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Interior

Choro na escola revelou oito meses de estupro em fazenda

A vítima de 11 anos já havia contado para mãe, mas foi ignorada. Por isso a mulher também responde pelo crime

Por Geisy Garnes | 03/08/2021 09:30
Caso está na justiça de Mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo)
Caso está na justiça de Mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo)

O choro, aparentemente, sem motivo foi o pedido silencioso de socorro da aluna de apenas 11 anos em uma escola de Sonora - a 316 quilômetros de Campo Grande. Em 2019, as lágrimas motivaram a conversa que relevou pelo menos oito meses de estupros cometidos pelo padrasto, peão de fazenda de 28 anos. O caso ainda é julgado, mas o autor está preso preventivamente pelo crime.

O estupro só foi descoberto após a diretora da escola perceber a vítima chorando, enquanto cantava o hino nacional. Preocupada, a educadora foi conversar com ela. A aluna, então, relatou meses de abuso dentro da própria casa.

Ela contou que era estuprada pelo padrasto sempre que a mãe saia para trabalhar, o que acontecia três vezes por semana. Nessas ocasiões, o peão mandava os outros filhos brincarem no quintal e se trancava no quarto com a enteada. Para continuar com os abusos, ameaçava matar ela e toda a família caso fosse denunciado.

Por oito meses a menina sofreu com as ameaças e os estupros frequentes. Ela então decidiu contar para a mãe, mas a mulher não tomou qualquer atitude para ajudar a filha.

Quando o estupro veio à tona, a diretora chamou a mãe da aluna na escola e mais uma vez, contou sobre o crime. Ela ignorou os avisos e continuou convivendo com o autor, sem fazer nada para impedir o marido. A polícia então foi alertada e iniciou as investigações.

A adolescente passou por exame de corpo de delito apenas três dias depois do último abuso. Os laudos constataram meses de violência e detectaram doenças ginecológicas causadas pelo crime.

Em outubro do mesmo ano, os investigadores foram a fazenda em que o autor morava e apreenderam no local várias armas sem registro: quatro espingardas, três frascos de pólvoras, três frascos com espoletas, diversas munições e cartuchos de vários calibres e marcas.

No flagrante, ele ainda mentiu o próprio nome para despistar os policiais. Negou entregar os documentos e se apresentou com "Ismael". Não adiantou e ele foi levado para a delegacia. Desde então, o peão está preso em Sonora. A mãe da vítima também foi indiciada no estupro, mas continua com a guarda da filha.

As duas se mudaram para o nordeste após as investigações do caso. Nos próximos meses, serão ouvidas pela justiça. Assim como o réu.


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