Júri afasta tentativa de homicídio em caso de tiros após briga em bar
Sete anos após ataque em conveniência, acusado é condenado por lesão corporal grave
Tribunal do Júri de Dourados afastou a acusação de tentativa de homicídio contra Lucas Henrique Ribeiro, de 33 anos, e o condenou por lesão corporal grave e posse irregular de arma de fogo. A decisão saiu nesta terça-feira (2), sete anos depois de ele atirar contra Willian Martins da Silva durante uma discussão em uma conveniência no Jardim Canaã III.
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Os jurados entenderam que Lucas não teve intenção de matar a vítima. Com isso, o caso deixou de ser tratado como crime contra a vida e passou a ser enquadrado como lesão corporal grave. O juiz Ricardo da Mata Reis fixou pena de um ano e três meses de reclusão pela agressão e um ano de detenção pela posse da arma usada no ataque. O regime inicial é aberto.
O episódio ocorreu na noite de 14 de abril de 2019. Conforme a investigação, a discussão começou quando Willian avisou que o estabelecimento encerraria o atendimento e não venderia mais cerveja. Irritado, Lucas deixou o local de motocicleta e retornou pouco depois armado.
Segundo a denúncia apresentada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), ele chamou Willian para o portão da residência onde a vítima morava, nos fundos da conveniência, e efetuou os disparos. Os tiros atingiram o tórax e a perna esquerda.
Willian sobreviveu porque recebeu socorro imediato. O laudo médico apontou ferimentos graves e afastamento das atividades habituais por mais de 30 dias. Durante o julgamento, testemunhas relataram que ele ficou internado por duas semanas.
Ao prestar depoimento, Lucas admitiu ter feito os disparos, mas afirmou que não pretendia matar a vítima. Segundo ele, voltou ao local para tirar satisfação sobre a discussão e atirou porque acreditou que seria atacado.
A versão não convenceu os jurados nem o magistrado. A sentença destaca que nenhuma das testemunhas confirmou a existência da faca citada pelo acusado para justificar a reação.
Dias depois do ataque, Lucas se apresentou espontaneamente à polícia e entregou o revólver calibre 38 usado no caso. A arma não possuía registro.
O processo tramitava desde 2020. Após recursos da defesa, o caso foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, que decidiu desclassificar a acusação inicial de tentativa de homicídio.
Lucas poderá recorrer da condenação em liberdade.


