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Interior

Pavão aparece com respirador em foto, mas equipamento estava errado

Foto divulgada por advogados de defesa tenta sensibilizar juíza a autorizar transferência de traficante para clínica particular

Por Helio de Freitas, de Dourados | 27/01/2017 11:59
Respirador foi colocado “de cabeça para baixo”, segundo especialistas (Foto: ABC Color)
Respirador foi colocado “de cabeça para baixo”, segundo especialistas (Foto: ABC Color)

Para tentar convencer a Justiça do Paraguai a autorizar a transferência do brasileiro Jarvis Gimenez Pavão para uma clínica particular, advogados que defendem o narcotraficante internacional divulgaram uma foto em que ele aparece usando um respirador. Entretanto, segundo a imprensa paraguaia, o equipamento estava errado, foi colocado “de cabeça para baixo”.

Na semana passada, a defesa de Pavão, que cumpre oito anos de prisão por lavagem de dinheiro no Paraguai, pediu autorização da Justiça para a remoção dele da cela onde está recolhido em Assunção para uma clínica. A intenção seria tratar um quadro de isquemia cerebral e apneia do sono.

A foto de Pavão usando o respirador circulou ontem (26) nos meios de comunicação. O jornal ABC Color, o mais influente do Paraguai, consultou especialistas que afirmaram que o equipamento estava errado, ou seja, não tinha nenhuma função.

Pavão está condenado a quase 20 anos de prisão por narcotráfico em Santa Catarina e enfrenta um pedido de extradição feito pela Justiça brasileira.

Ele também é acusado pela polícia paraguaia de ter se associado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) para matar Jorge Rafaat Toumani, até então o chefe do crime organizado na fronteira. A intenção era assumir o controle do narcotráfico na linha entre Brasil e Paraguai.

Os advogados dele afirmam que Pavão corre risco de morte se não for internado em um local apropriado para fazer o tratamento, já que a cela em que está recolhido, na sede de um grupo de elite da Polícia Nacional, não possui tais condições.

A juíza Lourdes Scura, que analisa o pedido, já pediu a avaliação de uma junta médica antes de tomar a decisão. Ela já solicitou informações ao chefe do grupo de elite responsável pela custódia do narcotraficante sobre as condições de segurança para uma eventual transferência.

Uma noite basta – Além do equipamento errado, especialistas procurados por jornais paraguaios afirmam que basta uma noite de observação para definir o tratamento de uma pessoa que tem apneia do sono.

À rádio ABC Cardinal, o médico Luis Montaner disse que Pavão precisaria ficar apenas uma noite na clínica, para determinar que tipo de apneia ele sofre e definir o tratamento, que pode ser feito em qualquer lugar, com equipamento portátil.

Já a isquemia cerebral é tratada com remédios, segundo outros médicos, que pediram para não serem citados, temendo represálias.

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