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Campo Grande, Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019

01/10/2019 15:41

Sem resposta da prefeitura, moradores bloqueiam rodovia há oito horas

“Não tem hora e nem dia para acabar, depende da prefeita”, afirma líder indígena; protesto cobra transporte de universitários

Helio de Freitas, de Dourados
MS-156 está bloqueada há quase oito horas entre Dourados e Itaporã (Foto: Adilson Domingos)MS-156 está bloqueada há quase oito horas entre Dourados e Itaporã (Foto: Adilson Domingos)

Já dura quase oito hortas o bloqueio da MS-156, em Dourados, as 233 km de Campo Grande. Moradores da reserva indígena protestam contra a suspensão pela prefeitura do transporte de 140 universitários que moram nas aldeias Bororó e Jaguapiru. Há um mês eles estão perdendo aula, segundo os moradores.

A rodovia estadual liga a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul a Itaporã, Maracaju, à região sudoeste do estado e serve de caminho alternativo para chegar à Capital.

“Não tem hora nem dia para acabar o bloqueio; depende da prefeita [Délia Razuk]”, disse há pouco ao Campo Grande News o capitão da Aldeia Jaguapiru, Isael Morales, o Neco. Segundo ele, a negociação não avançou. “Tentaram nos enrolar”.

A rodovia foi bloqueada antes das 8h. Por volta de 10h, os moradores recusaram convite da prefeita para negociação na sede da prefeitura e cobram a presença de representantes do município no local do protesto. Entretanto, ninguém da prefeitura foi até eles.

Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura informou de manhã que não tem obrigação de transportar universitários, pois o dinheiro que vem do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) é para a educação básica.

O secretário de Educação Upiran Jorge Gonçalves considera inconstitucional a lei municipal 3.870, em vigor desde fevereiro de 2015, que autoriza o município a transportar estudantes da zona rural e dos distritos, matriculados no ensino superior e escolas técnicas.

Desde o ano passado a prefeitura enfrenta dificuldade para manter a parte do transporte estudantil que cabe ao município.

A maioria dos estudantes da zona rural é transportada por empresa terceirizada, mas a prefeitura mantém frota própria de 15 ônibus para atender os universitários indígenas e estudantes que moram em sitiocas e bairros distantes do centro.

Entretanto, devido à crise financeira que todos os meses afeta até o pagamento dos servidores, a prefeitura não consegue fazer a manutenção dos ônibus próprios e constantemente o serviço é paralisado.

Em agosto, Upiran Jorge Gonçalves chegou a anunciar que a prefeitura não faria mais o transporte dos alunos do ensino básico que moram nas sitiocas, mas após protestos dos moradores, a prefeitura recuou e manteve o serviço.

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