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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

17/02/2011 08:42

Médicos criticam veto a medicamentos emagrecedores

Agência Brasil

A proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de tirar do mercado os medicamentos mais usados para emagrecer não foi bem recebida por entidades que representam especialistas em tratamentos de obesidade. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Ricardo Meirelles, o tratamento contra a obesidade será prejudicado no país caso a proposta da agência vire norma. “Vai afetar alguns obesos. Eles vão ter uma porta fechada. Não temos uma alternativa no mercado”, disse o endocrinologista.

A Anvisa quer proibir a venda de inibidores de apetite à base de sibutramina e de anfetaminas (anfepramona, femproporex e mazindol), porque, segundo a agência, apresentam mais risco à saúde do que benefícios. Com base em dados internacionais e em um parecer técnico, a agência reguladora alega que o uso da sibutramina eleva o risco de problemas cardíacos, enquanto as anfetaminas aumentam as chances de problemas cardiopulmonares e no sistema nervoso central.

Outro argumento é que a sibutramina contribui pouco para a perda de peso dos pacientes. “Em nenhum grupo de pacientes, o benefício foi justificável para o uso”, afirmou o presidente em exercício da Anvisa, Dirceu Barbano. Barbano disse ainda que esses remédios foram proibidos na Europa e nos Estados Unidos.

O presidente da Sbem rebate alegando que os médicos têm conhecimento das contraindicações dos remédios, que não devem ser usados por quem sofre de doenças cardiovasculares. No entanto, conforme ele, os medicamentos ajudam na redução do peso quando prescritos de forma adequada. “Desde que sejam prescritos com critério e cuidado, são muito úteis”, disse.

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) classificou como um retrocesso a ideia da Anvisa. “O uso criterioso de medicações antiobesidade claramente contribui para a melhora da saúde dos pacientes, auxiliando-os na perda de peso, reduzindo o aparecimento das complicações. Com a suspensão destes medicamentos, os custos da saúde para o governo vão aumentar exponencialmente, num futuro muito próximo. Além da necessidade de aumentar a oferta de medicamentos para as complicações da obesidade, o Ministério da Saúde vai ter que arcar com o custo de cirurgias bariátricas que, certamente, terão seu leque de indicações ampliado”, disse, por meio de nota, a presidente da associação, Rosana Radominski.

Na próxima quarta-feira (23), a Anvisa vai promover uma audiência pública para debater o assunto. Depois do debate, a agência tomará uma decisão. Desde o ano passado, a Anvisa tem adotado medidas para restringir o uso da sibutramina, que passou a ser vendida somente com receita especial. Ao fechar o cerco aos inibidores de apetite, a agência segue ações já tomadas por países desenvolvidos. Em 2010, a Agência Europeia de Medicamentos proibiu o uso da substância por considera-lá perigosa à saúde.



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