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Cidades

Por ordem nacional, índios ameaçam enfrentar “milícia” de fazendeiros

Lidiane Kober | 11/11/2013 17:19
Índios alegam que precisam de mais espaço para produzir e garantir sobrevivência (Foto: Arquivo)
Índios alegam que precisam de mais espaço para produzir e garantir sobrevivência (Foto: Arquivo)

Índios não se intimidaram com o anúncio dos produtores rurais de contratar seguranças para proteger as fazendas e vão seguir orientação nacional de intensificar as invasões se o governo não apresentar, até o dia 30 deste mês, solução para dar fim ao conflito por terras em Mato Grosso do Sul. Eles preferem uma solução pacífica, mas não descartam o enfrentamento para alcançar seus direitos.

“Não nos intimida a contração de seguranças, somos muitos aqui e com certeza vamos intensificar as ocupações se mais uma vez o governo não cumprir a promessa de apresentar uma solução para a gente”, disse o líder da Aldeia Passarinho, de Miranda, Teófilo Rodrigues.

Ex-cacique da mesma aldeia, Wilson Jacobina informou que é orientação do Movimento Indígena Nacional aumentar as invasões se o governo manter a inércia na briga por terras. “É o único jeito que temos para pressionar por uma solução”, explicou.

Segundo Teófilo, as famílias “estão crescendo e os índios não tem mais onde colocar os filhos”. “Já estamos jogados, sem saúde e educação de qualidade, pelo menos o espaço, que é nosso de direito, queremos para poder produzir, caso contrário não teremos como sobreviver”, frisou.

Jacobina, porém, admitiu que o anúncio da realização de leilões para arrecadar fundos a fim de bancar a contratação de seguranças mexeu com a população de 10 mil indígenas de Miranda, município onde o clima é um dos mais tensos do Estado. “A intranquilidade baixou aqui e complicou a situação”, relatou. “Mas não vamos recuar e pode acontecer uma nova tragédia”, alertou.

Em junho, um índio morreu em Sidrolândia e trouxe o Governo Federal ao Estado para debater solução pelo fim do conflito. “Por três vezes, o governo prometeu anunciar medidas e apanhamos as três vezes, não queremos apanhar mais”, desabafou Teófilo. Ele, inclusive, compreende a indignação dos produtores rurais, por isso, reforça a cobrança por ações do Poder Público. “Não queremos guerra”, garantiu.

Buriti – Na região de Sidrolândia, segundo o cacique Antônio Aparecido, a tensão baixou e há impasse apenas em três fazendas. “Cada região tem sua realidade, prefiro não falar sobre Miranda”, disse. “Aqui, o governo está agindo e fazendo as avaliações das áreas”, completou.

O obstáculo seria a resistência dos donos das fazendas Água Clara, Furna da Estrela e Vassoura. “Eles já contrataram pistoleiros e estão atirando em cima dos acampamentos”, denunciou o cacique.

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