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Interior

"Ilhas" de vegetação garantem resistência e fauna ativa em áreas queimadas

Natureza se mostra imponente e renovada dias após grande incêndio que devastou bioma do cerrado

Por Gabriela Couto | 20/07/2021 10:18
Cervo avistado em região queimada dias após o fogo ser contido em Bonito e Jardim (Foto Sargento Keslley)
Cervo avistado em região queimada dias após o fogo ser contido em Bonito e Jardim (Foto Sargento Keslley)

As imagens feitas pela equipe do GRETAP (Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal) dão esperança para a preservação da natureza após incêndio florestal que atingiu cerca de 3,7 mil hectares entre os municípios de Bonito e Jardim.

Depois de dias de fogo intenso e animais vítimas das chamas, a fauna ativa no local que estava tomado pelas queimadas no início do mês é imagem da força da natureza.

Conforme relata a médica veterinária, Nataly Nogueira Ribeiro Pinto, durante o período foi possível observar vários indícios de uso das áreas queimadas pelos animais, sendo possível a observação de cervídeos, tamanduá mirim, tatu, anta, ema e demais espécies de aves.

Equipe do GRETAP foi acionada para vistoriar a área e não encontrou carcaça de animais (Foto GRETAP)
Equipe do GRETAP foi acionada para vistoriar a área e não encontrou carcaça de animais (Foto GRETAP)

“Como médica veterinária, pude visualizar e avaliar alguns animais à distância, os quais se mostraram saudáveis, alertas e responsivos ao ambiente. Isso mostra que as áreas verdes ao entorno do fogo serviram como abrigo e fonte de água e alimento para esses animais, permitindo que se mantivessem saudáveis. Outro ponto que reforça esta ideia é a ausência de observação de carcaças carbonizadas”, explica.

No rastreamento das áreas atingidas, a equipe registrou vestígios de rastro, pelo e fezes. As equipes ainda flagraram cervos e tatu em meio a vegetação queimada. Nas imagens aéreas, feitas por drone, é possível ver as "ilhas" de vegetação que não foram atingidas pelo fogo. O que garantiu que alguns remanescentes de floresta continuassem em pé, e por isso a matriz da paisagem permitiu que os animais fugissem do fogo. A chuva nos últimos dias contribuiu para o encontro de rebrotamento na vegetação que foi queimada.

GRETAP - Ao todo 11 instituições que fazem parte do GRETAP-MS: a Semagro, Imasul, CRMV-MS, UCDB, Ibama, Instituto Tamanduá, Instituto do Homem Pantaneiro – IHP, Fundação Municipal do Meio Ambiente de Corumbá, UFMS, PMA e Corpo de Bombeiros.

"Ilhas" de vegetação foram fundamentais para garantir a sobrevivência das espécies durante incêndios (Foto GRETAP)
"Ilhas" de vegetação foram fundamentais para garantir a sobrevivência das espécies durante incêndios (Foto GRETAP)

Ele surgiu diante da necessidade da atuação de profissionais na área de Resgate Técnico Animal durante as queimadas que atingiram o Pantanal de Mato Grosso do Sul em 2020, ano em que a equipe atendeu 102 animais diretamente com cuidados veterinários, translocação ou assistencialismo direto, além dos inúmeros animais que receberam assistencialismo indireto por meio dos pontos de alimentação.

Todo o trabalho realizando só é possível graças às doações. Com as doações de medicamentos foi possível, ainda, estender o atendimento aos animais domésticos da Serra do Amolar. Interessados em ajudar com qualquer valor os dados são: Agência: 2609-3 / Conta corrente: 6237-5 / Banco do Brasil / Missão Salesiana - CNPJ: 03.226.149/0015-87.

Tatu foi flagrado durante inspeção do GRETAP nas regiões atingidas pelo fogo (Foto Sargento Keslley)
Tatu foi flagrado durante inspeção do GRETAP nas regiões atingidas pelo fogo (Foto Sargento Keslley)


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