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Influencer presa vende até pomada de cavalo que "só não tira dor de chifre"

Raylane Ferrari usava redes sociais para divulgar "fórmulas" incrementada por produtos veterinários

Por Anahi Zurutuza e Gabi Cenciarelli | 04/05/2026 15:43
Influencer presa vende até pomada de cavalo que "só não tira dor de chifre"
Anúncio de pomada de uso veterinário em plataforma on-line (Foto: Reprodução)

Veterinária e influenciadora digital, Raylane Ferrari, de 31 anos, indicava e vendia produtos para animais como se fossem cosméticos para uso humano não só no pet shop do Bairro Universitário, em Campo Grande, mas para o Brasil todo, por meio das redes sociais e de loja na Shopee, plataforma de comércio eletrônico. A constatação é de força-tarefa conduzida pelo CRMV-MS (Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul) que levou a influencer presa nesta segunda-feira (4).

RESUMO

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Veterinária e influenciadora digital Raylane Ferrari, de 31 anos, foi presa em flagrante em Campo Grande (MS) por adulterar produtos veterinários para venda como cosméticos humanos. Ela misturava vitaminas e suplementos em shampoos equinos e vendia o "tônico capilar" a R$ 35 pela internet. Mais de 60 frascos foram apreendidos. O caso é investigado pelo CRMV-MS e pela Delegacia de Crimes Contra as Relações de Consumo.

A investigação teve início a partir de denúncia feita ao CRMV-MS. De acordo com nota divulgada no início desta tarde pelo conselho, Raylane comercializava fórmulas baseadas na adulteração de produtos veterinários como se fossem mais eficientes para humanos.

No local, os fiscais constataram que a profissional misturava vitaminas e suplementos veterinários em shampoos equinos da marca “Good Horse”, alterando a composição original dos produtos e anunciando benefícios estéticos, como crescimento capilar.

Durante a operação, foram apreendidos mais de 60 frascos prontos para venda. Na internet, a receita “milagrosa” era vendida a R$ 35.

Além do “tônico capilar”, a veterinária também fazia propaganda, por exemplo, de pomadas para animais como potentes analgésicos para humanos, que "só não tiram dor de chifre".

Influencer presa vende até pomada de cavalo que "só não tira dor de chifre"
Vídeo onde a ifluencer indica produto veterinário para uso humano (Foto: Instagram/Reprodução)

Segundo o presidente do CRMV-MS, Thiago Leite Fraga, a conduta representa violação grave das normas que regulamentam a atividade. “Quando produtos veterinários são adulterados para uso humano, há o desvio da finalidade e rompe-se todo o protocolo de segurança e registro técnico exigido por lei”, afirmou na nota.

As provas reunidas incluem vídeos publicados pela própria influenciadora em redes sociais como Instagram e TikTok, onde ela demonstrava a manipulação dos produtos e incentivava o uso por seguidoras. Todo o material também foi entregue à Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) da Capital para compor o inquérito policial.

O Ministério da Agricultura informou que o shampoo utilizado possui registro regular para uso veterinário, mas que a adulteração da fórmula caracteriza infração. “A pessoa adquiriu o produto regular e adicionou outra substância, alterando a composição original”, explicou um representante do órgão. Ainda segundo o Ministério da Agricultura, houve desvio de finalidade, já que o produto passou a ser vendido para humanos sem qualquer registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A legislação brasileira considera adulterado qualquer produto que tenha sua composição modificada em relação ao registro original, seja por adição, retirada ou substituição de substâncias. O enquadramento inclui ainda casos em que há alteração na dosagem ou uso de elementos de qualidade inferior.

Influencer presa vende até pomada de cavalo que "só não tira dor de chifre"
"Tônico capilar" era fabricado em pet shop (Foto: Divulgação)

Febre – O uso de shampoo para cavalos por homens e mulheres é “febre” de tempos em tempos, mas os especialistas alertam que substâncias como a vitamina A, quando utilizadas sem controle, podem causar efeitos adversos, incluindo intoxicação, alterações hepáticas e outros danos à saúde.

Não pode! O Monovin A é aprovado para uso exclusivamente veterinário, e assim mesmo para animais de médio e grande porte. Não há trabalhos sobre o uso dessa substância em humanos, portanto, não há segurança. Pode haver intoxicação por vitamina A. Nessa hipervitaminose, podemos ter teratogeniciade, que é a má-formação fetal, queda de cabelos, ressecamento de pele, fissuras labiais, dores ósseas e articulares, toxicidade hepática e parada do crescimento em crianças e adolescentes”, alertou a dermatologista Heloisa Hofmeister em entrevista ao jornal O Globo publicada em 2014.

Nas redes sociais, onde acumula milhares de seguidores, a influenciadora divulgava os produtos e afirmava obter resultados próprios com o uso das fórmulas. As publicações registravam alto engajamento e incluíam instruções diretas para compra.

Como medida inicial, foi determinada a retirada imediata das propagandas nas redes sociais e dos anúncios nas plataformas de comércio digital. Além das possíveis implicações criminais, o caso também pode gerar sanções administrativas. Entre as penalidades previstas estão multa, suspensão das atividades e até a perda do registro do estabelecimento e do profissional, após a conclusão das investigações e dos processos.

Até o momento, não foram detalhadas todas as medidas que serão adotadas no âmbito criminal, mas Raylane teve a prisão em flagrante decretada na Decon.

Durante a fiscalização, foi constatado ainda que os produtos eram manipulados no próprio estabelecimento, sem autorização sanitária ou controle técnico adequado. Os materiais apreendidos passarão por perícia, que deve confirmar a composição e as condições de preparo.

Outro lado - O advogado Ângelo Bezerra, que representa a veterinária, afirmou que a linha de defesa deve se concentrar na ausência de intenção e no papel desempenhado pela influenciadora.

Segundo ele, a cliente atuava apenas na divulgação e revenda do produto. “A defesa sustenta que ela não tem esse nível de influência. Ela divulgava um produto e mostrava a fabricação, mas a produção não era dela. Ela não possui conhecimento técnico sobre manipulação de químicos ou agentes biológicos, nem sobre eventuais riscos do produto aos consumidores. Além disso, não houve intenção de prejudicar ninguém”, declarou.

Questionado sobre o fato de a própria investigada aparecer manipulando os itens, o advogado afirmou que a prática deve ser analisada no contexto da atuação como influenciadora digital. “Assim como outros influenciadores, o objetivo é expor um produto para revenda. Muitas vezes, a forma como ele é fabricado ou manipulado foge ao conhecimento desses influenciadores”.

Sobre a possibilidade de a veterinária ter ciência de que o produto não poderia ser utilizado por humanos, ele afirmou que a questão ainda será apurada. “Existe essa questão técnica que será analisada. Se ela tinha ou não essa informação, isso será investigado pela polícia e avaliado pelo Judiciário no momento oportuno, para verificar se há ou não ilegalidade”, pontuou.

A versão apresentada pela defesa é de que a investigada apenas promovia uma “mistura” já conhecida e comercializada em outros locais. “Ela atua como influenciadora, apenas expondo um produto que já é conhecido nacionalmente e vendido em outros locais”.