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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

28/05/2009 20:50

População reclama que nem sinalização segura motoristas

Redação

Com quatro mortes por atropelamento registradas apenas nesta semana em Campo Grande, a falta de segurança para circular na cidade revolta a população e levanta discussão já antiga sobre o trânsito.

O principal alvo do ataque é o poder público, que nem sequer faixa de segurança garante em vias importantes para travessia com segurança. Mas quem assiste a tantos acidentes na cidade percebe que os casos têm ocorrido mesmo em trechos sinalizados, o que é apontado pelos pedestres como prova da responsabilidade dos motoristas na epidemia de feridos e mortos nas ruas da Capital.

Na esquina da avenida Eduardo Elias Zahran com a rua Rodolfo José Pinho, mesmo com quatro semáforos e faixas de pedestres pelo chão, a fama é de local muito perigoso. Para quem passa, o cenário é de vários acidentes.

O advogado Alício Garcez Chaves, de 30 anos, já perdeu as contas do número de acidentes que presenciou no local, e confessa que não sabe o que pode ser feito para resolver o problema.

"Esse trecho tem faixa de pedestres, tem sinal para todos os lados e mesmo assim vive acontecendo acidente", diz. Para ele, a segurança no trânsito não depende apenas de semáforos. "Falta consciência do povo, mesmo", acredita.

O frentista Eliseu Falcão, de 31 anos, que há cinco anos observa acidentes no local, garante que o problema é a falta de atenção dos motoristas. "Eles não respeitam, furam o sinal vermelho", afirma.

Segundo Eliseu, mesmo com sinalização, são frequentes os acidentes graves na Zahran com a Rodolfo José Pinho. "Na semana passada, o carro quase tirou fora o joelho de um motoqueiro", conta.

Para o consultor de vendas José Olara dos Santos, de 52 anos, a causa é simples: o aumento de veículos trafegando, em uma cidade sem planejamento.

Para ele, é como se os motoristas ainda não tivessem percebido que o trânsito na cidade não é o mesmo de 30 anos atrás, quando José começou a trabalhar em um comércio na Zahran.

"Quando acontece uma morte as pessoas se mobilizam por um tempo, mas depois acaba", reclama. Para ele, faltam incentivos na prevenção de acidentes de trânsito.

Alternativas - Apesar de aparecer como vilão na maior parte dos acidentes, o motorista também é vítima dos tumultos que ocorrem em determinados trechos, defende o consultor de vendas.

Para ele, não há campanhas ou ações que incentivem o uso de vias alternativas, por exemplo, a fim de evitar congestionamentos e tumultos que já vem ocorrendo na Zahran e em outros pontos movimentados da cidade.

A rua Amazonas, na esquina com a 13 de Junho é mais um desses exemplos. Quem costuma passar pelo local garante que a travessia é perigosa. Mais a frente do cruzamento foi construída uma rotatória. Mas, segundo os moradores, nem isso serviu para conter os motoristas, que não respeitam a sinalização.

"Nesse horário de pico é uma confusão terrível aqui, fica muito perigoso", afirma o motorista Carlos Augusto dos Santos, de 43 anos. Ele conta que sempre vê acidentes no local, que tem fluxo intenso de veículos.

Ele afirma que a impressão de quem observa o trânsito é que os motoristas estão sempre 'com pressa', e por isso não respeitam nem pedestres, nem motociclistas. "Eles querem passar a todo custo", diz.

Para Carlos, que também é motorista, uma campanha para conscientizar quem passa pelo local pode ser uma forma de reverter o elevado número de acidentes que ocorrem, principalmente, por desrespeito à sinalização.

"Pode ser um absurdo, mas talvez precise acontecer uma morte aqui para conscientizar as pessoas do perigo", desabafa o homem.

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