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Interior

Faltam 100 metros para ponte unir Brasil e Paraguai em Porto Murtinho

Ponte avança sobre o Rio Paraguai e aproxima Mato Grosso do Sul dos portos chilenos

Por José Cândido e Toninho Ruiz, de Porto Murtinho | 12/02/2026 14:50
Faltam 100 metros para ponte unir Brasil e Paraguai em Porto Murtinho
A ponte, no Rio Paraguai, já consumiu mais de 60 mil metros cúbicos de concreto (Foto Toninho Ruiz)

A contagem regressiva já começou. Faltam apenas 100 metros para que a Ponte Internacional da Rota Bioceânica conecte fisicamente Brasil e Paraguai, unindo Porto Murtinho a Carmelo Peralta. A obra, iniciada em 14 de janeiro de 2022, atingiu 90% de execução e entrou oficialmente na fase final.

RESUMO

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A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que conectará Brasil e Paraguai, está em fase final de construção, com 90% da obra concluída. Com investimento de 100 milhões de dólares da Itaipu Binacional, a estrutura já utilizou mais de 60 mil metros cúbicos de concreto e deve ser finalizada ainda este ano. O empreendimento é parte fundamental da Rota Bioceânica, corredor que ligará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Chile. O projeto promete reduzir distâncias até o mercado asiático, diminuir custos logísticos e ampliar a competitividade da produção agroindustrial, com previsão de operação plena em 2027.

No local, o cenário é de ritmo acelerado. Homens e máquinas trabalham simultaneamente em várias frentes, tanto na estrutura principal quanto nos acessos viários. A expectativa é que até o fim de abril ocorra a concretização do vão que selará a ligação histórica entre os dois países.

O vão central da ponte estaiada tem 354 metros. Agora, as equipes concentram esforços na pavimentação, sinalização e acabamento do trecho principal — etapas decisivas para a entrega ainda neste ano.

Engenharia de escala continental

Considerada uma das obras mais estratégicas da América do Sul, a ponte já consumiu mais de 60 mil metros cúbicos de concreto — volume comparável a 20 estádios de futebol ou três Torres Eiffel.

O investimento é de aproximadamente 100 milhões de dólares, com recursos da Itaipu Binacional, pelo lado paraguaio.

Segundo o engenheiro de produção Maicon Aquino, a fase atual inclui a concretagem dos tabuleiros com tecnologia voltada à durabilidade e resistência ao tráfego pesado. A estrutura foi projetada para suportar o fluxo intenso de cargas que devem passar pelo corredor bioceânico nas próximas décadas.

Nos acessos, o trabalho é igualmente robusto:

  • Terraplenagem e drenagem avançam nas duas margens;

  • No lado brasileiro, são executadas obras de arte especiais, como viadutos e passarelas;

  • A ponte sobre o rio Amonguijá já concluiu a concretagem dos tabuleiros;

  • No lado paraguaio, seguem rampa de ligação, instalação de meios-fios, defensas, assoalho para pedestres e ciclistas e aterro hidráulico realizado por dragas no Rio Paraguai.

O solo recebe tratamento técnico com solo-cal, solo-cimento e colchão de pedras para garantir estabilidade e segurança estrutural.

Novo mapa logístico para o Centro-Oeste

Mais que uma ponte, o empreendimento é peça-chave da Rota Bioceânica, corredor que ligará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Chile, atravessando Paraguai e Argentina.

Na prática, a nova rota deve:

  • Reduzir distâncias até o mercado asiático;

  • Diminuir custos logísticos para exportadores;

  • Ampliar competitividade da produção agroindustrial;

  • Reposicionar Mato Grosso do Sul no eixo do comércio internacional.

A previsão de operação plena da rota é 2027 — e a ponte é o elo que faltava para tirar o projeto do papel e colocá-lo definitivamente no mapa global.

Expectativa nas margens do Rio Paraguai

Em Porto Murtinho e Carmelo Peralta, o clima é de expectativa diária. Comerciantes e moradores projetam aumento no turismo, novos investimentos e dinamização da economia local.

Do isolamento histórico do Chaco paraguaio à esperança de um corredor continental, a obra simboliza uma virada geopolítica e econômica para a região.

No canteiro, o consórcio responsável — liderado por empresas paraguaias e brasileiras — mantém equipes atuando dia e noite.

Agora, o que separa Brasil e Paraguai não é mais o Rio Paraguai. São apenas 100 metros de concreto.

E eles já estão quase lá.

Faltam 100 metros para ponte unir Brasil e Paraguai em Porto Murtinho
A obra simboliza uma virada geopolítica e econômica para a região pantaneira. (Foto Toninho Ruiz)