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Campo Grande, Sábado, 24 de Agosto de 2019

15/07/2019 21:02

CRM vai investigar denúncia contra médico que cobrou por cirurgia do SUS

Ricardo da Fonseca Chauvet também foi investigado por violência sexual mediante fraude, contra outra paciente em 2016.

Adriano Fernandes e Geisy Garnes
Fachada da Santa Casa de Corumbá, onde médico atua. (Foto: Ana Marchi/Correio do Amanhã) Fachada da Santa Casa de Corumbá, onde médico atua. (Foto: Ana Marchi/Correio do Amanhã)

O CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) deve abrir uma sindicância para apurar a denúncia contra o médico Ricardo da Fonseca Chauvet, de 57 anos, suspeito de ter cobrado R$ 1 mil para retirar um pólipo do útero de uma paciente internada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) na maternidade da Santa Casa de Corumbá, cidade a 419 quilômetros de Campo Grande.

O pedido foi gravado em aúdio pela mulher, a estudante de direito Kerolaine Campelo dos Santos, de 25 anos. Em nota o Conselho informou que vai averiguar a denúncia e que irá encaminhar o caso “para apuração e consequente abertura de sindicância”.

“Se constatada infração após a conclusão do processo, o profissional receberá as punições cabíveis de acordo com o código de ética médico”, completa o CRM. Mesmo após a denúncia Chauvet continua atendendo na unidade hospitalar.

Abuso - Em 2016 o médico foi investigado pela DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Corumbá, pelo crime de violência sexual mediante fraude contra uma paciente. Na ocasião, conforme a delegada Tatiana Zyngier a paciente procurou a delegacia após se sentir assediada pelo médico, durante uma consulta. Mais detalhes sobre o caso, no entanto, não foram divulgados. 

Ao Campo Grande News Kerolaine também relatou que durante um exame de toque, Ricardo teria feito insinuações sexuais para ela.

 

Além de atuar na Santa Casa de Corumbá o médico é perito legista da Policia Civil de Corumbá, mas, segundo a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) o órgão nunca recebeu “nenhuma denuncia relacionada ao trabalho que ele exercia na Polícia Civil”.

À reportagem a estudante relatou que na noite em que procurou a polícia, em 23 de abril, um investigador se negou a registrar o boletim de ocorrência ao saber quem era o médico. Na delegacia, uma policial, inclusive, teria lhe dito que o motivo do caso não ter sido registrado imediatamente era justamente por ele ser perito na cidade. 

A ocorrência só foi registrada no último dia 9 de julho, quando Kerolaine pode procurar novamente a Delegacia de Atendimento à Mulher, e registrar o caso como crime de corrupção passiva.

O caso - Kerolaine foi internada pelo SUS na unidade na manhã do dia 22 de abril após sentir fortes dores e sangramentos no útero. Por prescrição do médico, ela ficou internada na unidade até o dia seguinte para a realização de exames, mas só depois de um desmaio voltou a ser atendida pelo médico.

Segundo a estudante, Ricardo chegou a dizer que ela estava de "frescura" e, por achar muito pouco o valor que receberia do Estado pela cirurgia lhe cobrou mil reais pelo procedimento. "Eu não vou botar a mão no útero de mulher desse tamanho por R$ 24,00", diz médico ao se negar fazer operação pelo SUS.

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