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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

20/11/2013 11:39

Negros já contabilizam conquistas, mas ainda sofrem com preconceito

Luciana Brazil e Viviane Oliveira
Sobrinho de Tia Eva, seu Otávio lamenta a falta de incentivo. (Fotos:Marcos Ermínio)Sobrinho de Tia Eva, seu Otávio lamenta a falta de incentivo. (Fotos:Marcos Ermínio)

No dia da Consciência Negra, comemorado hoje (20) em todo país, conquistas já podem ser celebradas, mas ainda há muito com o que se preocupar. Entre vitórias e lutas, os negros e afro-descendentes ainda sofrem com o racismo, com a desigualdade e com a cruel diferença imposta pela história do país.

Em Mato Grosso do Sul, onde 4,6% da população é negra, a realidade não é diferente. O povo se alegra com a inclusão na sociedade e com o reconhecimento, apesar de muitas vezes este ser tímido. Porém, 125 anos após o fim da escravidão, ainda é comum se deparar com o desrespeito e com a indiferença diante da raça.

O presidente do Conselho Estadual dos Direitos dos Negros de Mato Grosso do Sul, Carlos Alberto da Silva Versoza, classifica o momento da história como “fruto de muitas lutas”, mas ressalta que o reconhecimento do povo negro é “ínfimo”, diante da contribuição dada pelos mesmos.

“A luta começou no período colonial, mas as conquistas só começaram a se concretizar na época da república. Ainda tem muita coisa que precisa ser feita”.

O brasileiro não se admite preconceituoso, aponta Carlos. “Diz que não tem preconceito, mas diz: ‘só não gosto...’. É difícil”, ri o presidente.

A implementação definitiva da lei que institui na educação escolar o estudo da cultura negra e afro brasileira é uma das ambições atuais dos representantes dos negros no país.

“Isso traria uma mudança de olhar, mostrando os valores e a contribuição dada pelo povo. A lei existe há 10 anos, mas falta vontade política dos governantes para que ela seja praticada. Material tem. Existem muitas pesquisas referentes a isso”, frisa Carlos.

Ao falar em discriminação, Carlos explica que o racismo se transforma em intimidação, levando o descriminalizado a se sentir acuado, ou até culpado. “O racismo é um crime perfeito porque acaba vitimizando o descriminado. Ele se sente tão intimidado que não expõe a discriminação e muitas vezes até se sente culpado”.

Porém, ele acredita que em Mato Grosso do Sul, os negros estejam superando o medo. “Antes não havia queixas de racismo. Hoje, já temos duas queixas. Isso significa que o negro está vencendo e se sentindo menos acuado”.

Dos mais de 2 milhões de habitantes no Estado, 120.096 pessoas são negras. Campo Grande detém a maior parte dos habitantes negros, 42.347 vivem na Capital.

Lucia diz que o chicote ainda existe, mas de outras formas.Lucia diz que o chicote ainda existe, mas de outras formas.

A titulação de terras quilombolas no Estado está entre os objetivos de conquista dos negros. Segundo Carlos, são 21 comunidades em Mato Grosso do Sul- (Furnas do Dionísio, em Jaraguari, Furnas da Boa Sorte, em Corguinho, Chácara Buriti, em Anahanduí, e São Miguel, em Maracaju) porém, apenas quatro foram tituladas pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

“A titulação garante benefícios e permite que eles tenham acesso a crédito, mini-créditos, assim como os indígenas. Essas terras são onde os quilombos se agrupavam ou fugindo da escravidão ou pós- escravidão. E existem os descendentes que vivem nessas terras”, explicou Carlos.

Ao falar sobre cotas para negros em concursos, instituições de ensino e outros, Carlos garante que se trata de uma redimição de erros cometidos pelo Estado maior, a Nação.

“O estado brasileiro errou, cometeu muitos erros. O Brasil foi o último país a abolir a escravidão na América do Sul. As cotas são um forma de redimir o erro”, afirmou.

“Tratar o desigual de forma desigual garante que este possa ter oportunidade”, finalizou.

Usando os ensinamentos da mãe ele diz que “a gente precisa dar nossos pulos e tocar a vida”. “O racismo é muito ruim para quem passa. É uma dor muito grande”, lamenta.

Há 10 anos, as cotas foram implantadas nas universidades do país. No ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) considerou a lei como constitucional.

Negro: “Muita coisa já mudou. Já conquistamos nosso espaço. Mas todo dia o negro precisa provar que é capaz. O chicote não á mais aquele que todo mundo conhece, mas ele existe e está escondido”, disse a presidente da Associação dos Descendentes da escrava Tia Eva, Lucia da Silva, 50 anos.

