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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

25/01/2018 13:24

Próteses para o coração eram vendidas a hospitais pelo dobro do valor de mercado

Estentes que custam cerca de R$ 800 no mercado, mas HU e HR chegaram a pagar R$ 2 mil pelo produto

Anahi Zurutuza e Aline dos Santos
Policial federal no HR na manhã desta quinta-feira (Foto: Bruna Kaspary)Policial federal no HR na manhã desta quinta-feira (Foto: Bruna Kaspary)

 

A compra de estentes, prótese utilizada para desobstruir artérias do coração, sustentava esquema de pagamento de propina a médico e servidores do HU (Hospital Universitário) e HR (Hospital Regional) de Campo Grande. A dinâmica investigada pela PF (Polícia Federal) e pela CGU (Controladoria Geral da União) foi revelada nesta quinta-feira (25) na Operação Again.

De acordo com o delegado Marcelo Botelho, que comanda o inquérito, as próteses, que custam cerca de R$ 800 no mercado, chegaram a ser vendidas as unidades públicas de saúde por R$ 2 mil.

Licitações eram direcionadas com cláusulas restritivas para beneficiar determinadas empresas, que pagavam propina ao cardiologista Mercule Pedro Paulista Cavalcante e outros envolvidos. Em alguns casos, o médico atuou diretamente nos processos licitatórios.

Equipamentos comprados pelos hospitais públicos também eram desviados pelo profissional para uso nas clínicas particulares. Próteses eram utilizadas mesmo vencidas.

As empresas alvo da operação são a Amplimed Distribuidora de Produtos Hospitalares Ltda., que pertence a Pablo Augusto de Souza Figueiredo, e a QL Med. As duas empresas tiveram contratos, firmados em 2016 e 2017, que somam R$ 12 milhões com o HU e o HR.

A PF e a CGU se debruçaram sobre R$ 6 milhões em contratos e identificaram R$ 3,2 milhões em prejuízos aos cofres públicos.

PF no HU nesta manhã (Foto: André Bittar)PF no HU nesta manhã (Foto: André Bittar)

A operação - A operação conjunta foi batizada de Again (de novo, em inglês) porque o modo de atuação do grupo é parecido com o apurado na Operação Sangue Frio há cinco anos.

Equipes foram às ruas vasculhar 20 endereços em Campo Grande, Dourados e Belém (PA) nesta quinta-feira. No total, são oito investigados.

A pedido da PF e por determinação judicial o médico foi afastado das funções nos dois hospitais públicos e terá de usar tornozeleira eletrônica. O empresário Pablo Figueiredo também será monitorado remotamente.



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