Isolados desde fevereiro, moradores pedem ponte e unidade de saúde em Terenos
Existe um acesso já comprometido e interditado como medida de segurança

Moradores e caseiros de mais de 400 chácaras e casas localizadas na divisa entre Terenos e Dois Irmãos do Buriti estão isolados desde que a ponte de madeira do Recanto Nuara foi interditada. Isso ocorreu em 4 de fevereiro deste ano, após fortes chuvas elevarem o nível do Rio Aquidauana e comprometerem ainda mais a estrutura já degradada. A medida foi tomada por motivo de segurança.
Vice-presidente da Associação de Moradores do Recanto Nuara, Alex Chueriy explica que a única rota alternativa obriga a fazer um desvio de 30 quilômetros pela ponte do Grego em direção a Campo Grande, retornando depois para Terenos.
“Isso para quem tem condução. Quem não tem, fica à mercê de vizinho para ir ao supermercado ou outro lugar que tenha necessidade”, ele relata.
Outro transtorno relacionado à ponte atinge 17 crianças que moram no loteamento Paturi. Elas não têm acesso à escola. “Estão fazendo atividade em casa. Não tem outro jeito”, conta Alex também.
Segundo Chueriy, os moradores cobraram diversas vezes uma solução das duas prefeituras. Ele afirma que, de preferência, os moradores querem uma nova ponte de concreto.
O problema, no entanto, precisa ser resolvido pela Agesul (Agência de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul), já que a ponte foi construída com recursos estaduais e está na divisa entre municípios.
Uma licitação foi lançada para consertar a ponte, com valor estimado em R$ 1.302.304,31. A sessão de abertura está marcada para 16 de julho, às 9h30.
Festa julina pela saúde - Mais um problema, mas que afeta principalmente os caseiros das chácaras e os comerciantes da área rural de Terenos, é a falta de um local adequado para atendimento dos médicos que cuidam mensalmente das famílias da região do Recanto Nuara. Eles são enviados pela prefeitura, já que o local é distante da cidade.
Por enquanto, uma igreja empresta espaço para os atendimentos. “Só que nós precisamos de um local melhor para colocar macas e todos os equipamentos que a prefeitura diz que pode enviar”, continua o vice-presidente da associação.

A comunidade fez até uma festa julina, neste final de semana, com a intenção de destinar o valor arrecadado para a reforma do prédio de uma escola abandonada. “Falta a cobertura, principalmente. Nós fizemos um orçamento estimado de R$ 12 mil a R$ 20 mil”, diz Alex.
Eles ainda estão levantando qual valor total foi conseguido. Esperam que tenha chegado a R$ 12 mil, ao menos, para iniciarem a obra.
Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Terenos informou que a população local não está desassistida e reforçou que realiza "atendimentos volantes na região, justamente para facilitar o acesso em razão das distâncias e garantir a continuidade da assistência".

Sobre o prédio que os moradores pensam em reaproveitar, a nota explica que ele foi desativado devido à necessidade de transferir os estudantes para uma escola que atendesse uma demanda maior.
"Trata-se de uma unidade multisseriada que foi desativada por volta de 2012, em razão da ampliação da demanda educacional com o crescimento dos assentamentos Sete de Setembro, Ouro Branco, São Pedro do Sul e Nova Aliança. O espaço já não comportava o número de alunos nem oferecia a estrutura necessária para o atendimento. Desde então, os estudantes da região passaram a ser atendidos pela Escola Municipal Professora Vilma Fátima de Assis Barreto, que está em pleno funcionamento", finalizou a assessoria.
O Campo Grande News questionou se a prefeitura está buscando alguma outra solução à falta de espaço próprio para atendimento. A nota enviada não respondeu à pergunta.
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