele afirmou: “Se eu acabar com você ninguém vai sentir falta. Um corpo no canavial em decomposição é só um indigente”.
A mulher também afirma que chegou a ser trancada dentro de um quarto enquanto o companheiro saía para trabalhar. Além das agressões e ameaças, a denunciante afirma que Marcelo matou o gato que ela criava. Segundo o relato, o animal foi morto enquanto dormia.
A acusação aparece em documentos anexados ao processo que reúne relatos de outras mulheres.
De acordo com a advogada que acompanha o caso, outra vítima também afirmou que teve o animal de estimação morto pelo servidor. Em um áudio anexado aos autos, a mulher relata que foi agredida e procurou atendimento em um posto de saúde após sofrer ferimentos.
Documentos obtidos pela reportagem apontam ainda um histórico de ocorrências envolvendo Marcelo do Nascimento.
Um boletim de ocorrência registrado em 2008 na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande relata que outra mulher denunciou ameaças feitas por ele. Segundo o registro policial, na época o homem teria dito que mataria a vítima, mas que não faria isso naquele momento para não perder uma bolsa de estudos.
Essa mesma mulher obteve posteriormente uma medida protetiva de urgência contra Marcelo na Justiça de Santa Catarina. Na decisão judicial, ele foi proibido de se aproximar da vítima e da filha do casal, devendo manter distância mínima de 100 metros e sendo impedido de manter qualquer tipo de contato.
Documentos anexados ao processo citam ainda ocorrências envolvendo outras mulheres e mencionam investigações relacionadas a duas crianças, em registros que fazem referência ao crime de estupro de vulnerável. Não há, porém, informação de condenação nesses casos.
A filha de Marcelo, hoje com 20 anos, também falou com a reportagem sob condição de anonimato. Segundo ela, precisou se mudar com a mãe após episódios de ameaça.
De acordo com a jovem, as duas deixaram o estado por medo. “Minha mãe teve que ir embora para proteger a gente. Hoje moramos em outro estado”, contou.
Para as mulheres que denunciaram o servidor, a maior indignação é vê-lo participando de ações institucionais voltadas à valorização das mulheres.
“Eu sei que existe a Lei Maria da Penha. Eu só quero justiça”, afirmou uma das denunciantes.
A reportagem procurou a Prefeitura de Nova Alvorada do Sul para questionar se a administração municipal tem conhecimento das denúncias e qual a situação funcional do servidor. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação de Marcelo do Nascimento.
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Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, denuncie. O 180 atende 24 horas e pode orientar e acolher. Em situações de risco imediato, ligue 190. Seu gesto pode salvar uma vida.




