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Interior

Paraguai liga assalto milionário a plano do PCC por domínio do tráfico

Para autoridades paraguaias, roubo a transportadora de valores em Ciudad del Este é mais um capítulo da investida, iniciada com a execução de Jorge Rafaat, em junho do ano passado

Por Helio de Freitas, de Dourados | 24/04/2017 14:10
Carros destruídos por explosivos no maior assalto já ocorrido em território paraguaio (Foto: ABC Color)
Carros destruídos por explosivos no maior assalto já ocorrido em território paraguaio (Foto: ABC Color)

Autoridades paraguaias acreditam que o roubo de pelo menos R$ 120 milhões na madrugada de hoje em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR), faz parte dos planos do PCC (Primeiro Comando da Capital) para dominar a rota do tráfico de maconha e cocaína, que inclui a Linha Internacional com Mato Grosso do Sul.

O teste de fogo para a facção criminosa brasileira, segundo a polícia do país vizinho, foi o assassinato do chefão do narcotráfico Jorge Rafaat Toumani, ocorrido em 15 de junho do ano passado em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha de Ponta Porã, a 323 km de Campo Grande.

Rafaat fazia oposição à presença do PCC na fronteira e teria mandado eliminar vários integrantes da quadrilha por não concordar com a forma de atuação da facção, principalmente por causa dos assaltos e sequestros praticados pelos “soldados” do grupo paulista.

Segundo a inteligência paraguaia, o PCC se aliou ao Comando Vermelho e ao narcotraficante Jarvis Gimenez Pavão – que está preso em Assunção – para tramar a morte de Rafaat. O então chefão da fronteira foi morto a tiros de metralhadora calibre 50 no Centro de Pedro Juan Caballero.

Digitais do PCC – O jornalista brasileiro Alan de Abreu, especialista na investigação de tráfico de drogas e que vai lançar em breve um livro sobre o PCC, afirmou à rádio paraguaia ABC Cardinal que o assalto em Ciudad del Este tem todas as características de ter sido obra da facção criminosa.

Para Abreu, o assassinato de Jorge Rafaat mostra como o PCC domina o crime no Paraguai, principalmente o tráfico de drogas. “Certamente, o PCC participou do assassinato de Jorge Rafaat para dominar o tráfico de drogas no Paraguai”, disse o jornalista à rádio.

Segundo ele, o PCC funciona como uma grande indústria do crime organizado, cujos itens também incluem mega assaltos, como o ocorrido na madrugada de hoje.

Alan de Abreu afirma que no ataque à transportadora de valores foi usada a mesma metodologia que o PCC utiliza no Brasil. Ele cita pelo menos quatro assaltos semelhantes em território brasileiro e ressalta que a polícia é incapaz de combater esses ataques.

Ainda de acordo com o jornalista brasileiro, o objetivo do PCC é se fortalecer não só no Brasil, mas também no Paraguai e na Bolívia, estratégicos para controlar a produção e distribuição de maconha paraguaia e fornecimento da cocaína proveniente do Peru e do país boliviano.

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