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Interior

Tutor de cão agredido, influencer questiona: “E se não viralizasse?”

Vincent diz que Ravi chegou assustado à veterinária e recebeu novos relatos de possíveis maus-tratos no local

Por Bruna Marques | 06/10/2026 08:05


RESUMO

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O tutor do cão Ravi, o influenciador Vincent Lacerda, de 30 anos, decidiu levar adiante o caso de agressão ao animal no Hotelzinho Peludos Resort, em Bonito, após receber novos relatos sobre o local. A responsável alega que tentava separar uma briga com um Yorkshire, que morreu. Segundo o tutor, não havia sinais de briga em Ravi. A Polícia Civil não viu elementos de maus-tratos no caso, e outra denúncia, sobre o cão Manjericão, será verificada.

“E se não tivesse viralizado?” É a pergunta que o tutor de Ravi, Vincent Lacerda, comunicador e influencer de 30 anos, passou a fazer após descobrir que o cachorro havia sido agredido dentro do Hotelzinho Peludos Resort, em Bonito, a 297 quilômetros de Campo Grande. Na manhã desta terça-feira, ele afirmou ao Campo Grande News que decidiu levar o caso adiante após receber novos relatos relacionados ao estabelecimento.

“Porque agora não é sobre o Ravi. É sobre a conduta e os possíveis maus-tratos vivenciados nesses locais através dessas ‘profissionais’”, afirmou.

Vincent soube do episódio na sexta-feira, horas depois de o vídeo começar a circular. Na manhã de sábado, publicou no Instagram o primeiro vídeo sobre o caso, que alcançou cerca de 900 mil pessoas. No domingo, voltou a se manifestar após assistir ao vídeo da responsável pelo estabelecimento, Ana Carla Leite, no qual ela apresentou sua versão para o ocorrido.

Segundo o tutor, foi depois dessa segunda publicação que começaram a chegar novos relatos. “Com o vídeo de domingo eu começo a receber muitos relatos envolvendo não só a atuação do hotel/creche, mas também de uma pessoa próxima que tem histórico de possíveis maus-tratos, maus-tratos esses que já levaram a óbito de animais”, relatou.

 Tutor de cão agredido, influencer questiona: “E se não viralizasse?”
Ravi, cão que foi agredido dentro de um hotel para animais em Bonito (Foto: Arquivo pessoal)

Ravi frequentava o espaço desde os três meses de idade e já tinha mais de um ano. O estabelecimento oferece serviços de creche e hospedagem. Há menos de um mês, Vincent se mudou para Niterói (RJ), mas decidiu manter o cachorro em Bonito enquanto providenciava a documentação necessária para levá-lo em uma viagem interestadual.

A escolha, segundo ele, ocorreu porque o animal já conhecia o ambiente e as pessoas responsáveis pelos cuidados.

“Ele frequenta esse espaço desde os três meses e já está com mais de um ano. Nunca chegou até mim, por meio dos tutores que frequentaram esse espaço, qualquer relato de que ele tivesse algum sinal de agressividade ou que, de algum modo, gerasse algum tipo de problema para eles. Muito pelo contrário: eu sempre tive feedbacks maravilhosos sobre a postura dele no local".

Enquanto organizava a viagem, o tutor preferiu manter Ravi no estabelecimento para evitar um deslocamento que, segundo ele, poderia ser mais desgastante para o animal.

“Eu queria fazê-la da melhor maneira possível para que ele não sentisse tanto o trajeto, optei por deixá-lo lá, já que ele conhecia os tutores e o espaço".

Vincent também ressaltou que Ravi sempre teve acompanhamento veterinário desde as primeiras vacinas e foi adestrado desde pequeno. Na sexta-feira, ele recebeu as imagens de pessoas que reconheceram o cachorro e sabiam que ele estava hospedado no local.

“Eu não fui avisado de nada. Fui pego desprevenido por várias pessoas que me encaminharam o vídeo e entraram em contato preocupadas, porque sabiam que ele estava lá".

Depois de identificar o animal, Vincent procurou a proprietária do hotel em busca de esclarecimentos e pediu que uma amiga de confiança fosse ao estabelecimento para retirar Ravi e levá-lo imediatamente a uma veterinária.

