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Interior

Traficante da fronteira abriu padaria para lavar dinheiro das drogas

Alvo de duas ações anteriores, Alex Benitez Gamarra foi um dos presos na Operação Fornax, da Polícia Federal

Por Helio de Freitas, de Dourados | 14/05/2026 15:25
Traficante da fronteira abriu padaria para lavar dinheiro das drogas
Viatura da PF em um dos endereços onde foram cumpridos mandados, em Ponta Porã (Direto das Ruas)

Preso terça-feira (12) na Operação Fornax, da Polícia Federal, e apontado como o principal chefe do esquema de tráfico internacional de drogas do Paraguai para o Brasil, Alex Benitez Gamarra era dono de uma padaria na Avenida Brasil, na área central de Ponta Porã, cidade a 313 km de Campo Grande e separada por uma rua de Pedro Juan Caballero.

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Alex Benitez Gamarra, apontado como principal chefe de esquema de tráfico internacional de drogas do Paraguai para o Brasil, foi preso na Operação Fornax da Polícia Federal. Ele usava uma padaria e academias de ginástica em Ponta Porã para lavagem de dinheiro. No total, 10 dos 13 mandados de prisão preventiva foram cumpridos, e três alvos seguem foragidos.

Investigações iniciadas após a apreensão de quase duas toneladas de maconha em um entreposto da organização em Ponta Porã, em 2023, revelaram que a padaria, assim como várias outras empresas, era usada para lavagem de dinheiro oriundo da venda de maconha e cocaína.

Alvo das operações Maximus, da Polícia Civil de Mato Grosso em junho de 2024 e segunda fase da Last Chat, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), em novembro de 2025, Alex Benitez Gamarra é apontado pela Polícia Federal como um dos líderes da organização criminosa.

Dentro da quadrilha, era chamado de “Frango” e “Fufuxo” e possuía contato direto com outro alvo da operação, Eliseo Benitez Céspedes, tio de Alex também preso na operação de terça-feira.

Também foram encontradas anotações em celulares apreendidos pela Polícia Federal com referência ao “Grupo Gamarra Empresas". Além da padaria, Alex Benitez Gamarra teria utilizado academias de ginástica em Ponta Porã e outras cidades para ocultar dinheiro do tráfico.

“A utilização de alcunhas distintas em diferentes contextos e interlocuções evidenciaria cautela deliberada do investigado para dificultar sua identificação pelas autoridades, prática compatível com sua possível posição de liderança na organização e com o padrão de comportamento verificado em relação a outros integrantes da cúpula do grupo”, afirma trecho da decisão da Justiça Federal que decretou os 22 mandados de prisão, 47 de busca e apreensão e 12 ordens de bloqueio de ativos financeiros.

Segundo o documento, a análise do conteúdo de celulares apreendidos em ações contra a organização ao longo dos últimos três anos mostrou diálogos em que Gamarra transmitia instruções a outros integrantes do grupo, entre eles Eliseo Céspedes.

“O teor demonstraria inequívoca ascendência do investigado sobre seu tio, transmitindo instruções sobre a atividade ilícita e determinando pagamentos aos integrantes operacionais do grupo”, afirma o despacho.

Registros de agenda, comprovantes de pagamento, fotografias e diligências de campo apontaram Alex Gamarra como o epicentro das operações. A padaria dele foi relacionada diretamente à primeira apreensão de maconha, que desencadeou as investigações, e o estabelecimento logo depois encerrou as atividades, embora ainda apareça no sistema de consulta como CNPJ ativo.

Vigilância policial confirmou a presença de integrante da organização nas dependências do estabelecimento em circunstâncias suspeitas.

“Os deslocamentos de Alex Benitez Gamarra a outros estados, em companhia de Edison Luiz Figueiredo Carvalho e de Alan Ademir Percecepe (os dois também presos nesta semana), indicariam possível articulação com estruturas criminosas externas”, afirma trecho da decisão judicial. Segundo a investigação, interceptações telefônicas mostraram que Gamarra negociou droga e manteve contato com compradores mesmo durante o período em que esteve preso.

A operação

Dos 13 mandados de prisão preventiva expedidos no âmbito da Operação Fornax (forno, em latim), 10 foram cumpridos contra Alex Benitez Gamarra, Maria Aparecida Gomes Moraes, Edson Benitez, Alan Ademir Percecepe, Jorge Luis Gonzalez Silva, Jederson Miranda Perez, Dalsa Maria Paiva Flores Ribeiro, Francivaldo Barros de Lima, Edison Luiz Figueiredo Carvalho e Eliseo Benitez Céspedes.

Os três com prisão preventiva considerados foragidos são Reidner Ferreira Rodrigues, Hywulysson Foresto e Wanderson Brites Diniz. Os dois primeiros trabalhavam para Alex Gamarra e Wanderson é apontado como fornecedor de cocaína.

Dos 9 mandados de prisão temporária, 6 foram cumpridos contra Selma Nunes Roas, Alexssandro Pereira da Silva, Gabriel Rios Mendonça, Rafael de Araujo Silva, David Nogueira França e Luciano de Oliveira Teodoro. Três alvos não foram localizados: Mateus Lima da Cunha, Cristian Cuevas Duarte e Rafael Ruano Moreno.

Mateus da Cunha integra o núcleo operacional; Cristian Cuevas Duarte é apontado como fornecedor de maconha a partir de Capitán Bado (Paraguai); e Rafael Ruano Moreno, de São Paulo (SP), é apontado como um dos destinatários da droga.

Os chefes da quadrilha, segundo a Polícia Federal, são Alex Benitez Gamarra, Jederson Miranda Perez e Alan Ademir Percecepe. Alex foi preso em Ponta Porã, Alan em Balneário Camboriú (SC) e Jederson em Maracaju. Existem indícios de ligação da organização com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Os mandados foram cumpridos em Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Maracaju e Campo Grande; em Lucas do Rio Verde (MT) e Cuiabá (MT), em Uberaba (MG), em Balneário Camboriú (SC), em São Paulo (SP), em Guarujá (SP) e Fernandópolis (SP).

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