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“Eleição que não é limpa não é eleição”, diz Bolsonaro à rádio de MS

Presidente deu entrevista por 40 minutos nesta sexta à rádio Grande FM e defendeu voto impresso

Por Helio de Freitas, de Dourados | 23/07/2021 11:41
Presidente Jair Bolsonaro em Ponta Porã, no dia 30 de junho deste ano (Foto: Helio de Freitas)
Presidente Jair Bolsonaro em Ponta Porã, no dia 30 de junho deste ano (Foto: Helio de Freitas)

O presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista ao vivo sexta-feira (23) à rádio Grande FM, de Dourados. Durante 40 minutos, Bolsonaro repetiu o discurso em defesa do tratamento precoce contra a covid-19 apesar da falta de comprovação científica, afirmou que em seu governo não há corrupção e cobrou voto impresso nas eleições de 2022.

“Eleições que não sejam limpas não são eleições”, respondeu o presidente ao ser perguntado pelo âncora do programa, Farias Junior, sobre a frase recente de Bolsonaro de que pode não haver eleição no ano que vem se o voto impresso for rejeitado pelo Congresso.

“Essa bandeira não é defendida por mim. Sempre foi defendida por 90% dos parlamentares. Por que de uma hora para outra alguns parlamentares mudaram de opinião depois de receber a visita do ministro do STF e presidente do TSE Luís Barroso?”, questionou.

Bolsonaro afirmou que após a visita de Barroso, líderes partidários começaram a trocar membros da Comissão Especial que analisa o voto impresso, que ele chama de “voto auditável”.

“Hoje em dia, se botar em votação, ele [o voto impresso] não passa na comissão”, afirmou o presidente. “Quem é contra eleição transparente? Só quem tem interesses escusos”.

O presidente disse que o voto impresso seria mais uma garantia de eleições sem fraude. “Eu pergunto para vocês aí do Mato Grosso do Sul: se você tiver chance de colocar mais uma fechadura na sua porta para dormir em paz, você botaria essa fechadura ou não? Eu só quero transparência nas eleições”.

Bolsonaro afirmou que a demora que havia antes das urnas eletrônicas para contagem dos votos ocorria por causa da “caligrafia” dos eleitores e que pelo sistema defendido por ele seria diferente, pois o comprovante seria impresso pela própria urna. “Se fosse preciso conferir os votos, numa urna com 400 eleitores, faria a contagem em no máximo duas horas”.

Na avaliação do presidente, o voto impresso seria atestado de veracidade em caso de vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “candidato da esquerda”. Segundo as mais recentes pesquisas do Datafolha, o petista lidera as intenções de voto com boa vantagem sobre o atual presidente.

“Se o povo quiser votar no candidato da esquerda, o povo que decide, mas temos de ter no final da linha que ele ganhou realmente por maioria de votos e vai assumir. Se segundo o Datafolha o Lula tem 49% das intenções de voto no primeiro turno, deveriam aprovar o voto impresso, auditável e seguro, é a garantia que Lula vai ganhar. Agora, quando não apoiam o voto impresso e auditável, é sinal que tem algo de errado na pesquisa do Datafolha”, afirmou.

Futuro político – Sem cravar se será candidato à reeleição em 2022, Bolsonaro admitiu que ainda não sabe em qual partido irá se filiar, disse que está quase impossível conseguir criar a sua própria legenda a tempo, afirmou que gostaria de poder se candidatar sem necessidade de filiação partidária e reconheceu aproximação com Partido Progressista. “Eu sempre fui do centrão”.

“Estou tentando ter um partido que eu possa chamar de meu e ter o domínio do partido, mas está difícil, quase impossível. O PP passa a ser uma possibilidade de filiação. No Brasil as eleições não são como nos Estados Unidos onde você pode ser candidato independente de partido. Se eu pudesse fazer isso, seria a melhor opção para mim. Mas a regra do jogo está aí e eu tenho que jogar dentro das quatro linhas da Constituição e das leis”, disse o presidente.

Tratamento precoce – Ao falar da expectativa de que toda a população brasileira acima de 18 anos esteja vacinada contra a covid-19 até novembro, o presidente reafirmou que ninguém é obrigado a se imunizar e voltou a defender o uso do chamado “tratamento precoce”.

“Vacina como a Coronavac ainda não está comprovada cientificamente. Como pode brigar alguém a tomar algo que não está comprovado cientificamente?”, questionou o presidente.

Contrariando a própria afirmação, logo em seguida o presidente defendeu o tratamento precoce e disse que tomou hidroxicloroquina logo depois de ser diagnosticado com o coronavírus. Em março deste ano, a OMS (Organização Mundial da Saúde) concluiu que a hidroxicloroquina não funciona no tratamento contra a covid-19 e alertou ainda que seu uso pode causar efeitos adversos.

“O deputado aí do Mato Grosso do Sul, o doutor Ovando [Luiz Ovando, do PSL] defende o tratamento precoce. É obrigação do médico buscar alternativa para quem está sofrendo e não usar o protocolo Mandetta, que é ‘vá para casa e quando sentir falta de ar procure o médico’. Passei mal, o médico da Presidência constatou sintomas da covid, tomei imediatamente a hidroxicloroquina e no dia seguinte estava bem”, relatou.

Bolsonaro disse que em seu prédio (ele tem residência em condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro), pelo menos 200 pessoas pegaram covid e usaram o tratamento precoce. “Ninguém sequer foi para o hospital”.

O presidente disse que boa parte dos remédios foi descoberta por acaso e citou o medicamento usado para tratamento de disfunção erétil. “Estava sendo usado o medicamento para determinada coisa e se percebeu que os velhinhos lá começaram a se empolgar quando passava alguém do sexo oposto perto deles”.

Curimbatá a tiros – Jair Bolsonaro falou do tempo em que morou em Mato Grosso do Sul como militar do Exército no quartel de Nioaque e disse que se sente “muito sul-mato-grossense”.

“Foi aí que conheci o tereré, fazia minhas compras todo mês em Ponta Porã, às vezes em Bela Vista, onde era um pouquinho mais caro. Conheci muito essa região, comi muito churrasco, a carne era metade do preço dos grandes centros. Não tinha muito peixe, mas pegava uns curimbatá no Rio Nioaque. Alguns pegava com revólver TA 38, para diversão. Ficava esperando na árvore, quietinho, aparecia o cardume, dava tiro na cabeça do curimbatá e pulava dentro d’água”.

Bolsonaro encerrou a entrevista falando que nunca vai esquecer da “minha querida Nioaque” e mandou abraço para um antigo companheiro de farda, o soldado Portela. “Uma pessoa que marcou muito minha vida em Nioaque. Grande amigo que eu fiz e continua no meu coração”.

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