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Interior

Animais soltos viraram convite para onça rondar a área urbana de Corumbá

Monitoramento indica que retorno é improvável devido à distância e ao padrão de deslocamento da espécie

Por Bruna Marques | 04/05/2026 12:25

A presença de presas domésticas fáceis e desprotegidas foi o que manteve a onça por tanto tempo na área urbana de Corumbá. A explicação foi apresentada durante coletiva de imprensa realizada na sede do Ibama, na manhã desta segunda-feira (4), após a captura e soltura do animal no domingo (3), na Reserva Particular do Patrimônio Natural Acurizal, na Serra do Amolar, a cerca de 200 quilômetros da cidade.

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Uma onça-pintada fêmea de 72 quilos foi capturada e solta na Reserva Acurizal, a 200 km de Corumbá, após frequentar a área urbana atraída por animais domésticos desprotegidos. Segundo pesquisadores, o retorno é improvável devido à distância. O animal recebeu colar de monitoramento e passou por avaliação clínica antes da soltura, realizada com apoio do Exército.

Segundo o pesquisador da Jaguarte, Diego Viana, o fator determinante foi a facilidade de acesso a presas domésticas. Ao contextualizar o monitoramento do animal, iniciado ainda no ano passado, ele afirmou que “alguns fatores podem ter influenciado nessa permanência da onça aqui no perímetro urbano. É muito importante ressaltar que desde o ano passado o grupo monitorou essa onça a partir de armadilhas fotográficas e também dos registros que a população enviava, né, de câmeras de segurança em relação a esse animal”.

De acordo com ele, as medidas adotadas anteriormente chegaram a conter o problema. “Foi observado que depois da implementação de ações de afugentamento, como as rondas realizadas pela Polícia Militar Ambiental e pelo Prevfogo Ibama, além da instalação de repelentes luminosos e um auxílio, né, uma intensificação nas ações de sensibilização ambiental que recomendava que os moradores recolhessem seus animais, protegessem os seus animais no período noturno, esse número de avistamentos diminuiu e os casos de predação foram a zero no ano passado”.

O cenário, porém, mudou com o retorno do animal neste ano. “Porém, esse ano, quando eles voltaram, a gente acabou observando que esse número de animais domésticos soltos na rua, sendo cães e galinhas os principais, aumentou em muito”, explicou.

Na avaliação do pesquisador, a permanência da onça não tem relação com comportamento atípico, mas com oportunidade. “Então, o que atrai, a tendência é de que o que mais manteve essa onça aqui no perímetro urbano foi a oferta, a abundância de animais domésticos não protegidos que ela encontrou aqui”.

Animais soltos viraram convite para onça rondar a área urbana de Corumbá
Onça-pintada capturada em área urbana de Corumbá passa por avaliação clínica antes de ser transferida para a Serra do Amolar (Foto: Divulgação)

Ele também destacou que parte da população conseguiu evitar prejuízos ao adotar medidas simples. “É importante ressaltar que existem vários moradores que começaram a fechar os seus cães durante a noite, que começaram a fechar suas galinhas em galinheiros de estruturas simples e essas pessoas não perderam mais animais”, disse.

Em contrapartida, apontou falha de manejo entre outros moradores. “Mas outras pessoas não utilizaram, não aplicaram essa estratégia básica de recolher e de proteger os seus animais domésticos, que é uma obrigação de todo o tutor ou de toda pessoa que resolve produzir animais domésticos, como galinhas, porcos também”.

Chance de retorno - Durante a coletiva, o pesquisador Diego Viana afirmou que a chance de a onça voltar para cidade é muito baixa. “É difícil disso acontecer, baseado no padrão de monitoramento e de movimentação das onças já avaliadas com rádio colar GPS no Pantanal”, disse.

Ele explicou que estudos mostram limites claros de deslocamento. “Nenhuma onça aqui no bioma andou mais de 220 quilômetros, que é a distância entre Corumbá e a Serra do Amolar. Pelo contrário, elas tendem a ter uma área de vida de cerca de 100 quilômetros quadrados”.

O animal seguirá sendo monitorado após a soltura, feita em área afastada de habitações. “A equipe teve a preocupação de fazer uma soltura bem longe de áreas habitadas”, afirmou.

Segundo ele, com base nesses dados, o retorno é improvável. “É muito difícil que essa onça retorne para Corumbá, devido à distância de mais de 220 quilômetros”.

Animais soltos viraram convite para onça rondar a área urbana de Corumbá
Autoridades ambientais, pesquisadores e representantes de instituições participam de coletiva na sede do Ibama, em Corumbá (Foto: Divulgação)

Operação inédita - A coletiva também apresentou detalhes da operação considerada inédita, conduzida pelo grupo técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, coordenado pelo Ibama e composto por instituições como o CENAP/ICMBio, a PMA (Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul), a Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, a Defesa Civil de Corumbá, o IHP (Instituto Homem Pantaneiro), a Jaguarte e o Exército Brasileiro. Segundo o grupo, a força-tarefa será mantida, já que há possibilidade de novos registros de onças na região.

A onça capturada é uma fêmea jovem, com 72 quilos, monitorada desde o ano passado após uma série de ataques e aparições na área urbana. O plano de retirada começou a ser organizado no dia 24 de abril. Para a captura, a equipe instalou uma gaiola em ponto estratégico e utilizou isca, seguindo protocolos específicos de manejo de fauna silvestre.

Após a captura, o animal foi transportado com apoio do CMO (Comando Militar do Oeste), que disponibilizou um helicóptero. Antes da soltura, passou por avaliação clínica e não apresentou alterações de saúde. Também recebeu um colar de monitoramento, que permitirá o acompanhamento de seus deslocamentos.

Participaram da coletiva Jussara Barbosa da Fonseca Alves, chefe da Unidade Técnica do Ibama em Corumbá, Angelo Rabelo, diretor-presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Rafael Novaes da Conceição, general de brigada e comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, Cristina Fleming, diretora-presidente da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, e o médico-veterinário Luka Moraes, do IHP.

O grupo técnico segue monitorando a região e orienta que, em caso de avistamento, a população acione a Polícia Militar Ambiental pelo telefone (67) 3941-0141.

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