ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
ABRIL, SÁBADO  20    CAMPO GRANDE 28º

Interior

Em protesto, assistente de acusação abandona júri de indígenas; “impunidade”

Advogado chamou de “palhaçada” fala de procurador que pediu sentença leve a acusados de matar policiais

Por Helio de Freitas, de Dourados | 28/02/2024 17:50
Sandra Arévalo Savala no momento em que era interrogada, nesta quarta-feira (Foto: Reprodução)
Sandra Arévalo Savala no momento em que era interrogada, nesta quarta-feira (Foto: Reprodução)

O assistente de acusação no julgamento dos indígenas Valmir Júnior Savala, 36, e Sandra Arévalo Savala, 40, abandonou a sessão nesta quarta-feira (28), terceiro dia do júri. Mauricio Nogueira Rasslan chamou de “palhaçada” o discurso do procurador federal Gustavo Torres.

Responsável em pedir a condenação dos réus durante o julgamento, o procurador teria, segundo o advogado, adotado tom a favor dos indígenas, defendendo inclusive que, se condenados, não fiquem presos.

O júri ocorre no TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, em São Paulo. Valmir e Sandra são réus pelo assassinato dos policiais civis Ronilson Magalhães Bartie e Rodrigo Lorenzatto e pela tentativa de homicídio contra o também policial Emerson José Gadani. Os crimes ocorreram em 1º de abril de 2006 em Dourados e ficaram conhecidos como “Chacina de Porto Cambira”.

Os dois réus, o procurador responsável pela acusação e os advogados de defesa acompanham o julgamento presencialmente na capital paulista. As testemunhas e o assistente de acusação participam de forma remota.

“O procurador da República falou por duas horas e 40 minutos, me deixou só dez minutos para falar. Pediu um monte de benesses para os réus, alegou violenta emoção, alegou que são indígenas e defendeu que fiquem em liberdade assistida. Não aguentamos mais tanta impunidade. É falta de respeito com a população de Mato Grosso do Sul”, afirmou Mauricio Rasslan ao Campo Grande News.

Segundo ele, os outros quatro réus, condenados em 2019 a penas somadas de 101,6 anos, também foram beneficiados pela Justiça Federal e permaneceram soltos mesmo com sentenças tão altas.

“A lei determina que, no caso de condenação pelo Tribunal do Júri igual ou superior a 15 anos de reclusão, seja determinada a execução provisória da pena. É o que os familiares das vítimas esperam, que a lei seja cumprida”, afirmou.

“Na sexta-feira, a filha do Lorenzatto vai fazer 20 anos. Ela tinha dois anos quando ele foi morto e não teve chance de conhecer o pai. Ela estava ali na antessala acompanhando o júri, esperando pela prisão dos criminosos, o que não vai acontecer”, desabafou o advogado douradense.

Mauricio Rasslan afirmou que no julgamento de 2019, o mesmo procurador defendeu que os réus cumprissem as penas no “Tekoha Passo Pirajú” (onde ocorreram os crimes), o que, segundo ele, não aconteceu. “Não tem mais ninguém lá, foram todos embora. A Sandra mesmo, tem casa própria em Aral Moreira. O Valmir mora em Dourados, como poderá cumprir uma eventual pena no tekoha?”, questionou.

Valmir foi interrogado ontem à noite e Sandra prestou depoimento nesta quarta-feira. Os dois negaram envolvimento direto nos assassinatos. O julgamento começou segunda-feira (16) com previsão de terminar apenas na sexta-feira (1º), mas deve ser encerrado ainda hoje.

Em 7 de junho de 2019, quatro indígenas foram condenados pela chacina – Ezequiel Valensuela (34 anos e 5 meses), Jair Aquino Fernandes (26 anos e 8 meses), Lindomar Brites de Oliveira (19 anos e 2 messe) e Paulino Lopes (20 anos e 3 meses).

Os policiais foram atacados a golpes de faca e a pauladas quando circulavam de carro pela estrada de acesso ao Porto Cambira. A estrada passava em frente à área, na época invadida pelos indígenas.

Segundo a Polícia Civil, eles procuravam o suspeito de matar um pastor em Dourados, dias antes. Já os indígenas afirmaram que os policiais foram ao local para ameaçá-los, já que estavam em área invadida, e alegam terem agindo e legítima defesa.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas  redes sociais.

Nos siga no Google Notícias