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Interior

Detida pela Guarda, advogada nega que estava em aglomeração

Boletim de ocorrência por aglomeração de pessoas e obstrução do serviço público foi registrado contra ela

Por Alana Portela | 08/03/2021 15:26
Guarda Municipal de Dourados durante a abordagem que resultou da detenção da advogada Thalita Peixoto. (Foto: Reprodução vídeo)
Guarda Municipal de Dourados durante a abordagem que resultou da detenção da advogada Thalita Peixoto. (Foto: Reprodução vídeo)

Som alto em carro teria sido motivo da confusão que resultou na detenção da advogada Thalita Peixoto, 29 anos, em Dourados, a 233 quilômetros de Campo Grande. O fato aconteceu ontem (7), na casa de um amigo e terminou na delegacia.

“Tava na casa de um amigo, que é meu cliente. O casal me convidou para o almoço e fui pra lá, fiz lasanha. Estávamos em cinco pessoas. Almoçamos tarde e ficamos lá mais um pouco, fui deitar com meu namorado e ele dormiu”, conta Thalita.

Após a publicação do vídeo, a advogada relata sua versão dos fatos durante a abordagem da Guarda Municipal, após denúncia de perturbação de sossego. Segundo ela, o problema foi o som do carro do amigo que estava na garagem da casa.

Por volta das 16h30, ela acordou o namorado para ir embora, pois "tinha outras coisas para fazer". Nesse tempo, chegaram duas meninas na casa e ela, já se preparado para sair, foi para o lado de fora do local. "Estávamos em sete, oito pessoas no máximo".

Enquanto esperava o namorado sair, a advogada ficou em frente a garagem da casa conversando com o amigo, que tinha aberto a porta do carro que estava estacionado no local e ligado o som, garante ela. “A gente estava conversando no lado do carro sem gritar. Todo mundo estava conseguindo se ouvir. Não estava super baixo e nem alto para incomodar o vizinho”, afirma.

Enquanto eles conversavam no lado de fora, uma viatura da Guarda Municipal apareceu no local falando de uma denúncia. O amigo da advogada então teria questionado um dos agentes sobre quem havia feito a reclamação, momento no qual, "o guarda respondeu que não era obrigado a falar", diz a advogada.

“Disse que não tinha obrigação de dizer quem fez a denúncia e se que quisesse saber, ele teria que acompanhar até a delegacia. Meu amigo disse que ia, mas não era um acompanhamento de pegar o carro e ir atrás. Teria que ir detido”, conta a advogada.

Bate-boca - A partir daí, o que seria uma simples abordagem se transformou numa confusão e acabou na delegacia. Segundo a advogada, o guarda disse: “Você tá achando que meu trabalho é brincadeira? Não é brincadeira não”. Em seguida, revistou o rapaz e prendeu. “Colocou no camburão”, lembra Thalita.

Vendo a confusão, Thalita se apresentou aos guardas como advogada do amigo. “Disse que estava ali para resolver a situação, expliquei que estava no exercício da minha profissão e mesmo assim, não me ouviu e quis levar meu cliente detido no camburão”.

Nesse meio tempo, Thalita ligou para outro amigo que também é advogado se afastou da confusão, indo em direção ao seu carro, que estava estacionado na calçada do local por conta da sombra, de acordo com ela.

“Nisso o outro guarda puxou a placa do meu carro e falou que estava irregular ali. Disse que seria apreendido e teria de retirar no Detran [Departamento Estadual de Trânsito]. Pediu a chave e falei que não entregaria”.

A situação foi esquentando, deixando os ânimos mais exaltados e então a advogada tentou entrar na casa, porém, diz que não conseguiu.  “O guarda me segurou e falou que não era para entrar, que se entrasse, seria presa”.



Vídeo - Ela foi levada até a viatura, e a cena começou a ser gravada. As imagens mostram o guarda pegando no braço da advogada e ela pedindo para que ele não encostasse nela. Durante a abordagem, Thalita ainda pede para que o agente chame uma guarda mulher.

A gravação tem apenas 30 segundos, não mostra a advogada entrando na viatura, mas ela afirma que não resistiu ao receber a ordem de entrar no veículo, apesar do vídeo mostrar ela argumentando contra a medida. “Entrei sozinha, ninguém precisou me enfiar lá”, frisa.

Dentro da viatura, ela teria ficado por dez minutos e aproveitou para continuar conversando com outro advogado por telefone e contar o que estava acontecendo.

Em seguida, a viatura saiu do local e foi ao encontro de outra guarnição onde tinha uma agente mulher, para fazer a revista pessoal da advogada. “Me tiraram do camburão com todas as pessoas vendo, me colocaram para a guarda fazer a revista na frente de todos”.

Thalita relata que o motivo da revista seria para pegar a chave do seu carro, porém, a guarda não encontrou e pegou o seu celular. “Sem a chave, tomou o celular da minha mão, me enfiou dentro do camburão de novo e me levou para polícia”.

Já na delegacia, foi registrado um boletim de ocorrência por aglomeração de pessoas e obstrução do serviço publico contra a advogada. Ela foi ouvida e liberada do local.

A situação chegou até a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul), que nesta manhã (8), emitiu uma nota de repúdio contra a ação dos guardas e também pediu o afastamento imediato dos agentes por abuso de poder.

Para a reportagem, o presidente da OAB Mansour Elias Karmouche ainda afirmou que amanhã (9), durante uma reunião com a OAB nacional, levará o assunto para debate.

A reportagem também entrou em contato com a Guarda Municipal de Dourados, que ficou se manifestar através de uma nota de esclarecimento, porém até o fechamento desta matéria, não obteve retorno.

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