Ela lembra ainda que o negro está inserido de alguma forma na sociedade. “Em todas as profissões tem um negro. Isso mostra nosso valor”.

O bisneto da Tia Eva, Otávio Gomes de Araújo, 76 anos, lamenta a falta de incentivo e diz que muitos jovens negros continuam fora da escola. “A questão do preconceito não mudou”, afirma.

O Dia da Consciência Negra é celebrado na morte de Zumbi dos Palmares, líder negro que morreu em 1695. 

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O que mais me impressiona é a força, a resistência e a fé inabalável desse povo, que foi jogado na rua com a roupa ou melhor, com os panos de corpo. Lutaram e estão lutando pelo seu lugar na sociedade, SEM INVADIR terra alheia . Ainda teremos um presidente da república negro, podem apostar.
 
rodolfo de toledo em 20/11/2013 16:55:19
Sou guerreiro do
quilombos quilombola

Eu sou nego dos Bantos
de Angola

Nego Nago


Fomos trasido pro Brasil
minha familia separou,

Minha mãe ela foi vendida
pra fazenda de um senhor,

O meu pai morreu no
tronco no chicote do feitor,

Meu irmão não tem a orelha
porque o feitor arrancou,

Na mente trago tristes e no
corpo dor,

Mas olha um dia pro
quilombo eu fugi,

Com muita luta e muita
garra mim tornei um
guerreiro de Zumbi,

Ao passar do tempo pra
fazenda retornei,

Soltei todos os escravos e
a senzala eu queimei,

A liberdade nao tava
escrito em papel,

Nem foi dado por
princesa cujo nome
Isabel,

A liberdade foi feito com
sangue e muita dor,

Muitas lutas e batalhas foi
o que nos libertou,


Sou guerreiro do
quilombos quilombola


Eu sou nego dos Bantos
de Angola
Nego N..

(m barr)
 
Suzi da Costa em 20/11/2013 16:43:26
Não concordo com o Sr Otávio, os negros estão fora da escola por causa do preconceito, não é verdade, trabalho em escola e hoje não é como a anos atrás, todos são tratados com respeito e igualdade sim e hoje qualquer tipo de perseguição é punida, agora o que dizer de negros famosos (jogadores, cantores) que ao enriquecerem separam-se de suas esposas negras e se casam com modelos loiras? Isso é o pior tipo de preconceito deles contra eles mesmos, vejam jogadores e contem quantos deles se casam com loiraças, as desigualdades e preconceitos nesse país estão muto além da cor da pele, índios, negros, gays, obesos, nordestinos etc a sociedade tem que se ver como um todo e parar de olhar para o próprio umbigo.
 
Anna Gonçalves em 20/11/2013 15:04:10
O Brasil, de 1.500 a 1888, “importou” cerca de 4.500.000 negros. Todo este contingente de pessoas que, à época, sequer pessoas eram consideradas, já que eram tidas como coisas, contribuiu graciosamente com a economia brasileira. Foi o trabalho desse povo ao longo dos anos que trouxe riquezas a este país de forma gratuita, sem um centavo pela contraprestação do serviço prestado. Mas, a pior herança, a herança maldita que a escravidão deixou aos negros, foi a inconsciência negativa de que o negro não era capaz à atividade intelectual, por exemplo. Esta praga, ao longo dos anos, deixou o negro submisso à sua própria inconsciência, a de ser incapaz às atividades mais nobres da sociedade, o que lamentavelmente perdura aos dias atuais.
 
Eduardo Silva em 20/11/2013 14:08:16
Abadá Capoeira

Antigamente
o negro era acorrentado
vivia escravizado
sem ter paz na sua vida
E de repente
acabava a escravidão
o negro é solto em liberdade
sem ter muita informação
Mas e agora
o que é que eu vou fazer
eu tenho que sobreviver
e não sei ler nem escrever
Vou trabalhar no cais
para o meu filho estudar
quem sabe algum dia
conseguir se afirmar
Depois de tanto sofrimento
vejo que tudo foi em vão
pois o negro é mau olhado
pela discriminação
Ô vejam só a minha terra
que eu não tenho mais direito
esse tal de Apartheid
só aumenta o preconceito
Isso que é a liberdade
a maneira de dizer
eu agora sou escravo
de um outro tipo de poder
 
rodolfo de toledo em 20/11/2013 13:53:12
"PRETO É COR, NEGRO É RAÇA" NA VERDADE TODOS OS DIAS DEVEMOS TER ESTA IMPORTANTE CONSCIÊNCIA .
 
JEFFERSON DIAS em 20/11/2013 13:32:39
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