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Interior

Guajajara se esquiva de “ultimato” e pede compreensão para demarcações de terras

Ministra dos Povos Indígenas recebeu um documento cobrando avanços nas demarcações em um prazo de 15 dias

Por Jhefferson Gamarra e Helio de Freitas, de Caarapó | 24/11/2023 16:16
Ministra Sonia Guajajara durante discurso em Caarapó (Foto: Helio de Freitas)
Ministra Sonia Guajajara durante discurso em Caarapó (Foto: Helio de Freitas)

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, enfrentou pressões da comunidade indígena Kaiowá e Guarani para acelerar o processo de demarcação de terras durante a Assembleia-Geral realizada nesta sexta-feira (24) em Caarapó, a 283 quilômetros de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

O encontro foi marcado por reivindicações, com a entrega de um documento à ministra, estabelecendo um "ultimato" de 15 dias para avançar no processo de demarcação, sob ameaça de intensificação das lutas pela retomada de terras. Guajajara evitou assumir compromissos temporais, enfatizando a falta de poder decisório direto da pasta federal para solucionar os processos de demarcação.

"Não posso afirmar que esses estudos vão sair em 15 dias, posso afirmar que vamos continuar trabalhando para fazer os estudos e dar os encaminhamentos necessários para retomada dos processos. Não posso pedir nenhum tipo de paciência, mas peço essa compreensão para a gente trabalhar juntos e discutir juntos através das lideranças que vocês vão indicar. Sei que tudo é urgente e que estão enfrentando essa situação há 500 anos, mas não temos o poder de decisão. Tudo depende de articulação com outros poderes e dentro do próprio governo”, declarou a ministra em seu discurso.

Além da urgência na demarcação, os indígenas reivindicaram a formação de grupos de trabalho para identificar áreas e avançar na demarcação de terras já reivindicadas, incluindo localidades em Dourados, Amambai, Iguatemi e Rio Brilhante.

Presente no encontro, o secretário-executivo do ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, aproveitou para fazer um discurso voltado ao campo político, cobrando que a comunidade escolha candidatos comprometidos com as demandas dos povos indígenas.

"Não podemos só colocar a culpa no executivo, no ministério dos povos indígenas e no presidente Lula, temos de aprender a votar em candidato que tem compromisso com nossas causas", alertou.

Conflitos iminentes - A visita da ministra coincide com um pedido do Sindicato Rural de Iguatemi direcionado nesta sexta-feira (24) a várias instituições, buscando medidas para preservar a "paz no campo".

O sindicato expressou preocupações com o risco iminente de indígenas ocuparem a Fazenda Maringá, assim como outras propriedades identificadas no processo de estudo de demarcação. Desde 2012, a região de Iguatemi enfrenta episódios de conflitos, com um histórico de tensões entre proprietários rurais e comunidades indígenas.

O sindicato encaminhou um ofício a autoridades locais, estaduais e federais, incluindo o governador Eduardo Riedel, órgãos de segurança e representantes da agricultura, destacando o temor dos produtores e seus familiares diante dos próximos acontecimentos.

A região em questão abrange cerca de 40 mil hectares de terras e 46 propriedades rurais, inseridas no processo de estudo de demarcação, tornando-se um ponto focal de tensões entre indígenas e fazendeiros.

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