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Meio Ambiente

“A bela de Corumbá”: onça-pintada capturada em área urbana ganha nome

Felina de 72 quilos foi levada para a Serra do Amolar onde seguirá sendo monitorada por pesquisadores

Por Jhefferson Gamarra | 04/05/2026 16:25

A onça-pintada fêmea capturada no final de semana, em área urbana de Corumbá, recebeu o nome de Corumbella, que significa “A Bela de Corumbá”. Após ser retirada da região onde vinha sendo associada a ataques a animais domésticos, ela foi levada para um corredor de biodiversidade formado pela Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar, onde seguirá sendo monitorada por pesquisadores.

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Onça-pintada capturada em área urbana de Corumbá recebeu o nome de Corumbella e foi translocada para a Serra do Amolar, a 200 km da cidade, em operação inédita no Pantanal. O animal de 72 kg e quatro anos será monitorado por colar GPS/VHF de R$ 70 mil por pelo menos um ano. A ação envolveu dez instituições e apoio do Exército Brasileiro.

O nome escolhido faz referência à espécie fóssil Corumbella werneri, um cnidário Ediacarano com cerca de 553 milhões de anos, considerado um dos primeiros animais pluricelulares da Terra. O fóssil foi descoberto na região de Corumbá e é apontado como um dos mais importantes do Brasil desse período.

A translocação da onça é considerada uma ação inédita no Pantanal e faz parte de um trabalho coordenado pelo grupo técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, que acompanha o caso desde o ano passado. A proposta agora é utilizar a experiência para ampliar pesquisas científicas sobre o comportamento da espécie e a relação entre grandes felinos e áreas urbanas.

O monitoramento da Corumbella será realizado por meio de um colar GPS/VHF, que permitirá o acompanhamento pós-soltura, além do uso de armadilhas fotográficas instaladas na região da Serra do Amolar. O equipamento possibilita identificar deslocamentos, áreas de uso, rotas de movimentação e padrões de comportamento ao longo do tempo.

Segundo as equipes envolvidas, o tempo de permanência do colar no animal varia de acordo com o objetivo do estudo e pode ficar entre seis meses e dois anos, conforme a configuração do equipamento. A expectativa é que a onça seja monitorada por pelo menos um ano.

O colar tecnológico utilizado na operação tem custo aproximado de R$ 70 mil, sem incluir os custos com o servidor da empresa responsável pelo fornecimento do equipamento.

O monitoramento contínuo será desenvolvido por pesquisadores do IHP (Instituto Homem Pantaneiro), que integra o Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário. Os detalhes da captura, translocação e do acompanhamento pós-soltura foram apresentados durante coletiva de imprensa realizada na sede do Ibama, em Corumbá.

Participaram da coletiva o diretor-presidente do IHP, Ângelo Rabelo; Jussara Barbosa da Fonseca Alves, chefe da Unidade Técnica do Ibama em Corumbá; Rafael Novaes da Conceição, general de brigada e comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal; Cristina Fleming, diretora-presidente da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal; e Diego Viana, pesquisador da Jaguarte.

“Essa foi uma operação que destaca a importância de trabalho conjunto e coordenado para favorecer a conservação do Pantanal. Agora, com o uso de colar GPS/VHF será possível acompanhar os deslocamentos do animal, identificando áreas de uso, rotas de movimentação e padrões de comportamento ao longo do tempo. Esses dados ajudam a entender melhor como a espécie utiliza o ambiente, quais são seus territórios e como responde a pressões como presença humana ou mudanças no habitat. Além disso, o monitoramento contínuo permite avaliar a saúde e a adaptação do indivíduo após a captura”, detalhou Ângelo Rabelo.

Planejamento -  A captura da onça foi resultado de um planejamento iniciado cerca de quatro meses antes da operação, com os ajustes finais realizados aproximadamente 15 dias antes da ação. A força-tarefa envolveu pelo menos dez instituições diretamente, com participação de médicos-veterinários, biólogos, técnicos e agentes públicos.

A operação de translocação contou com apoio do Exército Brasileiro, por meio do Comando Militar do Oeste, que disponibilizou um helicóptero para o transporte da onça até a Reserva Particular do Patrimônio Natural Acurizal, localizada na Serra do Amolar, a cerca de 200 quilômetros de Corumbá.

Para a captura, foram utilizadas duas armadilhas: uma destinada à contenção do animal e outra para o transporte. Ambas foram cedidas pelo Instituto Reprocon, por meio da Polícia Militar Ambiental de Corumbá.

Quando foi capturada, Corumbella pesava 72 quilos e teve idade estimada em quatro anos. Antes da soltura, ela passou por avaliação clínica e não apresentou alterações de saúde.

A permanência da onça na área urbana vinha sendo monitorada desde o ano passado. Segundo os pesquisadores, a principal causa da permanência prolongada foi a oferta abundante de presas domésticas fáceis e desprotegidas, como cães e galinhas soltos durante a noite.

Após a captura e a transferência para uma área afastada de habitações, a expectativa das equipes é de que a chance de retorno à cidade seja muito baixa, devido à distância superior a 220 quilômetros e ao comportamento territorial típico da espécie.

Mesmo após a soltura de Corumbella, o grupo técnico seguirá monitorando a região, já que há possibilidade de novos registros de onças na área urbana de Corumbá.