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Cidades

Menina de 5 anos que perdeu a visão parcial leva "calote" da Prefeitura

Por Mariana Lopes | 26/11/2013 14:59
O acidente ocorreu na escola municipal Bernardo Franco Baís, durante horário de aula (Foto: João Garrigó)
O acidente ocorreu na escola municipal Bernardo Franco Baís, durante horário de aula (Foto: João Garrigó)

Uma menina de 5 anos, aluna do Jardim II, da Escola Municipal Bernardo Franco Baís, em Campo Grande, perdeu a visão ao furar o olho direito em uma cerca danificada que fica no pátio do colégio. Desde o dia do acidente, que ocorreu em 28 de agosto deste ano, ela teve que passar por três cirurgias, totalizando um custo de quase R$ 20 mil, e a família não recebeu nenhum auxílio da Prefeitura.

De acordo com o advogado da família, que preferiu não se identificar, a menina brincava com outras colegas no pátio da escola, durante intervalo de aula, quando esbarrou o rosto em uma cerca de arame que estava danificada e tinha uma ponta aguda sobressalente. A criança furou o olho e teve que ser socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Ela foi encaminhada para a Santa Casa, onde passou pela primeira cirurgia, a qual foi realizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e não teve custos. A operação foi feita no mesmo dia, algumas horas após o acidente.

Contudo, a aluna precisaria passar ainda por mais cirurgias. A próxima seria a de preservação do globo ocular, que, segundo advogado, há apenas dois médicos em Campo Grande que fazem este procedimento, sendo que ambos atendem somente no particular.

De acordo com o relato da mãe da criança, que consta no Termo de Declaração feito em uma sindicância da Prefeitura, o secretário municipal de Educação, José Chadid, esteve no hospital no dia seguinte à cirurgia e prometeu dar o apoio necessário à família.

Ainda conforme a declaração da mãe, o secretário encaminhou a criança a um dos médicos competentes para realizar a cirurgia do globo ocular e garantiu que a Prefeitura arcaria com as despesas das cirurgias e de todo o tratamento da criança.

O primeiro ultrassom feito foi, inclusive, acompanhado por uma assistente social da Semed (Secretaria Municipal de Educação), segundo o relato da mãe. À família também foi prometido auxílio com cestas básicas, medicamentos e acompanhamento psicológico. Mas nada foi cumprido até o momento.

A terceira e última cirurgia que a criança passou foi para retirar um ponto e custou R$ 2,5 mil, bancada por doações de amigos. Na declaração, a mãe afirma que não tem condições de arcar com todo o tratamento da filha. Ela e o marido são autônomos e trabalham com prestação de serviços.

De acordo com o advogado, a menina terá que passar por mais cirurgias ainda. “A família só quer um tratamento digno para a criança, com auxílio ao tratamento”, afirma o advogado.

O vereador Mário César (PMDB), presidente da Câmara Municipal, encaminhou um ofício à Semed e à Sesau solicitando explicações do caso, mas não obteve resposta.

A menina usa um tampão no olho e já voltou a estudar. Ela continua na escola Bernardo Franco Baís, a qual a mãe solicitou mais estrutura na área de lazer das crianças e também que seja aumentado o número de monitores para cuidar dos alunos, já que a escola tem apenas um.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura para esclarecer a situação, mas não obeteve resposta até o fechamento desta matéria.

Ajuda - Para ajudar com os gastos que a Prefeitura teria que arcar, a família irá promover um churrasco no dia 8 de dezembro, a partir das 11h30. O almoço será na comunidade Santa Terezinha do Menino Jesus, localizada na rua Ceres, 208, bairro Marcos Roberto, na Capital. Para adquirir o convite ou obter mais informações, o telefone é (67) 9261-2421.

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