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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

21/06/2016 16:01

Contra vontade de índios, Polícia Militar vai continuar em área de conflito

Reunião hoje de manhã com participação da Força Nacional definiu estratégia de policiamento para evitar novos conflitos

Helio de Freitas, de Dourados
Índios conversam com policiais militares em área de conflito, na semana passada (Foto: Helio de Freitas)Índios conversam com policiais militares em área de conflito, na semana passada (Foto: Helio de Freitas)

A Polícia Militar vai continuar atuando na reserva Tey Kuê e na fazenda onde ocorreu, há uma semana, o ataque de fazendeiros a índios guarani-kaiowá, no município de Caarapó, a 283 km de Campo Grande. A presença da PM na área de conflito desagrada aos índios, que apontam uma suposta interferência da força estadual de segurança em favor dos fazendeiros.

Na terça-feira passada, logo após o confronto que terminou com seis índios feridos e com a morte do agente de saúde indígena Clodiodi de Souza, 26, um grupo de índios atacou três policiais militares do batalhão de Caarapó. Os três foram espancados e perderam as armas. Duas foram recuperadas no dia seguinte. A viatura também foi queimada.

Várias lideranças da reserva e caciques que participaram da ocupação da fazenda Yvu, onde ocorreu o confronto, e de outras dez propriedades invadidas nos dias seguintes, afirmaram ao Campo Grande News na semana passada que a Polícia Militar deveria ficar longe da aldeia e deixar o policiamento a cargo da Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Federal.

“A Força Nacional e os policiais federais nos respeitam, eles sabem falar com a comunidade”, afirmou um dos líderes dos guarani-kaiowá, que se identificou apenas como Agripino.

Hoje (21), policiais militares e homens da Força Nacional que estão na região de conflito desde quinta-feira se reuniram com um representante do Sindicato Rural de Caarapó para traçar estratégias “e atender melhor todos os envolvidos no conflito”, como informou à reportagem um oficial presente ao encontro.

“Definimos inclusive como deverá ser operacionalizado o policiamento no local e estabelecemos a importância de se evitar novos conflitos e também novas invasões”, afirmou o policial.



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