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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

09/03/2016 14:03

Índios invadem cinco propriedades e moradores denunciam clima de terror

Proprietários foram expulsos por índios que entraram em sítios localizados na região norte da cidade, nos arredores da reserva local

Helio de Freitas, de Dourados
Índios montam barraco nos fundos de sítio invadido em Dourados (Foto: Eliel Oliveira)Índios montam barraco nos fundos de sítio invadido em Dourados (Foto: Eliel Oliveira)
Família indígena quando começava a montar barraco, hoje de manhã (Foto: Eliel Oliveira)Família indígena quando começava a montar barraco, hoje de manhã (Foto: Eliel Oliveira)

Proprietários de pequenos sítios localizados na região norte de Dourados, a 233 km de Campo Grande, estão vivendo em clima de terror desde a noite de sábado, quando índios guarani-kaiowá começaram a invadir as propriedades e expulsar os moradores.

Pelo menos cinco sítios nas margens do anel viário norte, nos arredores da reserva indígena local, já foram ocupados e os moradores denunciam que mais índios estão chegando de aldeias da região. É a segunda invasão indígena naquela região da cidade, já que existe outro grupo acampado em uma área nos fundos do residencial Monte Carlo.

Proprietários ouvidos pelo Campo Grande News relatam momentos de medo e apreensão com a presença de índios armados com facões e ameaçando colocar fogo nas propriedades. Alguns se identificam, mas outros pedem para não ter o nome divulgado, temendo retaliações.

ONGs por trás - “Os líderes da invasão, segundo se sabe, são Lucas Paiva, Ramon Machado, Catalino, Veron e Dirce Veron. Fala-se aqui na região que existem ONGs internacionais por trás dessas invasões. Já começamos a acreditar, pois eles estão sendo sustentados financeiramente por alguém. Chegam em grandes carros e estão dispostos a tudo, inclusive há comentários que tais ONGs estariam dispostas até a pagar pelas propriedades, para que proprietários saem das áreas de vez”, afirmou ao Campo Grande News o filho de uma das proprietárias. Ele pediu para seu nome não ser divulgado.

“Temos uma propriedade no local com mais de 50 anos, que pertencia a meu avô, já falecido, que ficou para os filhos. Os índios citam estudos de antropólogos e dizem que na década de 60 essas terras pertenciam a eles e que foram expulsos do local. Essa história ‘não bate’, pois meus avós na época citada já tinham comprado a terra de terceiros. Todas as áreas são escrituradas e legalizadas”, conta o herdeiro de um dos sítios.

Descaso – O homem afirma que os proprietários estão “indignados” com o descaso do governo e dos órgãos policiais. “Eles vão invadindo as áreas e ninguém faz nada. A Polícia Federal empurra para a Polícia Militar, que empurra para a Polícia Federal e ninguém quer mexer”.

Segundo ele, os moradores temem pela integridade física das famílias, “pois todos são cidadãos de bem com filhos e estão sendo ameaçados. A casa de uma propriedade já foi invadida e toda depredada”.

Ameaça de novas invasões – Segundo o depoimento do morador, o clima é tenso, já que os índios ameaçam ampliar as invasões. “No fundo do sítio da minha mãe já tem uns dez barracos e eles falam que vão invadir todo anel viário norte de Dourados. Os proprietários registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil, fizemos uma representação ao Ministério Público Federal e comunicamos à Polícia Federal e à Polícia Militar. Estamos reunindo documentos para entrar na Justiça Federal com pedido de reintegração de posse”.

O morador, que é servidor público, se revolta com a falta de interesse dos órgãos do governo federal em atuar no caso. “Ninguém do governo federal de manifesta. Uma vergonha este país, ninguém toma de providência”.

Rondas – O comandante da Polícia Militar em Dourados, tenente-coronel Carlos Silva, informou que viaturas fazem rondas próximas ao local das invasões, mas diz que a corporação não pode agir sem ordem judicial.

Ele confirmou que a situação é tensa no local e disse que os índios chegaram a ameaçar moradores e policiais. “A situação é muito tensa. Os índios estão armados com facões, foices e outros objetos. Ameaçaram os proprietários e até as nossas equipes”.

O coordenador regional da Funai, Vander Nishijima, foi procurado pelo Campo Grande News para falar sobre as invasões. Ele pediu que as perguntas fossem encaminhadas por e-mail, mas até a publicação da reportagem não tinha enviado as respostas. A Polícia Federal em Dourados também foi procurada, mas não se manifestou.

Um dos sítios ocupados pelos índios; mesmo com medo, moradores continuam no local (Foto: Eliel Oliveira)Um dos sítios ocupados pelos índios; mesmo com medo, moradores continuam no local (Foto: Eliel Oliveira)


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