“Em pouquíssimo tempo, pessoas da minha confiança foram buscá-lo e o levaram até a veterinária. Ele chegou muito assustado, com medo e com uma postura muito estranha, porque o Ravi sempre foi muito sossegado, brincalhão e ativo".

Ravi foi medicado e, segundo o tutor, está bem. Profissionais também passaram a acompanhar o caso, enquanto as autoridades foram acionadas para apurar os fatos.

Versão sobre briga — Após a repercussão das imagens, Ana Carla afirmou que tentava separar Ravi de um Yorkshire chamado Kowalski, pertencente à família dela. Segundo a versão apresentada, os dois animais estariam envolvidos em uma briga.

Vincent afirma, porém, que a família não recebeu qualquer comunicação sobre a suposta ocorrência antes da divulgação do vídeo.

“Existe uma versão de que o Ravi atacou outro cachorro e que esse cachorro em questão veio a óbito. O fato é que ninguém foi comunicado sobre isso. Só soubemos dessa versão quando o vídeo tomou uma proporção muito grande na cidade".

Apesar de questionar a dinâmica apresentada, o tutor diz prestar solidariedade à família do outro animal.

“Independentemente de tudo, eu quero prestar minha solidariedade à dona dessa cachorrinha. O que eu sei é que nada, neste mundo, nada vai justificar tamanha agressividade".

Segundo Vincent, a responsável pelo hotel contou que estava em uma festividade quando recebeu uma ligação de uma pessoa que permanecia no estabelecimento. Ela teria deixado o evento e ido até o local, onde uma terceira pessoa conseguiu registrar a agressão.

Para o tutor, o episódio também levanta dúvidas sobre a preparação do estabelecimento para lidar com possíveis conflitos entre os animais.

“E a pergunta que fica é: não havia ninguém preparado para agir caso ocorresse qualquer tipo de situação naquele local, uma vez que existem vários outros cachorros? Hotel é pago. O mínimo que a gente espera é segurança”.

Outra justificativa apresentada pela responsável foi a de que Ravi obedeceria somente a comandos em alemão. Vincent contesta o argumento e afirma que a equipe conhecia o cachorro havia anos.

“Como eu falei, o Ravi frequentava a creche desse mesmo lugar. A dona, a pessoa que aparece no vídeo agredindo-o, o conhecia desde os três meses, sabia todos os comandos, e nada, em hipótese alguma, justifica essa atitude".

 Tutor de cão agredido, influencer questiona: “E se não viralizasse?”
Vincent Lacerda, tutor de Ravi, aparece com o cachorro em registro feito antes do episódio de agressão que veio à tona nas redes sociais (Foto: Arquivo pessoal)

Vincent também questiona as condições em que Ravi foi encontrado depois que uma amiga foi buscá-lo. Segundo ele, o cachorro chegou à veterinária com fome, sede, sujo e assustado.

“Nesse contexto, somente após a repercussão do vídeo, ao entrar em contato com a dona do estabelecimento, o Ravi foi entregue. Pessoas da cidade a viram numa festividade no centro de Bonito após o evento do vídeo viral, bebendo. Fato é que o Ravi chegou com muita fome, sede e com medo na veterinária.”

O tutor afirma ainda que o laudo veterinário não apontou elementos que, segundo ele, comprovassem a versão apresentada pela responsável pelo estabelecimento. “O Ravi estava sem resquícios de briga ou sangue.”

Vincent também questiona imagens divulgadas nas quais Kowalski aparece sem vida. Segundo ele, Ravi estava próximo ao animal e não apresentava sinais aparentes de agitação ou vestígios de sangue.

“Foram divulgadas imagens em que aparece o Kowalski sem vida. Só que existe um detalhe muito grande: o Ravi está ao lado, sem nenhum resquício, sem nenhuma agitação, tranquilo. É esse cachorro que teria atacado o Kowalski?”

O tutor afirma que, após o episódio, ninguém entrou em contato com ele para informar o que havia acontecido. “Depois das cenas que a gente viu nesse vídeo, ela retorna para a festa como se nada tivesse acontecido. Ninguém se preocupou em avisar nada".

