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Campo Grande, Domingo, 18 de Agosto de 2019

01/08/2019 15:03

Sem receber da prefeitura, laboratório suspende atendimento amanhã

Empresa terceirizada que faz exames para Hospital da Vida e UPA tem quase R$ 1 milhão para receber da Fundação de Saúde

Helio de Freitas, de Dourados
Pacientes aguardam atendimento na UPA de Dourados; suspensão de serviços prejudica população (Foto: Divulgação)Pacientes aguardam atendimento na UPA de Dourados; suspensão de serviços prejudica população (Foto: Divulgação)

A crise financeira do município volta a ameaçar serviços essenciais para a população de Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande. Mais um fornecedor da Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde), que administra o Hospital da Vida e a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), promete suspender o atendimento por não conseguir receber pelos serviços prestados. A fundação faz parte da estrutura da prefeitura.

O Campo Grande News teve acesso nesta quinta-feira (1º) ao documento enviado pela empresa Health Labor Diagnóstica ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul informando sobre a suspensão dos serviços a partir das 6h desta sexta-feira (2) por causa do atraso de mais de cem dias no pagamento pelos serviços prestados.

A dívida chega a R$ 906,3 mil, segundo a empresa. São R$ 635,1 mil já em atraso e outros R$ 271, mil a serem pagos em agosto. O aviso sobre a paralisação dos serviços foi enviado também à secretária municipal de Saúde Berenice Machado de Souza, que acumula a função de interventora da Fundação de Saúde.

Contratada em 2017 pela Funsaud através de licitação, a Health Labor Diagnóstica é a segunda empresa a ameaçar suspender serviços por falta de pagamento.

No início de junho, a prefeitura teve de recorrer à Justiça para obrigar a Intensicare a continuar recebendo pacientes nos 20 leitos de UTI do Hospital da Vida. A empresa cobrava R$ 10 milhões em atraso. O prazo de 60 dias estipulado pelo juiz César de Souza Lima para a prefeitura resolver o problema termina na semana que vem.

Exames – Conforme o documento ao qual a reportagem teve acesso, o contrato entre a Funsaud e a Health Labor Diagnóstica é para atendimento de média e alta complexidade, com fornecimento de mão de obra especializada no hospital e na UPA. Por mês, a empresa faz uma média de 22 mil exames e 4.500 coletas, incluindo pronto atendimento adulto e pediátrico, área verde, área amarela, área vermelha e UTI.

Como não consegue receber, a empresa alega estar com as contas atrasadas, principalmente com fornecedores de insumos e aluguel de equipamentos utilizados no Hospital da Vida e na UPA.

“Há mais de dois meses a diretoria do laboratório solicita agenda para reunião com a secretária de Saúde Berenice Machado de Souza, mas sem sucesso. Após a intervenção da prefeitura na Funsaud [em junho deste ano] não houve nenhum posicionamento concreto para possíveis pagamentos”, afirma a Health Labor no documento.

Suspensão – Em decorrência da falta de cumprimento do contrato por parte da Funsaud, a empresa informou que a partir desta sexta-feira vai paralisar parcialmente os serviços de coleta, transporte e análises clínicas. O serviço será mantido apenas a pacientes da UTI, da Área Vermelha e casos de urgência e emergência no Hospital da Vida e na UPA.

“Mediante ao pagamento das notas fiscais em atraso superior a 90 dias, o serviço será normalizado”, afirma o documento assinado por Andréia Otaviani Di Pietro Queiroz, sócia proprietária do laboratório.

A reportagem procurou a secretária de Saúde, mas Berenice Machado de Souza ainda não se manifestou.

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