De jabuticaba a sorvete: o empreendedorismo indígena ganha força em Nioaque
Empretec capacita 25 participantes nas aldeias, incentivando o uso sustentável dos recursos locais
Entre os dias 17 e 22 de novembro, a comunidade indígena de Nioaque foi palco de uma verdadeira transformação. Durante o Empretec Indígena, seminário de imersão ao empreendedorismo realizado nas aldeias Brejão, Água Branca, Taboquinha e Cabeceira, 25 indígenas participaram de um curso promovido pelo Governo do Estado e Sebrae, com o objetivo de fomentar a autonomia econômica nas comunidades.
RESUMO
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A cerimônia de encerramento aconteceu na manhã deste sábado (29), com uma grande celebração do que foi aprendido e das novas perspectivas que se abriram para os participantes.
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Para Maria Madalena Viegas, nora de dona Nadir, matriarca da aldeia Brejão, a imersão trouxe um novo olhar sobre os recursos ao seu redor. Durante o curso, ela teve a ideia de transformar dois pés de jabuticaba da sogra em sorvete.
“Antes do curso, a gente só pegava a fruta e comia. Mas agora, vi uma oportunidade de negócio. Um simples pé de jabuticaba virou algo valioso”, compartilha Maria, que agora se dedica a calcular os custos e o tempo necessário para produzir o sorvete, buscando transformar essa ideia simples em uma fonte de renda.
Essa mudança de mindset foi um dos maiores legados do Empretec Indígena. Ao longo dos dias de formação, os participantes aprenderam sobre o valor agregado dos produtos locais e a importância de se organizar para empreender.
“Agora, tudo o que a gente for fazer, tanto na roça quanto em casa, tem que ser anotado: o tempo de preparo, o trabalho de cada pessoa, os custos envolvidos. Cada detalhe é importante”, explica Maria.
O seminário foi mais do que uma capacitação sobre como abrir um negócio. Para Fernando Souza, subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários, o Empretec representa uma verdadeira transformação social e econômica nas aldeias.
“Nos territórios indígenas, há diversas potencialidades que podem ser exploradas com uma gestão mais profissional. Este evento não é apenas sobre empreender, é sobre resgatar a autossuficiência das comunidades e empoderar as pessoas para que superem a dependência assistencialista”, afirmou Fernando.
O evento também proporcionou momentos de reflexão sobre a importância da valorização dos recursos locais. Dona Nadir, que há anos cultiva os pés de jabuticaba, agora vê suas frutas com um olhar renovado. “Eu nunca imaginei que meus pés de jabuticaba seriam parte de um negócio. Fico feliz de ver minha nora com esse pensamento. É uma nova perspectiva”, conta emocionada.
Além das mulheres, homens também foram impactados pelo seminário. João, jovem participante, compartilhou seu aprendizado. “No começo, eu não via muito sentido, mas agora percebo que podemos aproveitar o que temos em nossas terras para criar algo que beneficie a nossa comunidade.”
O Empretec Indígena não só formou novos empreendedores, mas plantou a semente de um futuro mais independente e promissor para as aldeias de Nioaque, como descreve Maria Madalena: “A sementinha foi plantada, e agora, aos poucos, estamos aprendendo a ser empreendedores. A gente vê o que temos de valor e começa a acreditar que podemos crescer aqui, na nossa comunidade.”
Francisco Júnior, facilitador do Sebrae Empretec, destaca a importância da metodologia do curso. "Eles aprendem a transformar o dia a dia em algo significativo, em vez de esperar passivamente que as coisas aconteçam. Através dessa metodologia, com a troca de informações e a prática dos comportamentos empreendedores, temos visto resultados incríveis nas comunidades que o Sebrae já atingiu", termina.
Desde o primeiro evento realizado no Empretec Indígena, passou por diversas comunidades de Mato Grosso do Sul, incluindo Piracuá, em Bela Vista, Paranhos, Antônio João, Maracaju e Dourados, com destaque para a aldeia Jaguapiru. Atualmente, o seminário está sendo realizado em Nioaque, nas aldeias Brejão, Taboquinha, Aticuns, Cabeceira e Água Branca. Em breve, a equipe do Empretec seguirá para Miranda, onde realizará atividades com as comunidades de Cachoeirinha e Bamaçu.
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