Sem ranking, campo-grandense surpreende ao vencer torneio de tênis nos EUA
Na campanha, Joaquim Almeida somou 5 vitórias contra adversários americanos e ficou com o título
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O tenista sul-mato-grossense Joaquim Almeida, de 24 anos, conquistou seu primeiro título profissional de simples ao vencer o ITF M15 de Vero Beach, na Flórida. Mesmo sem ranking na ATP e trabalhando em período integral, o brasileiro saiu do qualificatório para derrotar o favorito Alex Rybakov na final. Com a vitória, Almeida deve retornar ao grupo dos mil melhores do mundo. O atleta busca agora apoio financeiro para se dedicar exclusivamente ao esporte e evoluir na carreira profissional.
O campo-grandense Joaquim Almeida, de 24 anos, protagonizou uma das maiores surpresas recentes do tênis brasileiro ao conquistar, no último domingo (10), o título do ITF M15 de Vero Beach, disputado em quadras de saibro na Flórida, nos Estados Unidos.
- Leia Também
- Fernando Rufino conquista ouro na Copa do Mundo de paracanoagem
- Pantanal encara time do Amazonas nas oitavas de final do Brasileirão Feminino A3
Fora do ranking da ATP (Associação de Tenistas Profissionais), Joaquim entrou no torneio vindo do qualificatório após conseguir uma vaga de última hora como 28º alternate da lista de espera. Mesmo assim, o sul-mato-grossense embalou uma campanha histórica e derrotou na final o americano Alex Rybakov, ex-top 40 do mundo e atual número 341 do ranking, por 6/2, 1/6 e 6/3.
Ao longo da competição, Almeida conquistou 5 vitórias contra adversários americanos e eliminou 3 cabeças de chave apontadas como favoritas ao título.
A conquista representa o primeiro troféu profissional de simples da carreira do brasileiro. Nas duplas, ele já havia vencido dois torneios ITF em 2024: o M15 de Santiago e o M25 de Trelew, na Argentina.
Com o resultado, Joaquim deve voltar a aparecer entre os mil colocados do ranking mundial da ATP.
O próprio tenista, ao Campo Grande News, admitiu que chegou ao torneio sem grandes expectativas devido à rotina intensa de trabalho e à pouca preparação.
“Os desafios nessa semana da Flórida foram inacreditavelmente muito grandes. Sem condições de treinamento, sem condições físicas, só trabalhando em período integral, eu consegui ganhar o torneio. Cheguei meio sem esperança de ganhar”, contou.
Segundo ele, a campanha ganhou contornos emocionais a cada rodada vencida.“Cada jogo que eu fui ganhando, eu entendia que era a mão de Deus comigo. Quando acabou eu caí no chão da quadra. Foi o momento que a emoção realmente bateu”, disse.
Joaquim também revelou que praticamente não conseguiu se preparar para a competição.
“A preparação foi muito pouca. Eu estava trabalhando em período integral e treinando quando podia. Então entrei muito relaxado, sem pressão, tentando apenas fazer o meu melhor”, afirmou.

Raízes em Campo Grande - Apesar de ter deixado Mato Grosso do Sul ainda criança, Joaquim mantém forte ligação com Campo Grande e relembra com carinho os períodos em que treinou na cidade.
“Eu nasci em Campo Grande e morei pouco tempo na cidade. Saí com oito anos, mas tenho família no estado e sempre voltamos quando podemos. É uma cidade que eu e minha família amamos”, contou.
O tenista recorda que, durante as férias, chegou a treinar no Rádio Clube Campo Grande com o treinador Serafim e posteriormente na Escola Guga.
“Eu treinava alguns verões em Campo Grande, fazia treinos no Rádio Clube e depois na Escola Guga. Tenho uma relação muito boa com a cidade”, destacou.
A carreira no tênis começou de fato após a mudança da família para Belém, onde iniciou os treinamentos aos oito anos e passou a competir nacionalmente a partir dos dez.
Na adolescência, Joaquim se mudou para Curitiba (PR) em busca de evolução no esporte. A rotina era pesada: estudava pela manhã e treinava à tarde no Clube Curitibano, enfrentando longos deslocamentos de ônibus todos os dias.
Depois passou uma temporada no Rio de Janeiro, onde treinava em período integral enquanto estudava online. Porém, as dificuldades financeiras mudaram os rumos da carreira.
“Na época da Covid estava muito apertado financeiramente. As universidades dos Estados Unidos oferecem estrutura completa, alimentação, moradia, treinadores. Consegui uma bolsa 100% e vim pra cá porque fazia mais sentido financeiramente”, explicou.
Nos Estados Unidos, Joaquim conciliou os estudos e o circuito universitário com empregos em período integral para se manter. Agora, após o título inesperado na Flórida, o sul-mato-grossense sonha em conseguir apoio para viver exclusivamente do tênis.
“Os objetivos agora são tentar sair desse trabalho integral para focar na carreira. Preciso de ajuda financeira para competir e me dedicar 100% ao esporte”, afirmou.
Sem calendário definido para os próximos meses, Joaquim prefere viver um passo de cada vez, mas acredita que a conquista pode abrir portas para o futuro.
“Estou indo dia após dia. Tenho fé que Deus vai colocar a pessoa certa na minha vida e a oportunidade certa vai chegar”, finalizou.


