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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

17/02/2016 15:17

Sem coleta de lixo, proliferação de mosquito causa surto dengue em aldeias

Com grande número de focos de Aedes aegypti verificado por agentes de saúde, mutirão contra a dengue foi ampliado na reserva

Helio de Freitas, de Dourados
Agente de saúde e soldado do Exército durante mutirão contra a dengue na reserva indígena (Foto: Divulgação)Agente de saúde e soldado do Exército durante mutirão contra a dengue na reserva indígena (Foto: Divulgação)

A infestação do mosquito Aedes aegypti provocada por motivos semelhantes aos encontrados nos bairros e por questões específicas do local causa preocupação na reserva de Dourados, a 233 km de Campo Grande. Formada pelas aldeias Jaguapiru e Bororó, a área tem a maior população indígena do país, com pelo menos 15 mil moradores.

Profissionais de saúde que trabalham com os terenas e guarani-kaiowá que povoam a reservam afirmam que nunca se viu tantas pessoas com sintomas de dengue como tem ocorrido desde outubro do ano passado e principalmente nas primeiras semanas deste ano. Enfermeiras ouvidas pelo Campo Grande News confirmam aumento dos casos suspeitos, mas não existe uma estatística específica de números da dengue nas aldeias neste ano.

Nesta semana, a força-tarefa montada pela prefeitura para combater a proliferação do mosquito transmissor da dengue, que transmite também a febre chikungunya e o zica vírus, chegou à reserva indígena e o trabalho que era para terminar ontem vai continuar até amanhã (18) devido à extensão da área, de 3.600 hectares, e por causa da grande quantidade de criadouros do mosquito encontrados nas aldeias.

Sem coleta de lixo e sem rede de água – A coordenadora do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), Rosana Alexandre da Silva, disse que a reserva tem os mesmos problemas dos demais bairros de Dourados, mas aponta como agravante o fato de as aldeias não terem água encanada e não contarem com coleta de lixo.

Sem a rede de água, os moradores estocam o líquido, o que poderia facilitar a proliferação do inseto, embora o mutirão desta semana não tenha encontrado larvas nesses recipientes, segundo a coordenadora. Mas é a falta de coleta de lixo que mais preocupa.

“Ainda não terminamos o mutirão nas aldeias, mas encontramos focos do mosquito no lixo e em recipientes jogados nos quintais, como acontece no perímetro urbano”, informou Rosana. Segundo a prefeitura, nos dois primeiros dias do trabalho foram encontrados 48 focos em 608 imóveis, índice de infestação de 7,58%, bem acima da média do restante do município, que era de 4,3% em janeiro deste ano.

Agentes de endemias do CCZ, equipes de limpeza da Secretaria de Serviços Urbanos, voluntários da ONG Observatório dos Direitos Indígenas, da Secretaria Especial de Saúde Indígena, soldados do Exército e lideranças indígenas participam do mutirão nas aldeias.

Além de visitar todas as casas, a força-tarefa inclui eliminação de criadouros do mosquito e aplicação de produto químico com fumacê para eliminar o mosquito adulto. Dez caçambas foram levadas para a reserva pela prefeitura para os moradores recolherem materiais que podem acumular água.

Casos não param de crescer – De acordo com números do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, de 1º de janeiro até esta semana foram notificados 1.362 casos suspeitos de dengue em Dourados, dos quais 507 já foram confirmados.

O número de notificações cresceu quase 40% em uma semana, já que até terça-feira passada (9) o total de casos suspeitos de dengue era de 981 na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul. Em 2015, Dourados teve 2.980 casos suspeitos de dengue e 1.425 confirmados.



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