Antes de falar de terra, Lula cita terremoto e feminicídio em discurso
Presidente abre discurso no Assentamento Itamarati com solidariedade à Venezuela e cobrança contra feminicídio

Antes de entrar no tema da reforma agrária e da entrega de títulos de domínio no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu o discurso desta quinta-feira (25) com o que chamou de “duas notícias tristes”. A primeira foi o terremoto que atingiu a Venezuela durante a madrugada. A segunda, o assassinato de uma escrivã em Cascavel (PR), usado por ele para cobrar reação de homens e autoridades contra a violência doméstica.
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Sobre a Venezuela, Lula afirmou que as primeiras informações recebidas pelo governo brasileiro apontavam cerca de 150 mortos, além da possibilidade de vítimas ainda sob os escombros.
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O país foi atingido por fortes tremores, com relatos de destruição, feridos e operações de resgate em andamento. Levantamentos internacionais publicados nesta quinta-feira indicavam balanços ainda instáveis, com números diferentes conforme a fonte e risco de aumento no total de vítimas.
“Tenho duas notícias tristes. A primeira é que, de madrugada, teve um terremoto na Venezuela e as primeiras informações que nós temos é que tem por volta de 150 mortos, fora os escombros, que não sabemos se tem mais gente embaixo”, disse Lula.
O presidente afirmou que se reuniu com ministros e conversou com a presidente venezuelana para saber que tipo de ajuda o país vizinho precisa neste momento. “Fizemos uma reunião com vários ministros, falei com a presidente para saber o que ela precisava. Falei com os ministros para mandar tudo o que eles precisarem que seja mandado: água, bombeiros, Defesa Civil, comida, remédio. Nessas horas, a gente precisa colocar de pé o povo da Venezuela. Todos nós temos que fazer todo o esforço possível para ajudar o povo da Venezuela a sair dessa situação”, afirmou.
Feminicídios - Na sequência, Lula passou a falar sobre o feminicídio em Cascavel e relacionou o caso ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa lançada pelo Governo Federal para articular ações de prevenção, proteção às mulheres e responsabilização de agressores.
“O que leva um homem a matar sua mulher? Não há nenhuma razão para que um homem seja violento com sua mulher, para ele espancar. Que mundo estamos criando?”, questionou o presidente.
O presidente disse que a violência contra as mulheres está “insuportável” no país e criticou crimes cometidos dentro de casa, muitas vezes por companheiros ou ex-companheiros. Em tom de cobrança, afirmou que os homens precisam assumir a responsabilidade no enfrentamento desse tipo de violência. “Não é possível que a gente fique quieto diante disso”, afirmou.
Lula também citou situações cotidianas para criticar a naturalização da agressão contra mulheres. “Não tem filme de mulher batendo no marido, novela de mulher batendo no marido. Só mulher que apanha? É como se a mulher fosse saco de pancada. O time perde, ele chega bravo em casa. Bebe e bate”, declarou.
Ao fim desse trecho, o presidente convocou prefeitos, deputados, juízes e homens em geral a aderirem ao pacto contra a violência às mulheres. “Por isso, convoco os prefeitos, os deputados, os juízes e os homens a fazerem esse pacto contra a violência às mulheres. Somos nós, homens, que temos que fazer”, disse.
Só depois das duas manifestações, Lula passou ao tema central da agenda em Ponta Porã: a entrega de 1.390 títulos de domínio a famílias assentadas em Mato Grosso do Sul.
O ato ocorre no Assentamento Itamarati, uma das maiores experiências de reforma agrária do país. Além da entrega dos documentos, o Governo Federal também prevê investimento de R$ 20 milhões para a recuperação da infraestrutura produtiva da área, em parceria entre o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
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