Após crise sanitária, Dourados terá 10 licitações para abastecimento de água
Processos devem ser lançados nos próximos 30 dias e preveem superpoços, reservatórios e rede de distribuição
Ainda sob impacto da epidemia de chikungunya que atingiu as aldeias da Grande Dourados neste ano, a Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) prepara uma série de licitações para tentar resolver um dos principais problemas expostos durante a crise sanitária: a falta de abastecimento regular de água nas comunidades indígenas.
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A Sanesul planeja lançar dez licitações para construir novos sistemas de abastecimento de água nas aldeias indígenas da Grande Dourados. As três primeiras devem ser publicadas em 30 dias, priorizando superpoços para as aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, e estruturas em Itaporã. A iniciativa surge após a epidemia de chikungunya expor a falta de água nas comunidades, com cerca de 25 mil habitantes atendidos.
Após evento realizado nesta sexta-feira (15), o diretor-presidente da empresa, Renato Marcílio, afirmou ao Campo Grande News que a companhia pretende iniciar ainda neste ano as obras de um novo sistema de abastecimento para as aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, além de estruturas voltadas para aldeias da região de Itaporã.
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Segundo ele, o projeto foi dimensionado praticamente como um sistema urbano de médio porte, devido ao tamanho da população atendida. “Cada aldeia vai ter um superpoço. Nós estamos falando lá entre as duas aldeias de 25 mil habitantes. Seria o 14º ou 15º município do Estado. Então nós vamos fazer dois sistemas independentes, cada um com um superpoço de vazão grande, rede de distribuição para todas as unidades de moradia e um sistema pesado de reservação grande".
Renato continua dizendo que "vamos ter muita reservação porque o poço não trabalha o dia inteiro. Ele trabalha durante um tempo, essa reserva fica armazenada e depois a gente distribui”, explicou.
Os poços previstos para Dourados terão porte superior aos sistemas convencionais normalmente utilizados pela companhia. Segundo ele, a principal diferença está na profundidade e na capacidade de vazão. “São poços mais profundos, com vazão maior. Tudo é calculado em função da demanda que vai existir lá. É praticamente como se a gente pegasse um município que não tivesse nada de água e providenciasse toda a estrutura do zero”, afirmou.
A estratégia da Sanesul será dividir as contratações em etapas para acelerar o cronograma. Conforme Renato, as três primeiras licitações devem ser lançadas nos próximos 30 dias. Duas delas, consideradas as maiores, serão voltadas aos superpoços das aldeias de Dourados e ficarão sob responsabilidade do Governo do Estado. A terceira será destinada ao sistema de aldeias da região de Itaporã, com recursos da Itaipu Binacional.
“Os poços exigem empresas mais especializadas, então a gente separou justamente para conseguir andar mais rápido. A ideia é soltar primeiro a água e depois o restante. Em seguida vêm as licitações da rede e da reservação de cada aldeia”, disse.
Segundo Renato, após essa etapa inicial serão abertas outras sete licitações, todas vinculadas à Itaipu Binacional, para implantação das redes de distribuição e reservatórios nas comunidades atendidas.
Ao todo, a previsão é abrir dez licitações relacionadas aos sistemas indígenas. Renato afirma que os processos devem avançar em sequência ao longo dos próximos meses e que a expectativa é iniciar todas as obras até o fim deste ano.
“Em cerca de 40 dias consegue concluir essa licitação inicial. Depois vamos soltando as outras na sequência, duas ou três por mês. Até o final do ano começamos todas as obras, com certeza”, declarou.
A ampliação dos sistemas indígenas ocorre justamente em meio à pressão causada pela epidemia de chikungunya registrada nas aldeias da Grande Dourados, onde moradores e lideranças indígenas relataram falta frequente de água e necessidade de armazenamento improvisado em recipientes e caixas d’água, cenário que acabou favorecendo a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Mais cedo, durante evento de lançamento de R$ 176 milhões em investimentos da Sanesul para sistemas de abastecimento em Mato Grosso do Sul, Renato Marcílio afirmou que o Estado vive um novo ciclo de crescimento econômico e que a infraestrutura hídrica precisa acompanhar a expansão populacional e industrial para evitar colapso futuro dos sistemas.
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