Ao conseguir retirar o cachorro, Vincent voltou a procurar a responsável pelo estabelecimento. “Liguei para a dona do lugar, que, novamente, estava na festa. Só naquele momento ela disse, superficialmente, o que havia acontecido".

Para Vincent, a sequência dos acontecimentos ainda apresenta pontos que precisam ser esclarecidos. Entre as dúvidas está o que teria ocorrido caso as imagens não tivessem chegado às redes sociais.

“Como é possível um cachorro agredir outro e chegar a tal fatalidade sem nada? Os horários não batem. O relato do outro lado está cheio de brechas, porque eu fico me questionando a todo momento: e se o vídeo não tivesse viralizado? E se ninguém soubesse desse fato? Isso ia continuar?”

Com os novos relatos recebidos após a repercussão do caso, Vincent afirma que a questão deixou de envolver apenas o episódio com Ravi.

“Estamos com profissionais tomando frente. O resto deixaremos as autoridades cuidarem. Porque, de novo, não é mais sobre apenas o acontecimento com o Ravi. É sobre tudo que está ocorrendo lá".

Ao final, o tutor disse que pretende acompanhar o caso, mas deixar a investigação e as medidas necessárias sob responsabilidade das autoridades.

“O Ravi teve sorte. O que a gente sabe são esses fatos que eu trouxe aqui. E eu vou, sim, até o fim para saber o que aconteceu. Nesta semana, ele vai chegar aqui. Agora eu vou deixar que as autoridades tomem frente em tudo isso".

Outra situação - O caso de Manjericão, um cão da raça Akita, de 4 anos, veio à tona após a repercussão das imagens envolvendo Ravi. A tutora, a empresária Muriel Xavier, recebeu um vídeo no qual o animal aparece dentro do mesmo Hotelzinho Peludos Resort sendo segurado pelas orelhas enquanto uma monitora coloca um adereço em seu pescoço. Durante a gravação, Manjericão se desequilibra e cai de uma plataforma de madeira. Na sequência, a mulher o segura por uma das patas dianteiras, o puxa pelo pescoço para fazê-lo subir novamente na estrutura e dá um tapa na lombar do animal.

Manjericão e outro cachorro de Muriel frequentavam o estabelecimento desde junho de 2025, principalmente quando ela precisava viajar. Segundo a tutora, a confiança no local fazia com que deixasse os animais ali acreditando que estariam seguros e bem cuidados.

“Na hora que eu vi, fiquei em choque. Vi alguém batendo no meu cachorro para tirar uma foto, porque sempre faziam, fotos de Carnaval, Páscoa, fotos temáticas. E aí eu fico me perguntando se isso aconteceu outras vezes”, relatou Muriel ao Campo Grande News.

Investigação - A Polícia Civil informou ao Campo Grande News que, até o momento, recebeu na Delegacia de Bonito o registro referente ao caso de Ravi. A ocorrência foi registrada em 3 de outubro, após a Polícia Militar Ambiental receber denúncias e um vídeo que circulava nas redes sociais mostrando uma mulher agredindo um cachorro dentro de um estabelecimento de hospedagem para animais.

Inicialmente, o caso foi registrado como maus-tratos. A mulher que aparece nas imagens foi identificada e conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos. Segundo a versão apresentada aos policiais, ela seria cuidadora dos animais e tentava separar uma briga entre Ravi, um Pastor Australiano, e um Yorkshire. Durante o episódio, o cão de menor porte morreu.

Após analisar as imagens e as circunstâncias relatadas, o delegado responsável entendeu que a conduta da cuidadora tinha como finalidade separar os animais e impedir que o Yorkshire continuasse sendo atacado. Dessa forma, naquele momento, não foram identificados elementos suficientes para caracterizar crime de maus-tratos e ela não foi presa.

Já sobre o caso envolvendo Manjericão, um Akita de 4 anos, a Polícia Civil informou que a situação será verificada para saber se houve registro da ocorrência e quais providências poderão ser adotadas.

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