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Boa Imagem

Você pensa por conta própria ou segue a manada?

Já pensou que o que você fala, compra e faz pode ser influenciado pela maioria?

Por Larissa Almeida (*) | 17/06/2026 11:30




Na faculdade de jornalismo, estudei um fenômeno curioso e nunca mais o esqueci: o comportamento de manada. Durante milhares de anos, estar alinhado ao grupo aumentava as chances de sobrevivência. Se todos corriam, provavelmente havia um perigo. Se todos evitavam determinado alimento, talvez ele fosse tóxico. Nosso cérebro aprendeu que seguir a maioria costuma ser mais seguro do que agir sozinho. Nunca antes na história pudemos observar esse fenômeno tão claramente, e isso se deve, claro, à internet e às redes sociais.

Ou seja, comportamento de manada nada mais é do que a tendência que temos de seguir o que a maioria das pessoas está fazendo, pensando ou acreditando, muitas vezes sem uma análise crítica própria. E com o surgimento das redes sociais, esse fenômeno foi amplificado a multidões simultaneamente.

As pessoas compram algo porque "todo mundo está comprando". Investidores entram em uma aplicação porque "está todo mundo ganhando dinheiro". Profissionais adotam tendências sem avaliar se fazem sentido para sua realidade e, na minha opinião o pior: opiniões são repetidas sem reflexão porque já receberam muitas curtidas ou apoio.

O problema é que a maioria nem sempre está certa.

Um dos experimentos mais famosos sobre o tema foi realizado pelo psicólogo Solomon Asch na década de 1950. Ele mostrou que muitas pessoas davam respostas claramente erradas apenas porque o restante do grupo havia respondido daquela forma. Mesmo vendo a resposta correta diante dos olhos, elas preferiam se adequar ao grupo para evitar desconforto ou rejeição.

Existem três motivos principais para o comportamento de manada:

  1. Necessidade de pertencimento

Somos seres sociais. Gostamos de nos sentir aceitos e parte de um grupo.

  1. Medo de errar sozinhos

Se muita gente está fazendo algo, assumimos que aquilo deve ser o correto.

  1. Economia mental

Pensar exige energia. Seguir o fluxo é mais fácil do que analisar cada situação profundamente.

Quando se trata de imagem pessoal, o comportamento de manada é péssimo porque se o indivíduo se veste, fala e se comporta como todos os demais, como vai se diferenciar? Ou o pior. Como vai entender o que é melhor para si e se sentir feliz e realizado com as suas escolhas?

Curiosamente, quem mais se destaca costuma ser justamente quem consegue equilibrar pertencimento e autenticidade. Nem se isola do grupo, nem segue a multidão cegamente. Se a pessoa quer ser diferentona demais, certamente também vai causar um enorme estranhamento e também terá dificuldades em, usando a palavra da moda, se posicionar.

Na dúvida, vale a pena parar e perguntar: estou fazendo isso porque realmente acredito que é o melhor caminho ou apenas porque todo mundo está fazendo?

Essa é uma pergunta essencial para decisões sobre a sua vida, investimentos, para carreira, negócios, imagem pessoal e comportamento social.

(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.