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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

15/12/2009 17:48

Moradores vivem "ilhados" em rua tomada por matagal

Redação

Moradores da rua Jandi, no bairro Vespasiano Martins, em Campo Grande, estão praticamente ilhados porque após o matagal e a lama tomarem conta da via, veículo nenhum passa pelo local, nem mesmo o da coleta de lixo.

Com trombose na perna esquerda, o aposentado Enio Campaia Escobar, de 73 anos, tem que capinar a frente de casa para que o acesso não desapareça.

Ele conta que até a patrola que esteve na área há cerca de 20 dias ficou atolada. "Depois disso não voltou mais aqui", diz.

Enio lembra que há um ano a mulher quebrou o joelho e teve que ser socorrida, mas o atendimento não conseguiu chegar à casa. "Para nós tirarmos ela daqui tivemos que carregar nas costas até o asfalto", lembra.

A esposa dele, Derci Vargas Campaia, de 64 anos, reclama que nem mesmo o gás de cozinha é entregue na porta da casa e a coleta de lixo também já não passa pelo local, há pelo menos dois anos.

"Ninguém passa, ninguém sai", diz. Há alguns dias Derci tentou sair de casa, quando baixou a água da chuva que havia invadido o quintal, mas não conseguiu andar pela rua e caiu na lama. "Fico presa aqui", completa.

O casal mudou-se para a área há cerca de três anos, vindo de Guarulhos (SP) e pensa até em retornar para lá por conta da falta de infra-estrutura no bairro em que vive.

"Daqui a uns dias vão ter que pegar a gente de avião para nos tirar daqui", desabafa a dona-de-casa Amélia da Silva, de 50 anos, que mora na esquina da rua Jandi com a Flória Benitez de Eugênio.

O marido de Amélia, José Lopes, de 51 anos, revela que não é possível nem transitar pela via tomada pelo matagal. "Aí aparece até lobinho (lobo-guará). Tem um que sempre vem para comer as galinhas", conta.

Risco - A explicação do aposentado Enio para o problema é que a rua onde mora é a última do bairro e por isso recebe toda a água que escoa das demais vias do Vespasiano Martins. Com a enxurrada fica lixo acumulado no mato, o que facilita a presença do mosquito da dengue.

Dois dos cinco filhos da dona-de-casa Luciléia Brites Loureno Lopes, de 32 anos, que também vive na rua Jandi, já pegaram dengue. Um deles tem apenas um ano de idade, e ela tem receio de que os demais também fiquem com a doença, que atribui às condições precárias da rua.

"A água e o matagal podem acumular lixo. Deve estar cheio de larvas aí", afirma.

Derci também já pegou dengue, há um ano, e conta histórias de pelo menos outros três vizinhos na mesma rua que têm o problema.

Segundo a Prefeitura, não há projetos de asfalto previstos para o bairro Vespasiano Martins.

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